[[legacy_image_319913]] Mais de 25 milhões de crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos estão conectados à internet no Brasil, segundo pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet em 2023. O dado corresponde a 95% dos brasileiros nessa faixa etária e acende um alerta para a saúde bucal das crianças. Odontopediatras já percebem que o uso excessivo de telas tem aumentado os casos de bruxismo nas crianças, condição caracterizada pelo ranger dos dentes durante o sono. Luiz Vicente Lopes, odontopediatra do Instituto Kids de Odontologia, em Curitiba (PR), explica que a luz azul emitida pelos aparelhos eletrônicos antes do horário de dormir pode provocar alterações no sono, sendo percebida pelo cérebro como um sinal para permanecer acordado e em estado de alerta. “As telas resultam em um sono mais agitado tanto para os adultos quanto para as crianças, o que pode desencadear casos de bruxismo, ansiedade, apneia do sono e demais problemas na saúde. Nas férias, vemos que o número de crianças com bruxismo aumenta, justamente por passarem mais tempo no celular, tablets e assistindo TV”, explica Luiz. O uso constante de eletrônicos também pode levar a uma diminuição na produção de saliva, já que as crianças tendem a respirar pela boca enquanto estão concentradas nas telas. “A saliva desempenha um papel importante na proteção dos dentes contra cáries e a falta dela pode aumentar a incidência de problemas dentários”, diz o especialista. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que menores de 2 anos de idade não tenham acesso a telas. Já entre 2 e 5 anos, o ideal seria, no máximo, uma hora por dia, e, entre 6 e 10 anos, de até duas horas. O bruxismo na infância é caracterizado pelo hábito de ranger ou apertar os dentes, principalmente durante o sono e de forma involuntária. O odontopediatra explica que existem algumas formas de identificar o problema nas crianças. “Os pais podem ouvir o ranger das crianças durante a noite, mas também perceber um desgaste anormal dos dentes. Se a criança reclama de dor na mandíbula ou dor de cabeça, principalmente ao acordar, também é sinal de alerta”. Os casos de bruxismo em crianças muitas vezes são transitórios e podem ser resultado de diversos fatores, como distúrbios do sono e respiratórios, ansiedade e refluxo gástrico, entre outros. “As telas, no período antes de dormir, deixam as crianças mais suscetíveis a esses distúrbios e quadros de ansiedade. Por isso é importante destacar que nós, odontopediatras, não tratamos o bruxismo. Nós identificamos e evitamos a progressão dos danos aos dentes, mas é necessário tratar a causa, seja com apoio de psicólogo, otorrinolaringologista, gastroenterologista, entre outras especialidades médicas”, finaliza Lopes. Uma dica para o período de férias escolares é os pais promoverem atividades que evitem os eletrônicos, especialmente antes do horário de dormir, e estimulem o desenvolvimento das crianças com brincadeiras ao ar livre, prática de esportes e jogos recreativos.