[[legacy_image_357892]] O óleo de cannabis, o canabidiol, está sendo cada vez mais discutido. Ele pode ser usado no tratamento de diversos transtornos e doenças nos seres-humanos. Entretanto, para além do tratamento em pessoas, o canabidiol também pode ser recomendado a animais. O médico veterinário Gustavo Palmieri conta que começou a prescrever o óleo após receber vários relatos de patologias que foram controladas com a medicação. “Quando o pessoal escuta a palavra cannabis, ou maconha, lembra muito de uma coisa errada, do mal. Mas o óleo extraído da planta da maconha tem vários fatores que conseguem ajudar em muitos tipos de doenças”. O veterinário ainda explica que, entre os principais casos de prescrição, estão os que envolvem convulsões inespecíficas, que não têm causas, como ansiedade e hiperatividade, e também em tratamentos de dores crônicas, cujas medicações tradicionais não surtem mais efeitos. Entre os animais de estimação, os cães são os que mais fazem uso do medicamento. Entretanto, há casos de gatos que também utilizam o tratamento. “Hoje, atendo mais animais de médio a grande porte”. Para o veterinário, um dos maiores desafios é driblar o preconceito enraizado na sociedade no que diz respeito à cannabis. Para ele, é imprescindível que as pessoas se mantenham informadas sobre a importância do medicamento. “O preconceito ainda é enorme. Você vai falar com o tutor sobre utilizar o óleo e ele ainda fica com o pé atrás. Mas a importância do tratamento dentro da Medicina Veterinária é muito grande, porque ele transforma e salva vidas”. Vivências Sob cuidados da vicentina Marinalda Carvalho, de 53 anos, Thor é um pitbull de dois anos que faz o uso de canabidiol para tratar epilepsia. Suas crises começaram em agosto do último ano e geraram preocupação. “Na primeira crise, ele estava no quintal e eu dentro de casa, quando ouvi um barulho e fui verificar me deparei com ele deitado, pedalando, babando muito e defecando. Aguardei uns dias para ver se ele teria novamente a crise e, depois de três semanas, ela ficaram se repetindo quase todos os dias”. [[legacy_image_357893]] Com isso, o animal passou por uma série de exames até ter o diagnóstico final de epilepsia. Após o laudo, Thor começou o tratamento com remédios controlados, que seguraram suas crises por cerca de 15 dias. Contudo, logo após, elas retornaram. “Fomos aumentado a dose do remédio, mas não teve melhora”. Segundo Marinalda, o uso contínuo da medicação fez com que Thor desenvolvesse um problema no fígado (que já foi tratado). Ela soube que o medicamento não estava surtindo efeito e foi aí que se sugeriu o uso de canabidiol. Ela conheceu o trabalho do Núcleo de Atenção à Saúde e Cuidados Integrativos (Nasci), do Instituto Articulação de Tecnologias Sociais e Ações Formativas (Adesaf), onde foram explicados os benefícios do canabidiol. “Conversei com meus familiares, fiz uma breve pesquisa sobre o assunto e vi que tinha inúmeros artigos científicos elogiando o óleo da cannabis para fins medicinais. Voltei com a resposta que poderia ser usado o óleo da cannabis no Thor”. Marinalda destaca que, com o início do tratamento, Thor passou a ter crises menos agressivas. “Ele ficava fora de si nas crises antes do óleo, e agora, com uso da cannabis, elas são bem mais leves”. Thor faz o uso do canabidiol há um mês e o médico veterinário está estudando a dosagem para que ele tenha cada vez mais qualidade de vida.