Personagens do original nos levam de volta ao universo que causou impacto 20 anos atrás (Reprodução/HBO) Cidade de Deus foi um marco definitivo no cinema nacional e é, talvez, o filme brasileiro mais celebrado de toda a história, na lista dos 25 melhores de todos os tempos do IMDB e rendeu quatro indicações ao Oscar, inclusive para o diretor Fernando Meirelles, que foi catapultado para um patamar diferenciado entre os diretores de Hollywood, mesmo tendo sido responsável por pouquíssimas produções nestes últimos anos, com destaque para O Jardineiro Fiel (2005), a série Cidade dos Homens e o mais recente Dois Papas (2019), também indicado ao Oscar. Lá se vão 20 anos de seu lançamento. Mexer com um clássico tão respeitado é sempre muito arriscado, mas a HBO encarou o desafio e lançou, no último domingo, o primeiro episódio da série Cidade de Deus: a Luta não Para, que terá episódios lançados semanalmente, sempre às 21 horas de domingo, simultaneamente no canal HBO e no streaming Max. Hoje estreia o segundo. Serão seis, nesta primeira temporada. A história segue a trajetória de um dos principais personagens do filme original, o jovem Buscapé, agora um fotojornalista que dedica seu trabalho à denúncia dos crimes ocorridos na favela carioca mas acaba se envolvendo na guerra entre dois traficantes - Bradock e Curió - pelo comando do tráfico, enquanto a comunidade se une para (tentar) acabar com o ciclo de violência, sem muito sucesso: o dia a dia é sangrento e muito violento, com sangue e corpos como partes comuns do cenário daquele microcosmo. Mas muito além do ponto central da narrativa, os relatos das vidas dos moradores daquela comunidade, que vivem oprimidos de todos os lados, tanto pelo tráfico quanto pela milícia e pela polícia, também recebem atenção. Afinal, em tempos de guerra (mesmo as silenciosas), as pessoas continuam a viver, a amar, a trabalhar… Diversos outros personagens do filme original também reaparecem, com destaque para Barbantinho e Cabeção, e novos personagens são apresentados, como a advogada Jerusa. Na pele de todos os protagonistas, gente talentosa como Andréia Horta, Marcos Palmeira, Thiago Martins, Otavio Linhares e Alexandre Rodrigues. Na direção, sai Fernando Meirelles e entra o diretor baiano Aly Muritiba, responsável por boas produções como O Novo Cangaço, de 2023. No aspecto técnico, a série é incrível. Tem ótima fotografia, é muito bem editado, tem interpretações incríveis e fica devendo pouco ao filme original. Uma série com enorme potencial de ganhar o mundo e ficar entre as mais assistidas do Max, em nível global, expectativa confirmada, por exemplo, pelo horário de exibição na HBO, muito próximo da faixa das 22 horas, reservada a produções como Game of Thrones. Fiquei empolgado com o que vi até agora e certamente vou acompanhar esta primeira temporada com muito interesse. Indico para quem curtiu o filme original e mesmo para quem não tem esta referência mas curte as boas produções nacionais, que não fazem concessões e nos deixam orgulhosos da dramaturgia brasileira. Assista, vale seu tempo! Nota do crítico: +++++