(Adobe Stock) Se o seu cãozinho está ficando mais rabugento com o avanço da idade, cuidado. Isso não é, necessariamente, um problema de comportamento. A vida longa dos pets é uma dádiva tanto para os animais quanto para os tutores, mas o tempo também pode trazer algumas questões ligadas à senilidade. O Alzheimer canino, doença neurodegenerativa que causa a deterioração cognitiva e da memória, é um dos problemas que pode atingir animais mais velhos. Segundo a médica-veterinária e professora da Pontifícia Universidade Católica da Campinas (PUC) Michele Andrade de Barros, o distúrbio, oficialmente chamado de síndrome da disfunção cognitiva, surge com frequência, mas é pouco diagnosticado pela complexidade. “É uma doença que leva a vários danos oxidativos encefálicos, várias disfunções mitocondriais e a área de maior acometimento é a região mais externa do encéfalo, que a gente chama de tálamo córtex”, explica Michele. Mas, o que isso quer dizer? A médica esclarece que essa região é responsável pela memória, aprendizado e comportamento. Então, os primeiros sinais clínicos da doença a serem observados pelos tutores são, justamente, as alterações comportamentais. “Eles podem não reconhecerem mais o dono e ficarem mais agressivos. Às vezes o tutor fala que o cachorro está velho e mais rabugento, isso já pode ser uma alteração química de um distúrbio cognitivo”. Qualquer alteração comportamental pode ocorrer em um cão considerado senil, o que se dá a partir dos oito anos, a depender do porte do cachorro. Essas mudanças podem acontecer em situações simples. Por exemplo, um cão que sempre cortou as unhas de maneira tranquila, mas começou a avançar contra o tutor recentemente, é um sinal de alerta, porque é uma reação agressiva a uma situação que não envolve dor ao animal. “Ele ainda pode ter uma diminuição do interesse, não só por talvez não reconhecer o dono, mas também perde aquela relação de afetividade. Perde o interesse por brinquedos, troca o dia pela noite”, Além disso, há outros sinais que exigem a atenção dos tutores: o animal pode ficar desorientado, ter convulsões ou ficar mais vocal durante a noite — pode ser uma tentativa de sinalizar a sua inquietação e ansiedade. Aliás, a desorientação é um sinal bem característico da doença. O cachorro começa a andar a esmo, e ao se deparar com um obstáculo, fica “preso”, sem reação. “Pode ser uma parede, uma cadeira, ou qualquer objeto que ele conseguiria dar ré ou desviar. Ele para e fica olhando, estático, nesse mesmo local, porque ele não consegue ter a reação do raciocínio ‘preciso sair daqui’”, explica Michelle. E isso tem outras consequências também, como uma possível dificuldade para encontrar o pote de ração ou para urinar no lugar certo, onde ele já estava acostumado. O que fazer para prevenir? Não tem como prevenir nem curar o Alzheimer canino, mas há como tratar e garantir uma boa qualidade de vida aos pets. “Fisiologicamente há um dano oxidativo nas células neuronais bem importante por várias razões. Então, através da alimentação, por exemplo, a gente pode minimizar isso. Curar a gente não cura, então minimizamos”, afirma a veterinária Michelle. Alguns antioxidantes, como a vitaminas C e E, a carnitina e a ginkgo biloba são algumas das opções que podem ser administradas para melhorar os efeitos da doença. Frutas também podem ser uma alternativa, mas é necessário buscar o acompanhamento de um nutrólogo. “Muitas vezes esses animais já senis têm outras comorbidades associadas, e esse manejo nutricional pode variar com isso”, alerta a médica-veterinária. Há, também, opções de tratamento farmacológico, com remédios prescritos por um profissional habilitado. E é importante também que o tutor, dentro do possível, estimule o cão a trabalhar a memória e o manejo do ambiente. Isso pode ser feito com brinquedos e brincadeiras para estimular o animal a lembrar o que já foi aprendido. “Não dá para brigar ou xingar porque fez xixi fora, por isso ou por aquilo. Não é intencional, existiu uma alteração cognitiva mesmo. Não é um mau comportamento, isso é importante ficar claro”, frisa Michelle. Fique atento aos sinais Vocalização excessiva à noite (uivos, latidos e outros sons) Não reconhecer pessoas e lugares Parecer desorientado, olhando para o nada Se mostrar bem mais ansioso Fazer necessidades em locais inapropriados Ser mais agressivo Esquecer comandos e palavras que seguiu a vida toda Não querer mais brincar