[[legacy_image_283352]] Sabrina foi se reinventando diante das reviravoltas e oportunidades trazidas pela vida. Assim, migrou da carreira de modelo - iniciada aos 16 anos e com passagem pelo Japão - para a televisão, onde brilhou como apresentadora da MTV e ainda trabalhou nos canais Bandeirantes, Cultura, Glitz* e TNT. Aí, em 2014, resolveu se aventurar como cantora e não parou mais de fazer shows. Na próxima sexta, às 19 horas, ela se apresenta com a Jazz Big Band no Largo Marquês de Monte Alegre, no Valongo, dentro da 11ª edição do Santos Jazz Festival. No bate-papo a seguir, a paulistana de 48 anos não fala apenas da sua ligação com a música. Ela comenta a necessidade que teve de dar uma desacelerada e mudar a sua rotina, e conta como o câncer de mama que enfrentou aos 40 fez com que tivesse mais um propósito de vida: o do ativismo contra esse tumor, por meio de palestras em que compartilha seu tratamento e chama atenção para a importância do diagnóstico precoce para a cura. Você vai se apresentar no Santos Jazz Festival na sexta-feira. Como é a sua relação com esse gênero musical?Sempre gostei desde nova de jazz, porque, na minha casa, a gente ouvia bastante. Meu pai ainda tocava piano. Aí, quando comecei a cantar, resolvi colocar no repertório das minhas apresentações um pouco de jazz para testar. Vi que combinava com a minha voz e, desde então, costumo incluir algo de jazz em todos os meus shows. E as pessoas gostam, se surpreendem. Muitas falam: “Nossa! Você que apresentava pop e rock na MTV cantando jazz? Que legal!” Em 2020, participei pela primeira vez do Santos Jazz Festival, mas, devido à pandemia, foi uma transmissão on-line, voz e violão, que fiz da minha casa, com um bom feedback. Agora, volto ao festival para uma apresentação presencial... E com uma orquestra! No repertório, além de jazz, haverá música brasileira e uma homenagem a Rita Lee. O show em Santos também vai marcar o início de um projeto meu e da Jazz Big Band, com o qual pretendemos excursionar. Pode-se dizer que cantar profissionalmente era uma vontade antiga?Sim, só que foi um processo. Eu cantarolava para amigos, em casa. Na época da MTV, algumas pessoas que me ouviram cantar falaram que podia seguir carreira. Mas eu não tinha tempo para focar nisso e nem imaginava que iria adiante nesse caminho. Na realidade, a vontade de cantar profissionalmente foi se potencializando ao longo dos anos. Em 2014, decidi montar um show e passei a pegar experiência na noite paulistana. Até que, em 2017, recebi o convite da TV Globo para participar da primeira edição do reality musical Popstar. Cheguei à final, porém foi um baita desafio. Nessa hora, muita gente descobriu que eu gosto de cantar, surgiram mais oportunidades de shows e sigo na música. Tinha receio de como as pessoas iam reagir ao fato de uma apresentadora se tornar cantora?Um pouco, pois existe um preconceito quando alguém que é conhecido por algo, de repente, se experimenta em outra atividade. Surpreendentemente, nunca senti esse preconceito das pessoas comigo. Muito menos recebi feedbacks estranhos. O que é estimulante, dá forças para continuar. Também foi legal profissionais do meio me incentivarem e me convidarem, inclusive, para parcerias. Sempre gostei de música. Quando era criança, fiz até algumas aulas de piano, e pretendo retomá-las, ainda mais agora que tem tudo a ver com o meu trabalho. Hoje, vejo como demorei para entender que eu podia cantar. Ao analisar a sua trajetória, fica evidente que você foi se reinventando com o tempo. Tanto que, antes de ser apresentadora, trabalhou como modelo.Exatamente. Na minha vida, as oportunidades foram surgindo e eu fui abraçando cada uma delas, com a dedicação necessária para que dessem certo. É legal não só descobrir talentos que a gente possui como ter coragem para colocá-los para fora. Mas não é algo fácil, já que nos expomos e nos tornamos alvo de julgamentos. Acho que devemos seguir os caminhos que nos trazem felicidade, em vez de ficarmos com tanto medo, o que, às vezes, nos paralisa. Ando muito assim na minha vida. Faz tempo que não trabalho na TV, porque precisei de uma pausa para me descobrir, me reinventar, cuidar melhor de mim e da minha vida pessoal. Desde a adolescência, tive uma rotina corrida, estressante, cheia de compromissos. Hoje, me sinto meio que dona da minha vida, consigo dar meus passos com mais liberdade, o que me deixa mais feliz e realizada, mesmo não estando no auge de sucesso que foi a época da MTV. Até algo inesperado, pesado e negativo como o câncer de mama que enfrentei aos 40 se transformou em um propósito de vida, de ajudar a levar informação e ser uma voz de alerta sobre esse problema de saúde. Faço palestras o ano inteiro chamando atenção para a importância do diagnóstico precoce para a cura e compartilho o que senti, como foram o tratamento, a minha recuperação... Acabo sendo uma espécie de alento para quem passa por isso. Quando tive o câncer de mama, senti necessidade de ouvir histórias de mulheres que enfrentaram o tumor e percebi como isso dá uma força impressionante.