[[legacy_image_262171]] Depois de chamar a atenção do público e da mídia com o trabalho na Banda Uó, o cantor e compositor goiano Mateus Carrilho decidiu se lançar em carreira solo e, como resultado de um processo de entendimento do que realmente queria fazer nesse novo momento, preparou seu primeiro álbum solo, que logo estará disponível. Múltiplo por natureza, Mateus também se interessa bastante por moda, tanto que, além de combinar tendências da indústria fashion no seu visual, já se aventurou nesse mercado, assinando uma coleção de cápsula de bolsas e pochetes da marca O Jambu. Ainda se mostra um artista engajado, principalmente em causas LGBTQIA+, e mais recentemente em questões relacionadas à adoção de pets. Na entrevista, fala de como amadureceu nos últimos anos como pessoa e artista, da sua fluidez sexual e de como foi crescer na pequena cidade de Goianésia, em Goiás. Como se sente por estar perto de lançar seu primeiro álbum solo?O meu momento atual é de confiança, porque vou entregar um material no qual acredito muito. Acho que isso não aconteceria em 2018 e 2019, anos que marcam o início da minha carreira solo. Tudo aconteceu rápido. Eu fazia parte da Banda Uó, lancei o feat com a Pabllo Vittar (a música Corpo Sensual, com mais de 330 milhões de views no YouTube), aí veio o drama de sair da banda e, logo depois, começou a pandemia. A sensação que tenho hoje é de ter me encontrado mesmo, de ter achado um lugar para mim. Isso sempre foi difícil, desde a Banda Uó, quando as pessoas ficavam sem saber em que caixa iam nos colocar, por tão múltiplos que éramos. O primeiro single do álbum, Menino, mostra que você está investindo em uma sonoridade diferente da habitual. Isso é reflexo do processo de achar seu lugar?É exatamente isso. Esse disco não existiria no pós-final da Banda Uó, época em que não tinha uma visão clara do que queria fazer. Comecei a consumir coisas diferentes, passei a praticar mais a composição e fui procurar produtores, um time que me entendesse e ajudasse a chegar ao resultado que almejava. Qual é a sua prioridade hoje?O resultado musical. Houve um período em que me preocupava mais com a viralização, com os likes, com o que engajava, com os números... Hoje, estou com 33 anos. Procurei fazer um trabalho do qual me orgulhasse lá na frente. Antes, eu não costumava planejar as coisas. Era bem inconsequente (risos). Pensava no hoje e, quando o amanhã chegasse, eu dava um jeito. Acho que mudei com a maturidade. Já passei por grandes agências e empresários, mas sempre estive à frente de tudo. Quando iniciamos a Banda Uó há dez anos, tivemos de aprender tudo sozinhos: a produzir clipe, o design da capa do álbum, compor... De certa forma, isso me transformou no multiartista que sou hoje. Guarda quais memórias de Goianésia, sua cidade natal?Perdi meu pai quando tinha 10 anos. Ele foi bem importante para mim, uma pessoa carismática, popular e boêmia. Portanto, me habituei com o ambiente de bar, com as rodas de samba. Comecei a me interessar por música com 7, 8 anos. Aprendi a cantar na missa. Minha mãe, ao perceber que gostava disso, me encaminhou para estudar música. Meu tio também foi importantíssimo. Duas coisas resumem minha história: paixão pela música e por vídeo. Meu tio tinha uma câmera VHS que, com frequên-cia, eu pegava emprestada para fazer minhas produções e trabalhos do colégio. Como procura conduzir seu engajamento nas causas LGBTQIA+?É algo natural, porque é quem eu sou. Tem um tempo que descobri a minha fluidez sexual e entendi que realmente tenho interesse por corpos que não sejam só masculinos. Hoje, vivo um relacionamento gay. Sempre que me envolvo em causas LGBTQIA+, procuro deixar um recado inclusivo, pois falta bastante para chegarmos a isso. E como adotei duas cachorras na pandemia, também tenho me engajado em questões pets. Quero contribuir cada vez mais com a adoção de animais.