(Adobe Stock) Pedro Sabaciauskis, fundador e presidente da Santa Cannabis, uma associação sem fins lucrativos que busca fomentar os estudos da cannabis medicinal em pacientes com indicação médica para o uso, esclarece as dúvidas mais comuns de pacientes sobre o tratamento. O uso da cannabis medicinal costuma gerar bastante polêmica e, por isso, a informação é a principal ferramenta para desmistificar as dúvidas em relação à planta nos tratamentos de saúde. A associação também faz a distribuição legal de canabidiol (CBD) e tetra-hidrocarbinol (THC) medicinal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Qual a diferença entre cannabis medicinal e maconha recreativa? Cannabis medicinal e maconha recreativa são produtos bem diferentes, apesar de derivados da mesma planta. Enquanto a primeira é desenvolvida sob rigorosos padrões de qualidade, com doses e concentrações precisas e prescritas por profissionais da saúde, a segunda é consumida sem acompanhamento e controle, expondo o usuário a uma maior probabilidade de efeitos adversos. Quais os principais benefícios da cannabis medicinal? A cannabis tem efeito positivo contra doenças sérias, como câncer, Alzheimer, transtorno do espectro autista, Parkinson, fibromialgia, depressão e até problemas que comprometem a qualidade de vida, como a insônia. Isso tudo está devidamente documentado e embasado cientificamente, com estudos que sinalizam esses benefícios clínico no mundo inteiro. Os efeitos positivos da cannabis no organismo humano são amplos e muitos já possuem documentação robusta como prova de sucesso. No entanto, é importante a consulta e acompanhamento de um médico, que vai prescrever a substância de forma personalizada. O canabidiol tem efeitos colaterais e estimula o uso de outras drogas? O canabidiol é uma substância presente na cannabis e não possui qualquer conexão com os efeitos psicodélicos, vício ou mesmo efeitos colaterais que possam prejudicar o dia a dia do paciente. Quando utilizado seguindo a prescrição e acompanhamento, o paciente pode, no máximo, sentir um pouco de fome e sono, sem qualquer associação com qualquer vontade oculta de utilizar outras drogas. Pelo contrário, existem estudos que sugerem que o canabidiol seja utilizado no tratamento para dependência química e para controlar crises de abstinência provocadas pela interrupção do uso de substâncias como o álcool e o crack. Os resultados são bem positivos. É possível que o aumento do uso do cannabis medicinal acabe levando à legalização do uso recreativo? Para legalização do cannabis medicinal no Brasil, foram consideradas inúmeras pesquisas clínicas, que já acontecem em muitos outros países no mundo. Esses estudos serviram para dimensionar os efeitos benéficos da substância à saúde em diferentes patologias. Estas pesquisas são a base teórica que fundamenta o acesso para pessoas com diagnósticos e adequação ao tratamento para cada patologia, de acordo com o acompanhamento médico e a prescrição do medicamento. Para legalização do uso recreativo, outros aspectos sociais e de saúde pública terão que ser considerados, bem como regulamentações que envolvem desde o cultivo à venda para consumidores. Dessa forma, a cannabis medicinal legalizada tem adequação ao paciente, de acordo com seu tratamento médico. Cannabis medicinal ajuda ou é capaz de curar várias doenças? O uso de cannabis medicinal não funciona de forma milagrosa nem trata todas as doenças. Embora muitos pacientes a tratem dessa maneira, pode ser que essa terapia não funcione para uma pequena parcela da população, que sofre com as doenças que já citamos antes. O que devemos entender é que cada organismo possui seu próprio sistema endocanabinóide, com capacidade para metabolizar as substâncias presentes na planta e equilibrar as funções do corpo, auxiliando no combate às doenças. Porém, para que esse efeito positivo seja maximizado, é imprescindível a participação de um médico que entenda desse assunto e faça o acompanhamento desse paciente, alterando a fórmula do óleo se houver necessidade e buscando a dose ideal que vá funcionar. Essa posologia varia de pessoa para pessoa. Canabidiol ajuda a tratar a insônia Insônia no Brasil 72% dos brasileiros sofrem de doenças relacionadas ao sono (o equivalente a 73 milhões de pessoas), de acordo com um estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Como o canabidiol ajuda no sono? Ele atua por meio da interação do sistema endocanabinoide (SEC) Ajuda a induzir ao sono devido a altos níveis de canabidiol (CBD) e baixos níveis de tetra-hidrocarbinol (THC), evitando efeitos psicotrópicos e alucinógenos Benefícios e principais vantagens Promove o relaxamento e reduz a ansiedade, facilitando a transição para o sono Reduz a latência do sono, que diminui o tempo que a pessoa leva para adormecer e beneficia aqueles que têm dificuldade para dormir rapidamente Regula o ritmo circadiano, promovendo um sono mais regular, com períodos mais longos de descanso Tem redução da ocorrência de pesadelos, o que beneficia pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou outras condições que causam pesadelos frequentes