[[legacy_image_172748]] Jayme Matarazzo ingressou na carreira artística por meio da música, participando de uma banda durante a adolescência. Logo depois, cursou a maior parte da faculdade de Cinema decidido a ficar atrás das câmeras. Mas a chance de trabalhar como assistente de direção do pai, Jayme Monjardim, na minissérie sobre a avó, a cantora Maysa, despertou o seu lado ator – em Maysa: Quando Fala o Coração, o carioca interpretou o pai mais jovem. Jayme, então, fez diversos personagens na TV e no cinema. Até que, em 2018, resolveu tirar um tempo para descansar, curtir a mulher, a empresária Luiza Tellechea, e ter o primeiro filho, Antonio, que completou 1 ano em fevereiro de 2022. E como veio a pandemia, o ator ainda decidiu passar o isolamento social morando no campo com a família. Depois desse intervalo de quatro anos, Jayme retornou à telinha como o padre Tenório da trama global das seis, Além da Ilusão. Na história, o padre encara um baita dilema por se apaixonar pela amiga Olívia (Debora Ozório). Mais maduro, forte e louco por um desafio, Jayme está pronto para se experimentar como roteirista, diretor e produtor nos projetos que prepara para 2023. Na entrevista a seguir, o ator, que tem 36 anos, entre outros assuntos, fala da sua religiosidade e da vontade de voltar a investir na música. É um desafio interpretar o padre de Além da Ilusão? O Tenório é um personagem desafiador e empolgante. Ele tem um propósito de vida muito claro, que é fazer o bem, e se mostra um padre bem antenado, que visualiza um futuro mais democrático. Mas se vê diante de um dilema: da admiração que sente pela Olívia (Debora Ozório) nasce uma grande amizade, que se torna uma paixão. O Tenório está confuso com isso, abalado, pois o amor nunca chegou tão próximo do seu coração. Acho que essa novela mora dentro de mim há muito tempo, sabe? Ela lutou para resistir à pandemia – continuamos com os protocolos sanitários – e superou diversas mudanças: de direção, de data... Esse projeto ainda marca o meu retorno à TV, depois de um período tão especial na minha vida, em que passei por uma evolução pessoal bem grande, fui pai e estou com uma família linda. Você é uma pessoa religiosa?Tenho uma religiosidade muito forte. Fui criado e batizado no catolicismo, o meu filho acabou de ser batizado na igreja, mas sou completamente curioso pelas formas mais diversas de enxergar nossa existência. Levo a vida com um pouco de várias religiões. Planejava esses quatro anos de pausa nas novelas?A última que fiz foi Tempo de Amar (2018). Naquela época, eu vinha de uma pegada muito forte na tevê, em que emendei vários trabalhos. Até porque sou um cara que ama desafios. Quando eles batem à porta, costumo abraçá-los. Mas realmente estava precisando de um descanso. O que aconteceu foi que esse intervalo durou mais do que imaginava, já que teve a pandemia no caminho. Pude olhar um pouco mais a minha vida e assumir prioridades diferentes. Consegui ficar mais com a família e acho que eu e a minha esposa (Luiza Tellechea) tivemos muito êxito no nosso plano de ter um filho. Também houve o seguinte: quando tiramos um tempo para nós mesmos, acabamos criando novos projetos e investimos mais nas nossas habilidades. Acredito que fiz isso bem. Vivi coisas legais demais, desde descansar e viajar até mudar para o campo durante o isolamento social. Essa conexão com a natureza foi fundamental para manter o equilíbrio da cabeça. Hoje, me sinto mais forte, no geral. Criou, por acaso, projetos para depois da novela?Estou com alguns trabalhos engatilhados para o ano que vem. O que tornou tudo isso possível foi justamente esse intervalo. O que posso dizer, por enquanto, é que esse período serviu para aflorar bastante o Jayme que escreve, empreende, inventa, conecta, dirige, produz. O surgimento de tantos streamings e possibilidades de comunicação fez todos nós, artistas, nos mexermos para nos reinventarmos. No início da carreira, você não cursou Cinema?Sim, mas não concluí a faculdade por questão de um ano, pois foi bem no momento em que tranquei o curso para participar da minissérie Maysa: Quando Fala o Coração (2009). Fiz parte do desenvolvimento do conceito do projeto, como assistente de direção do meu pai (Jayme Monjardim). Pretendia ficar totalmente atrás das câmeras, só que, no meio do processo, nasceu a minha história de ator. Sempre tive esse pé nos bastidores e a vontade de não apenas atuar, como escrever, dirigir e produzir. Tenho a criatividade como maior amiga na profissão. Você já participou, inclusive, de banda. Também sente vontade de retomar isso? Muito! Sempre fui apaixonado por música. Estou devendo um espaço para ela dentro do meu coração e da minha arte. Faz parte dos meus planos deixar um legado mais especial nesse sentido. Acho que cantar e usar da música como artifício tem sido fundamental desde a gravidez até os primeiros momentos da formação do meu filho, e me fez entender mais ainda o valor da música na nossa vida. Por ter na família pessoas consagradas no meio artístico – seu pai e sua avó –, isso foi uma questão até conquistar o seu próprio espaço no mercado?Procurei não me apegar a isso. Foquei em me dedicar ao trabalho de uma maneira genuína, para conseguir com as oportunidades que apareceram mostrar o meu talento. Simplesmente priorizei o que era importante: a minha evolução, o meu crescimento. Vale muito a pena concentrar a energia nos propósitos certos, porque a tendência é obter resultado bom.