[[legacy_image_249789]] Gleici Damasceno considera participar do Big Brother Brasil (BBB) em 2018 a experiência mais maluca da sua vida. “Hoje, quando vejo os participantes entrando na casa, bate uma nostalgia: ainda sinto o cheiro de lá; no início, até ficava com ciúme deles”, conta. Para ela, vencer o reality teve múltiplos significados: tornar-se famosa, conquistar milhões de seguidores nas redes sociais, melhorar a vida da mãe com o prêmio e voltar a investir na carreira de atriz - algo que sonhava desde pequena e que, devido às adversidades que enfrentou, achava que não seria possível. Na entrevista, a acriana de 28 anos fala dos projetos que está para lançar no cinema e no streaming, da necessidade de ser fiel às suas origens e à sua essência e do elo com programas e entidades do terceiro setor. Você tem focado bastante na carreira de atriz. Isso, por acaso, era um sonho antigo?Sim. Desde pequenos, eu e meus primos frequentávamos oficinas culturais, até como um jeito de sair da realidade de pobreza que vivíamos em Rio Branco (Acre). Meu primeiro contato com o teatro se deu aos 8 anos, em uma oficina de bairro oferecida pela prefeitura. Me apaixonei pela interpretação e, depois de fazer a Maria Bonita, pensei: “É o que quero para a minha vida”. Houve um teste na cidade para a minissérie da Globo Amazônia - De Galvez a Chico Mendes, mas minha avó não me deixou participar. Mesmo assim, não desisti. Me envolvi com várias companhias até que tive que começar a trabalhar. Por causa disso, passei a ir apenas aos ensaios de fim de semana. Segui desse modo até que, aos 17 anos, entrei na faculdade de Artes Cênicas, só que, como as aulas eram à tarde e eu trabalhava o dia inteiro, tive de mudar de curso. Fui, então, estudar Psicologia e aí veio o Big Brother. Quando saí do programa, percebi que aquela era a oportunidade de voltar a fazer o que realmente queria. E foi estudar artes cênicas de novo?Logo após o BBB, gravei participação na novela O Outro Lado do Paraíso e rodei o meu primeiro filme, Noites Alienígenas. Foi quando me encantei pelo cinema. Resolvi fazer cursos de interpretação, para me preparar para a carreira. Na sequência, tive a chance de filmar Resistir e Recomeçar, longa que ainda não foi lançado, e Ninguém É de Ninguém, filme baseado no best-seller da Zibia Gasparetto que vai chegar aos cinemas em 23 de março. Também gravei a série Tarã, do Disney+, que tem estreia prevista para agosto. Trata-se de uma produção nacional em que estão investindo pesado. Parte das cenas foi gravada no Acre e a Xuxa participa do projeto. Eu interpreto uma guerreira do povo indígena. Os temas centrais da história são meio ambiente, a Amazônia e a representatividade dos índios. Como foi gravar na sua terra natal?Moro há quatro anos em São Paulo, só que sempre vou ao Acre, pois é o momento em que me reconecto comigo mesma, com a minha essência, a minha família e os meus amigos. Foi uma experiência muito especial gravar lá. Me senti bastante à vontade, achei até mais fácil trabalhar. Inclusive, me peguei pensando várias vezes: por que a gente precisa sair da nossa terra para crescer na vida? Tem se debatido a importância da regionalidade, mas as coisas ainda acontecem para valer no eixo Rio-São Paulo. Mudou muito desde que saiu do Big Brother?Obtive várias conquistas de lá para cá, no entanto, no meu íntimo, não mudei. Em diversas situações, me percebo tendo os mesmos pensamentos de quando era mais nova. Sabe, com 16 anos, fundei uma associação de jovens. Não posso perder essa minha determinação. O que me fez ganhar o Big Brother foram justamente a minha essência e a minha fortaleza, que são a minha história, a minha família, os meus amigos, as pessoas que sempre estiveram ao meu lado. Dou total liberdade para que elas digam se, por acaso, estou agindo diferente da minha essência, e peço para que, nesse caso, me tragam de volta para o chão. O que o público e os fãs mais perguntam? O mais comum é questionarem o que fiz com o prêmio do BBB. A minha mãe já tinha uma casa própria, porém entrei no programa decidida a dar um lar melhor para ela. O que fiz basicamente com o R\$ 1,5 milhão foi o seguinte: comprei uma casa e um carro para a minha mãe e investi o dinheiro que sobrou. Hoje, vivo bem com o que ganho com o meu trabalho. Na adolescência, você chegou a montar um projeto social no Acre. Tem vontade de, um dia, se envolver com o terceiro setor novamente? Eu era muito ativa, colocava a mão na massa mesmo e liderei várias ações. Atualmente, ajudo ONGs e projetos que necessitam representando-os, divulgando-os e até investindo financeiramente neles. Estar ligada a causas sociais é algo inerente a mim. Eu sou filha de programas do governo e de organizações civis. Sem isso, eu não teria chance nenhuma na vida.