[[legacy_image_276887]] O Brasil chega cada vez mais perto do que todo gamer e profissional da área sonha. Ou seja, está deixando de se destacar apenas como um mercado consumidor (o décimo maior do mundo em termos gerais e o quinto quando se fala especificamente de jogos para celulares e tablets) e também começa a chamar muita atenção por seu potencial para o desenvolvimento de games. Diretora responsável pelos assuntos internacionais da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Games (Abragames), Eliana Russi mostra, na entrevista a seguir, como andam os investimentos das empresas e plataformas globais por aqui, fala da homenagem que o Brasil vai receber em agosto na Gamescom, maior feira mundial do segmento, e elenca as cidades e os estados mais promissores no desenvolvimento de jogos - aliás, há um exemplo de sucesso em Santos. O que vale destacar no momento atual da indústria de games?Por ser muito ligada à inovação, ela vive em constante transformação. Inclusive no que diz respeito aos modelos de negócios, à forma como os investimentos são feitos e a como os jogos são distribuídos (em mídias físicas, lojas virtuais, por streaming...). Hoje, existe uma demanda cada vez maior das grandes plataformas (consoles como PlayStation e Xbox, serviços de streaming, celulares e tablets, publicadoras e produtoras badaladas de games) por empresas independentes. Como não dá para apenas terem um blockbuster por ano, elas buscam pequenos estúdios para manterem os seus catálogos constantemente reforçados. Qual é a prioridade de investimento hoje em dia?Enquanto aqui no Brasil os investidores preferem apostar nos jogos que são mais seguros, em países como os Estados Unidos e Canadá a mentalidade é diferente. Esses mercados mais arrojados costumam investir em projetos que necessariamente não são 100% garantidos, mas que mostram potencial ou são inovadores. Por isso, a Abragames, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), procura estimular e apoiar a presença de estúdios aqui do País em grandes feiras internacionais de negócios de videogame, que são onde o dinheiro está. Entre elas, vale destacar a Game Developers Conference (GDC), nos EUA. E que cidades ou estados brasileiros têm despontado no mercado de games?São Paulo lidera, mas há empresas e estúdios de jogos espalhados por todo o País. Existem polos bem importantes no Rio Grande do Sul e em Pernambuco. Sem falar de um case maravilhoso em Aracaju (Sergipe), de empresa que já se internacionalizou. O que se procura incentivar é que startups e estúdios já nasçam pensando em games para o mercado global, que movimenta em torno de US\$ 200 bilhões. Há negócios promissores na Baixada Santista?Sim. O MKT Virtual, estúdio da Ludmilla Rossi em Santos, ganhou prêmio por um jogo educativo que desenvolveu: o AlphaBeatCancer, que mostra para a criança com câncer os processos pelos quais ela vai passar. Com isso, o game propicia o diálogo entre pais e filhos sobre a doença e o tratamento. O MKT Virtual ainda se tornou um hub bacana de inovação em Santos, que funciona como um guarda-chuva para outras startups. Existia uma ideia de que, no Brasil, o desenvolvedor de jogos acabaria trabalhando basicamente com games mobile. Isso se mantém?Não, o Brasil tem feito de tudo. A Abragames, por exemplo, apoia o Big Festival, que acontece em São Paulo e, além de ser o maior evento de videogame da América Latina, se tornou um hub de negócios. As grandes produtoras internacionais têm participado do Big, pois vivem em busca de novas ideias e de projetos que possuam um frescor. Elas, inclusive, chegam a contar com programas de aceleração e investem em estúdios pequenos. De três anos para cá, o Brasil deixou de ser considerado pela indústria só um bom mercado consumidor – o décimo maior do planeta em termos gerais e o quinto quando se fala especificamente de mobile. E passou a também ser valorizado como um local com talentos e potencial para a produção de jogos. Impressiona como empresas de fora do País, principalmente do Canadá, Bélgica, França e Finlândia, fazem prospecção de profissionais por aqui, chegando ao ponto de haver a facilitação do visto para que essas pessoas acabem indo trabalhar lá fora. Que bom que tudo isso está acontecendo. A Ucrânia, com a guerra, deixou de ser um grande hub de desenvolvimento de games, assim como a Polônia. Isso favoreceu o Brasil e a América Latina. Para você ter ideia, o nosso País será homenageado na edição deste ano da Gamescom, maior feira de videogame do mundo, que acontece na Alemanha. Nós estamos organizando uma delegação para participar do evento no mês de agosto e isso, com certeza, vai abrir oportunidades de negócios para o nosso mercado.