[[legacy_image_215045]] Cientistas de vários países estiveram reunidos em Santos, na última semana, para discutir o oceano que queremos. Hoje, ele abriga centenas de milhares de espécies e todos os elementos químicos existentes no planeta. É o maior ativo financeiro, cobre 2/3 da superfície e tem dono. Sim. Um estudo acaba de identificar que 100 empresas são responsáveis por mais de 60% dos recursos extraídos do mar, algo em torno de US\$ 2 trilhões. Caso fossem um país, elas seriam a 16ª economia do mundo, acima da Arábia Saudita, México, Espanha, Suíça e Países Baixos, entre outros. Essa economia oceânica é formada por atividades que vão do petróleo e gás até à pesca, passando pelo turismo, cargas e portos. AtençãoDesse cardápio, as 100 empresas ficam com mais de US\$ 1,1 trilhão. Mas atenção: a compilação desses números não visa empilhar dados. O objetivo é lançar luz sobre os chamados “atores-chaves”. Eles são fundamentais, dizem os autores do trabalho, para o futuro sustentável da nossa maior riqueza natural. Essas empresas estão inseridas no que se passou a alcunhar de economia azul, a irmã oceânica da famosa economia verde. Enquanto nessa última, porém, o termo representa sustentabilidade, no oceano a expressão acabou sendo “sequestrada” para identificar qualquer exploração – basta que ela esteja no mar. Por isso, ao destacar essas empresas oceânicas, os pesquisadores das universidades de Duke (EUA) e de Estocolmo (Suécia), responsáveis pelo estudo, propõem, na verdade, uma ferramenta de conservação oceânica. OportunidadesParece algo do tipo “eu sei o que você fez no verão passado”. A diferença está no fato de que, aqui, o que se leva em conta é uma melhor gestão oceânica, evidenciando, por meio de um ranking público, as melhores práticas e expondo, obviamente, os desvios. Uma característica que cerca essas 100 empresas é que elas atuam em um ambiente muito difícil e, para isso, desenvolvem alta tecnologia. Melhor gerenciados e partilhados, esses conhecimentos serão fundamentais para novos modelos de produção, monitoramento e conservação, a base de uma real economia azul e a diferença entre um oceano de oportunidades e um mar de problemas. Preservar para prosperarApesar de não aparecer na lista das 100 mais, a biotecnologia marinha já é tida como a mais promissora das explorações humanas no oceano – com um diferencial, digamos, irônico. Enquanto todas as demais são atividades agressoras ao meio, a biotecnologia marinha precisa de um ambiente saudável. Ela promete uma nova geração de vacinas, drogas oncológicas, imunossupressoras e antidiabéticas, as mais utilizadas no mundo, além de novos compostos, como resinas semelhantes ao plástico, que se degradam em elementos naturais, que podem ser consumidos por microrganismos marinhos. FerramentasQuanto mais difícil a tarefa, mais sofisticada a ferramenta. Quanto mais hostil o ambiente, mais forte é a estratégia de sobrevivência. No oceano, a biotecnologia encontra esse desafio à vida, seja nas maiores baleias ou em uma pequena ascídia. Com moléculas desse animal marinho, brasileiros e canadenses patentearam um novo tratamento oncológico. Mas buscar substâncias nesse bioma não é algo inédito. O que muda são as ferramentas: genética, nanotecnologia, inteligência artificial. Com esses e outros recursos, a biotecnologia marinha deixa de raspar a superfície. ConcentraçãoMesmo com o enorme potencial, pesquisar esses compostos tem sido uma tarefa para poucos: exatos dez países. Eles respondem por 98% das sequências genéticas de espécies marinhas já patenteadas. Uma única empresa detém mais de 50%. Como universalizar esses benefícios? Para os autores de tal mapeamento, o primeiro passo é justamente saber onde se encontram essas empresas e destacar quais trabalham com transparência, compartilhando saberes. Avaliado no ano de 2010 em US\$ 1,5 bilhão, o mercado global de biotecnologia marinha atingirá cotação de US\$ 7 bilhões em 2025.