[[legacy_image_165916]] Eles chegaram disfarçados com um novo layout e uma infinidade de sabores e aromas. Os cigarros eletrônicos podem se apresentar coloridos e com design futurista. À primeira vista, parecem inofensivos e dão a ideia de ser uma boa alternativa. Mas isso é pura ilusão! De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estudos mostram que os níveis de toxicidade podem ser tão prejudiciais como os do cigarro tradicional, já que combinam substâncias tóxicas com outras que, muitas vezes, apenas mascaram os efeitos danosos. O cirurgião torácico Alexandre de Oliveira, da Beneficência Portuguesa de São Paulo e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, dá mais informações a seguir. Ele diz, por exemplo, que esse hábito somente traz prejuízos para a saúde e pode levar à morte. Como funciona o cigarro eletrônico? É um dispositivo capaz de vaporizar um líquido inserido nele, que pode ou não conter nicotina. Por isso, ele é capaz de transmitir uma sensação próxima à do cigarro tradicional para o usuário. Então, faz mal à saúde do mesmo jeito que o cigarro convencional? Dependendo do que é inserido no dispositivo, pode ser menos danoso à saúde de modo geral, mas é claro que vai afetá-la negativamente de alguma forma. Há uma falsa impressão de que o cigarro eletrônico não faz mal, mas a maioria contém nicotina, que é altamente viciante. É importante lembrar que descobrimos os malefícios do tabagismo cerca de 20 a 30 anos após a sua existência. Os cigarros eletrônicos são muito recentes e já temos descrições de problemas pulmonares gravíssimos depois do seu uso. Quais os tipos de cigarros eletrônicos mais comuns no mercado? O vape é o modelo mais popular. Trata-se de um dispositivo que vem com uma bateria, geralmente de íon de lítio (recarregável), e um local para depositar o líquido que será transformado em vapor e inalado, além de outras estruturas que atuam nesse processo. Já o pod, também conhecido como pod system, é um “minivape”, que tem o objetivo de ser mais facilmente utilizado e portátil. Ele pode ou não ser recarregável e é constituído por apenas duas partes: um cartucho e a bateria. Temos ainda o vaporizador de ervas, que funciona com bateria recarregável e vem com uma superfície metálica, que aquece os componentes ativos e produz vapor. É válido usar o cigarro eletrônico como um recurso para largar o vício do tabagismo tradicional? A redução do cigarro comum por meio do eletrônico foi muito abordada pela própria indústria do tabaco, mas isso não é visto com bons olhos por nós, médicos da área respiratória. Temos relatos na literatura médica de jovens que ficaram com danos pulmonares agudos por causa do uso do cigarro eletrônico, inclusive com necessidade de transplante pulmonar. Já existe até uma doença causada pelo vape, chamada evali (e-cigarette or vaping product use-associated lung injury), sigla em inglês para lesão pulmonar associada ao cigarro eletrônico. Recentemente, também fomos surpreendidos pela notícia de uma doença pulmonar aguda misteriosa. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) associa o uso de cigarros eletrônicos ao aparecimento de um tipo de injúria pulmonar de causa ainda pouco esclarecida, mas que já é suspeita de ter acometido mais de mil jovens americanos e ter causado 18 mortes em 15 estados diferentes. Quais os sintomas dessa doença? O quadro clínico se assemelha ao de uma pneumonia, aqui no caso química, e não viral ou bacteriana. Os sintomas são dispneia (dificuldade para respirar) possivelmente associada a febre, tosse, vômitos, dor de cabeça e dor torácica. Além da eventual presença da nicotina, quais outras substâncias estão envolvidas numa tragada? Embora os cigarros eletrônicos ignorem o princípio nocivo de combustão que os cigarros tradicionais operam, fumar vape resulta na degradação térmica de sua base líquida. Formaldeído, acetaldeído, acetona e nitrosaminas específicas de tabaco são compostos perigosos gerados por essa degradação. Todos cancerígenos. Além da intoxicação química, existe ainda o risco de explosão. Segundo artigo elaborado pelo Inca e pelo Ministério da Saúde, os cigarros eletrônicos já foram responsáveis por casos de explosões com danos físicos e materiais às vítimas. Os relatos relacionavam o incidente a problemas com a bateria do cigarro.