[[legacy_image_268579]] O título desta entrevista não é apenas o nome do livro que Dani Valente acaba de lançar, pela Maquinaria Editorial, com o subtítulo Como a Conquista de um Intestino Saudável Me Ajudou a Superar uma Doença Crônica. Também é como a atriz de 46 anos se sentiu quando conseguiu reverter o severo quadro de fibromialgia, enfermidade diagnosticada em 2016, quando já morava nos Estados Unidos, e que fez com que achasse que não resistiria por muito tempo, principalmente por causa de sintomas como fortes dores constantes e cansaço excessivo, a ponto de ter ficado três meses sem quase sair da cama. Como parte do seu processo de melhora, Dani se formou nutricionista holística – a princípio para se tratar e, depois, começou a ajudar pessoas a ampliar sua qualidade de vida pela alimentação. Ainda se tornou a responsável em Los Angeles, nos EUA, pela realização de testes de epigenética (campo da Ciência que pesquisa como os estímulos ambientais podem ativar ou desativar genes). Tudo isso junto à carreira de roteirista. Ela assina o texto, por exemplo, da série Desjuntados, do Amazon Prime Video, e seu mais novo filme, De Repente, Miss!, estrelado por Fabiana Karla, tem estreia prevista para o segundo semestre. No bate-papo a seguir, Dani Valente conta ainda se pretende voltar a atuar. Qual é o seu maior objetivo com o livro A Pessoa Mais Feliz do Mundo?Quando eu fui diagnosticada com fibromialgia em 2016, passei por vários tratamentos e experimentei todos os remédios prescritos pelo médico, mas tive reação a eles e precisei buscar terapias alternativas. Foi assim que conheci a nutrição holística e entendi o poder dos alimentos tanto para o bem quanto para o mal. Conforme ia estudando essa área cada vez mais, pensava: “Se eu soubesse disso nos meus 20 e poucos anos, não teria ficado tão doente”. Aprendi que, ao fazer mudanças na alimentação, no seu estilo de vida, no seu comportamento em geral e nas pequenas escolhas do dia a dia, você consegue melhorar a sua qualidade de vida de uma maneira incrível! Mesmo quando não está doente! A minha motivação para escrever o livro foi compartilhar essas informações com as pessoas e ajudá-las a viver ainda melhor. Por exemplo, glúten, carne vermelha e açúcar em excesso são altamente inflamatórios. Não gerenciar o estresse e só agir quando se depara com uma estafa ou depressão também não é o ideal. Manter o contato com a natureza e a escolha de valorizar as pequenas coisas da vida são atitudes que fazem a diferença no nosso bem-estar. Foi uma baita revisão de vida. Sim. Eu era uma atriz que vivia para o trabalho. Eu me colocava em segundo plano, fazia o mesmo com minha família e tinha mania de perfeccionismo. Pensava: “Sou muito responsável e profissional, preciso ser a melhor em tudo”. Se não dava tempo de comer direito, me satisfazia com um hambúrguer e batatas fritas. Preferia macarrão com quatro queijos em vez de uma salada com um peito de frango. Mas para que adianta você ter três empregos se não dispõe de saúde para poder usufruir desses três salários? E como foi receber o diagnóstico de que tem fibromialgia? Descobri a doença em 2016, mas, na realidade, já me sentia mal há anos. Imaginava que era pela sobrecarga de trabalho. Percebi que o buraco era mais embaixo quando fiquei três meses de cama e apenas levantava para comer ou ir ao banheiro. Achava que não ia passar daquele ano, porque não tinha forças, me sentia exausta. Era como se eu estivesse acordando de uma anestesia geral, quando você fica consciente e ouve as pessoas, porém o seu corpo não responde. Além disso, chegou um ponto em que a dor não incomodava mais, pois não lembrava mais como era viver sem ela. Com o acompanhamento de uma nutricionista holística, modifiquei a minha alimentação totalmente e também comecei a tomar suplementos naturais. Fui melhorando aos poucos até que, depois de alguns meses, acordei um dia e estava bem, confortável no meu corpo. Nessa hora, me senti a pessoa mais feliz do mundo. Daí o nome do meu livro. Você acabou, inclusive, se formando nutricionista holística e, hoje em dia, atua na área. Tem procurado conciliar esse trabalho com o de roteirista? Olha, eu não pensava em me tornar nutricionista holística. Somente fui estudar esse universo com o objetivo de adquirir o máximo de conhecimento para me salvar. Com o tempo, passei a ajudar algumas amigas e seus familiares, e isso foi tomando proporção. Como parte do processo, quando busquei a empresa dos Estados Unidos onde realizei o meu teste de epigenética (campo da Ciência que pesquisa como os estímulos ambientais podem ativar ou desativar genes) justamente para poder refazer a minha avaliação, descobri que esse lugar não estava mais aberto e me tornei responsável pela execução dos testes em Los Angeles. As coisas foram acontecendo, sabe? Hoje, estou meio dividida entre os atendimentos, os testes e os roteiros que escrevo. Ainda sou mãe e cuido da casa junto com o meu marido. Aprendi que, como sou workaholic, não posso cair nessa pegadinha e, às vezes, me permito diminuir o ritmo e escolher com quem vou trabalhar. Sente falta de atuar? Em 2015, quando me mudei para os Estados Unidos – uma vontade do meu marido desde que nos conhecemos em 2008 –, eu tinha contrato com a Globo e o Multishow. Ou seja, a minha carreira de atriz estava ótima. Partiu de mim a decisão de não continuar atuando. Tanto que, nos EUA, nunca tentei ser atriz. Já fui direto estudar roteiro na UCLA, em Los Angeles. Eu tinha uma experiência prévia como roteirista: fui eu quem criou a Efigênia, minha personagem do quadro que fazia no Zorra Total, escrevi textos para programa da Xuxa e alguns episódios do Vai Que Cola. Não me importo com o que pensam de mim, não tento cumprir as expectativas de ninguém, apenas as minhas. Fui obrigada a aprender isso. A fibromialgia se mostrou uma professora maravilhosa. Às vezes, só aprendemos algo quando levamos esses golpes da vida.Exatamente. Quando era pequena, a minha filha (hoje com 12 anos) tinha uma mãe que não brincava com ela e que vivia na cama. Isso parte o meu coração. Hoje, ela joga vôlei e fico na torcida, mesmo que depois me sinta péssima devido aos estímulos além da conta. Participo do que posso. Preciso tomar os cuidados necessários para seguir nos eixos e a fibromialgia não voltar a atacar, pois se trata de uma doença crônica.