[[legacy_image_263557]] Ele já foi a estrela da mesa do brasileiro, mas anda meio em baixa de uns tempos para cá. E isso não é nada bom. Afinal, um prato caprichado de feijão traz cálcio, ferro, vitaminas, proteínas e carboidrato. Sabe aquela propaganda de que vale por um bifinho? No caso do feijão, isso vai bem além da publicidade. Ele pode ser um substituto para as proteínas animais. Quer outro motivo para colocá-lo à mesa: é plantado com sucesso em todo o País, sendo um ingrediente farto e variado. “O nosso Brasilzão é o maior produtor mundial dessa delícia, com média anual de 3,5 milhões de toneladas. Precisamos colocar mais feijão nas receitas”, diz o chef Guga Rocha. A média atual de consumo de feijão no Brasil é de 12,7 kg por pessoa ao ano. Mas já foi muito maior. Na década de 1960, esse número era de 23 kg por habitante ao ano. Se continuar seguindo a tendência dos últimos anos, o feijão deixará de ser consumido de forma regular – de cinco a sete dias na semana – em 2025, segundo estudo do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. “E isso se dá principalmente na população de baixa renda. O mais triste é que paulatinamente essa leguminosa vai sendo substituída por produtos industrializados, refinados, o que representa uma ameaça à saúde do brasileiro e um aumento nos índices de obesidade e diabetes”, lembra o chef. A nutricionista Karoline Jorge enfatiza que incluir o feijão na dieta é uma oportunidade de ingerir fibras, ferro e proteínas. “Quando consumido em quantidade adequada, não engorda, diferentemente do que muitas pessoas pensam”. Segundo Karoline, a leguminosa é a principal fonte de proteína na alimentação brasileira e pode ser utilizada como alternativa em substituição às carnes e a outros produtos proteicos, formando com o arroz uma dupla pra lá de imbatível. É boa fonte de carboidratos complexos, de vitaminas hidros-solúveis, possui alto conteúdo proteico, com elevado teor de lisina, complementando a proteína dos cereais (como o arroz). Ainda é fonte de cálcio e ferro com conteúdos também significativos de fósforo, potássio, zinco e magnésio. E tem alto teor de fibras alimentares (6% a 7%). A dica do chef Guga Rocha é inventar formas novas, tropicais, coloridas e refrescantes para utilizar esse rico ingrediente no seu dia a dia. “Ele fica ótimo com frutas e legumes. Também varie o tipo de feijão e evite colocar linguiças e outras carnes gordurosas. Mas comer uma boa feijoada, de vez em quando, não faz mal a ninguém”. Símbolo nacionalA leguminosa já era um alimento nativo na América, conhecido pelos indígenas, que consumiam os grãos sem caldo. Os portugueses acrescentaram o caldo, uma solução encontrada pelas senhoras europeias para umedecer a comida nativa, que elas consideravam muito seca. Trazidos ao Brasil escravizados, os africanos também consumiam o alimento, adicionando os seus saberes ao preparo. Porém, o feijão como um símbolo nacional acontece mais tarde, durante o Modernismo Brasileiro, na década de 1920. Salada de feijão, Fernanda LopesIngredientes50g de feijão-branco (ou fradinho ou preto) cozido sem caldo; 10 tomates-cereja fatiados; 1 laranja sem casca e sem sementes cortada em cubinhos; 1 cebola roxa picada; 1 maço de rúcula mini (ou outra folha verde); 1 pepino em cubinhos; 1 cebolinha picada; sal e pimenta-do-reino a gosto; 1 colher de sopa de azeite de oliva; 1 colher de sopa de vinagre balsâmico; 2 castanhas-do-brasil.PreparoEm uma tigela, misture o feijão, os tomates, os gomos de laranja, a cebola picada, o pepino e a cebolinha. Tempere com sal, pimenta, azeite de oliva e balsâmico, e cubra com filme-plástico e leve à geladeira por 20 minutos. Antes de servir, misture a rúcula e rale a castanha como se fosse um queijo parmesão – salpique por cima. Rendimento: 2 porções