[[legacy_image_342784]] O aumento dos indicadores casos é galopante e a projeção do Painel de Arboviroses, do Ministério da Saúde, é de que o País registre 4,2 milhões de casos de dengue neste ano, o que seria um recorde nacional. A fase é de redobrar os cuidados para eliminar os focos do Aedes aegypti, responsável pela transmissão dessa e de outras doenças, como zika e chikungunya. Para quem está com sintomas, a orientação é nunca se automedicar, o que pode, inclusive, agravar a situação. Entre os sintomas estão febre alta, manchas vermelhas na pele com ou sem coceira, dor articular, no corpo e atrás dos olhos. O quadro de dengue mal conduzido ainda pode provocar hemorragia e desidratação grave. Às vezes, a situação se complica após uma falsa sensação de melhora e pode evoluir para problemas no fígado, neurológicos, meningite, sangramento intracraniano e confusão mental, decorrente da desidratação. O diagnóstico precoce permite fazer o tratamento adequado e observar qualquer alteração que possa exigir intervenção e cuidados médicos, alerta o médico Leandro Schimmelpfeng. TestesSegundo o especialista, entre os testes laboratoriais que podem ser necessários, além dos de sangue para avaliar as plaquetas e glóbulos vermelhos, destaque para a avaliação do fígado com exames de imagens. “Muitos medicamentos são contraindicados para o tratamento desta doença devido ao risco de aumentar o sangramento e reduzir as plaquetas, que já são afetadas pela dengue. Mesmo que o paciente use medicamentos indicados, que não vão piorar o quadro, ele como saber qual a dose adequada e o excesso de medicação pode piora, principalmente, o fígado. Sonolência e letargia também são sinais de alerta para a procura de atendimento médico. Dependendo da gravidade do caso, o paciente pode ser encaminhado ao hospital”. A enfermeira e professora do Instituto de Educação Médica (Idomed), Sandra Bonilha, explica que, geralmente, a primeira manifestação da doença é a febre. “Em geral acima de 38°C, de início abrupto, e com duração de dois a sete dias. O paciente também pode apresentar dor de cabeça, fraqueza, dores musculares, dor nas articulações e dor retro-orbitária (ao redor dos olhos). Perda de apetite, náuseas, vômitos e diarreia também podem ser sinais de dengue”, explica. A farmacêutica Kátia Tichota ressalta que alguns anti-inflamatórios não esteroides, podem agravar a doença e agravar eventuais sangramentos. E reforça a questão da automedicação, que apresenta sérios riscos à saúde e, em caso de dengue, não é diferente. “Os sintomas podem ser mascarados pelos medicamentos, dificultando o diagnóstico preciso e podendo até levar à óbito”, explica a farmacêutica. “A automedicação na dengue pode ter consequências fatais. A subestimação da gravidade da doença e o uso inadequado de medicamentos podem levar ao choque hemorrágico, que pode matar”. AutomedicaçãoDiante da suspeita, o correto é procurar atendimento médico imediatamente. A orientação é não se automedicar e relatar ao profissional de saúde todos os sintomas e detalhes do quadro. Exames laboratoriais específicos podem confirmar a presença do vírus da dengue e auxiliar no diagnóstico, que pode ser confundido com outras doenças. De acordo com Sandra Bonilha, uma das medidas eficazes na dengue é aumentar a ingestão de água. No entanto, a melhor forma de prevenção é evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, eliminando os prováveis criadouros como pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção e a presença de recipientes pequenos, como tampas de garrafa. A recomendação do Ministério da Saúde é que a população faça uma inspeção semanal em casa. O Ministério da Saúde divulgou recentemente os resultados do 3º Levantamento Rápido de Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) e do Levantamento de Índice Amostral (LIA) de 2023. Os números indicaram que 74,8% dos criadouros do mosquito da dengue estão nas casas e apartamentos em vasos e pratos de plantas, garrafas retornáveis, pingadeira, recipientes de degelo em geladeiras, bebedouros em geral, pequenas fontes ornamentais e materiais em depósitos de construção (sanitários estocados, canos etc.). O levantamento apontou, ainda, que depósitos de armazenamento de água elevados (caixas d’água, tambores, depósitos de alvenaria) e no nível do solo (tonel, tambor, barril, cisternas, poço/cacimba) aparecem como segundo maior foco de procriação dos vetores, com 22%, enquanto depósitos de pneus e lixo têm 3,2%. “Além de manter caixas, tonéis e barris de água bem tampados, é importante colocar o lixo em sacos plásticos e manter a lixeira sempre bem fechada. Não jogue lixo em terrenos baldios, guarde garrafas de vidro ou plástico sempre com a boca para baixo, deixe ralos limpos e com aplicação de tela, limpe semanalmente pratos de vasos de plantas com areia e escova os potes de água para animais”, alerta Sandra Bonilha.