[[legacy_image_152707]] Brunna Martins acaba de dar um importante passo na sua carreira ao interpretar a Bela, da novela Um Lugar ao Sol, uma personagem que vive o drama de ser traída pelo namorado, Felipe (Gabriel Leone), com Rebeca (Andrea Beltrão). Mas até chegar a esse ponto, Brunna percorreu um extenso caminho, que passa, inclusive, pela Baixada Santista. Por possuir família na região, ela morou por dois anos em São Vicente e, no resto da infância e adolescência, cansou de aproveitar as férias nas casas das avós em Santos e São Vicente. A paulistana, de 29 anos, que já tem dois projetos em vista nos streamings, conta na entrevista que foi em Santos onde começou o sonho de ser atriz. Também fala do desafio de gravar uma novela na pandemia, tendo como colega de cena uma de suas referências profissionais. “Quando terminamos de gravar, pedi desculpas pelo meu nervoso. Saí do estúdio segurando a lágrima no canto do olho, entrei no camarim, liguei para minha mãe e desabei”. Descubra de quem Brunna está falando a seguir. O que significa para você o trabalho na novela Um Lugar ao Sol? Foi uma surpresa desde o teste. Fiquei assustada quando fui chamada para participar da seleção do elenco; eu não esperava nem achava que ia conseguir o papel. E quando realmente começamos a trabalhar na novela, ainda nem se falava em covid-19. Mas aí veio a pandemia e nos deparamos com muitos desafios. A princípio, ficamos sem saber se a produção de Um Lugar ao Sol seria interrompida ou não. Por causa da pandemia, quando fomos gravar as cenas, elas acabaram sendo feitas fora da cronologia. Lembro que, ao olhar minha programação, entrei em colapso, porque a primeira cena que ia gravar era com a Andrea Beltrão, que tenho como referência. Me inspirei muito nela. E como foi a cena? Foi algo emocionante e desafiador. Quando terminamos de gravar, pedi desculpas para a Andrea pelo meu nervoso. A minha mão tremia de um modo que parecia que estava tendo um ataque. A Andrea respondeu: “Imagina, menina. Você arrasou”. Saí do estúdio segurando a lágrima no canto do olho, entrei no camarim, liguei para a minha mãe e desabei. Aprendi demais com o trabalho em Um Lugar ao Sol. O meu núcleo na história tem pessoas maravilhosas e generosas. Me senti superacolhida pela equipe inteira. Foi um sonho realizado. Você tem alguma ligação com a Baixada? Sim. Eu sou paulistana, mas meu pai nasceu em Santos. Além disso, minha avó paterna vivia em Santos e a materna tinha apartamento em São Vicente. Quando eu era criança, morei dois anos em São Vicente e ia direto para a casa da minha avó em Santos. Depois, quando voltei para São Paulo, eu passava as férias inteiras na região. Que memórias guarda dessa época? Quando visitava a minha avó em Santos, ela sempre me levava à feirinha hippie da Praia do Boqueirão. A moça de uma barraca fazia vestidos com estampa de frutas e, toda vez, a minha avó me comprava um. Sentia a maior alegria do mundo! Acho que tive vestidos de todas as frutas (risos). A decisão de ser atriz envolve Santos? Existe uma relação, sim. Quando era criança, eu e duas primas criávamos pecinhas para apresentar na casa da avó de Santos no Natal. Foi assim que tudo começou. Mais tarde, por volta dos 8 anos, fiz o meu primeiro espetáculo na escola e me apaixonei. No período, eu também assistia à novela Chiquititas e dizia para a minha mãe que queria ser igual às meninas do elenco. Quando almejo algo, fico obcecada com aquilo... Com um pouco mais de idade, fui convidada para integrar o grupo de teatro do colégio e, aos 14 anos, me profissionalizei. Nessa época, tive uma conversa com meus pais e disse: “Vou ser atriz e quero começar cedo”. Qual foi a reação deles? Falaram que eu deveria fazer um curso técnico, para só depois pensar em trabalhar na área. Frequentei as aulas de teatro em paralelo ao Ensino Médio. Saía da escola às 12h45 e tinha que atravessar São Paulo para estar no curso técnico às 14 horas – sendo que ele durava até as 18h30. Foi assim por três anos. A oportunidade de trabalhar na área aconteceu por acaso. Enquanto fazia as aulas de teatro, fui chamada por uma produtora de elenco para um teste e acabei rodando o filme Desenrola (lançado em 2011). Como foi na hora de ir para a faculdade? Com 17 anos, entrei no curso de Artes do Corpo da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, mas, como estava meio confusa e queria dar uma pausa na interpretação, resolvi mudar para Relações Públicas. Até porque meus pais falavam para ter um plano B, já que, infelizmente, o universo artístico é muito incerto. Só que, um tempo depois, retomei a carreira de atriz e deixei a faculdade. Passei pelas mais variadas funções no teatro, até estrear no audiovisual. Digo que o meu pai fez a melhor coisa para mim. Em 2013, ele me desafiou: “Dou seis meses para você conseguir um emprego na área, senão terá de retornar para a faculdade de Relações Públicas”. Corri atrás. Fui aprovada no primeiro teste que fiz para uma publicidade e entrei no processo seletivo para o remake de Chiquititas. Em janeiro de 2014, quando se encerrava o prazo dado pelo meu pai, soube que consegui o papel de Renata, antagonista da Mili. Liguei chorando para o meu pai. Aí, não parei mais de trabalhar: participei da série Rua Augusta, do TNT; e fiz a terceira temporada de Psi e as duas temporadas de Hard, seriados do HBO. Em Hard, tive a cara de pau que normalmente não tenho e pedi para fazer o teste para uma personagem. O meu primeiro trabalho na Globo foi uma série do Fantástico, chamada Não Se Apega, Não.