[[legacy_image_185013]] Ser ator realmente não estava nos planos de Gabriel Muglia. O que ele queria, a princípio, era se dedicar à paixão que nutre desde a infância pelo cinema. Por isso, tornou-se diretor. Só que, por não gostar do resultado do seu trabalho, devido a uma dificuldade para orientar os atores no set, foi estudar teatro e acabou se apaixonando pela arte da interpretação de um modo que resolveu focar na carreira de ator. A partir daí, construiu uma trajetória cada vez mais bem-sucedida, que inclui várias peças, a badalada novela do SBT Carinha de Anjo e as séries Assédio e Desalma, do Globoplay. “Na primeira temporada de Desalma, rodamos as cenas do Sul, para depois gravarmos o que faltava nos Estúdios Globo, no Rio. Na segunda temporada, ainda mais por causa da pandemia, fizemos o inverso: gravamos no Rio antes de irmos para o Sul”, comenta sobre o seriado, que tem sua terceira temporada confirmada. Na entrevista a seguir, entre outros assuntos, o santista de 32 anos fala do seu novo filme, Entre Raiz e Asas, que estreou fora do País na última terça-feira, no New York Independent Film Festival. Também conta como é voltar a trabalhar como diretor. “Já passei do período da dúvida, de ficar me perguntando se devia escolher o caminho da atuação ou direção. Hoje, sei que quero fazer as duas coisas, encontrando os momentos adequados para cada uma delas”, afirma Gabriel, acrescentando: “Tenho gostado bastante de implodir dentro de mim a hierarquia das funções”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O que representa para você o trabalho na série Desalma? Ela é uma série de muita qualidade, que nasce no momento em que o Globoplay investe em produções exclusivas para competir com os outros streamings. A segunda temporada de Desalma estreou recentemente e se mantém há algumas semanas no top 3 da plataforma. A série tem um gênero específico: o do drama sobrenatural. Mas a questão da bruxaria na comunidade de ucranianos do Sul do Brasil, onde a história se passa, no fundo serve para trazer à tona dramas humanos profundos dos personagens. Haverá uma terceira temporada? Sim. A Ana Paula Maia (autora) já está trabalhando nos episódios, só que nós não temos data certa para começar a gravar. Rodamos a primeira temporada em 2019, quando ainda não havia a covid-19. Mas, com a chegada da pandemia, a estreia da série foi adiada para outubro de 2020. Também houve o seguinte: quando nos preparávamos para gravar a segunda temporada, teve início a pandemia e interrompemos tudo. Foi um processo angustiante, pois não sabíamos se conseguiríamos fazer os episódios. Aí, conforme o período mais crítico passou, entramos no set obedecendo vários protocolos. Demoramos um pouco mais para finalizar as filmagens da segunda temporada. Elas aconteceram de janeiro a julho de 2021. Se existe algo positivo nisso é que a situação nos uniu mais. O que o motiva no seu personagem na série? O Pavlo lida bem com a solidão. Ele gosta da própria companhia. Aprendi com ele a ficar mais à vontade comigo mesmo. O Pavlo não conheceu a mãe e o pai. Foi criado pela Haia (Cássia Kis), que é a bruxa da cidade. Quando ele começa a entender que bruxaria existe e a mãe ressurge, ele se desestabiliza. Como se interessou por atuar? Desde pequeno, sou fissurado por cinema. Eu gravava os filmes em VHS e os reassistia. Por isso, decidi que queria ser diretor de cinema e, aos 16 anos, tive a chance de participar das Oficinas Querô, em Santos – projeto social que não só capacitou como colocou bastante gente no mercado audiovisual. Devido a essa experiência, fiz alguns curtas e me inscrevi, inclusive, no Curta Santos. Só que, enquanto diretor, sentia dificuldade para conversar com os atores, não sabia exatamente como orientá-los. Um amigo, então, sugeriu que estudasse teatro para entender como funciona a cabeça do ator. Eu me inscrevi no Célia Helena Centro de Artes e Educação, de São Paulo, e fiz o bacharelado em Teatro. Mesmo eu dizendo que não queria ser ator, um professor insistiu para que trabalhasse na peça Odisseia; foi aí que me apaixonei pela interpretação. E deixou a direção de lado? Exatamente. Fiquei anos fazendo somente teatro e, como a vida de ator não é nada fácil, também passei a produzir e escrever roteiros para conseguir me bancar. Com o tempo, em paralelo ao teatro, atuei em filmes e fiz a novela Carinha de Anjo, do SBT. Aí, fui chamado para o teste da série Assédio (sobre o médico Roger Abdelmassih, condenado por estuprar pacientes). Esse foi o meu primeiro trabalho no Globoplay e abriu portas para Desalma. Em 2018, no intervalo entre as gravações de Assédio e da primeira temporada de Desalma, o meu amigo Wlado Herzog, que também é de Santos, me convidou para voltar a trabalhar como diretor. Além de dirigir, escrevi e coproduzi com ele o filme Entre Raiz e Asas, que teve sua estreia internacional na última terça-feira no New York Independent Film Festival e que acabou de ser selecionado para o Los Angeles Latinx Film Festival. Qual é a sua vontade agora? Estou com algumas ideias na cabeça de projetos para realizar como diretor, sem abandonar a carreira de ator. Tenho gostado bastante de implodir dentro de mim a hierarquia das funções. Tem projetos engatilhados? Fiz a série Olhar Indiscreto, que estreia na Netflix em setembro. E tenho vontade de rodar algo em Santos. Acho que posso criar muitas coisas na Cidade. Estou arquitetando isso na minha cabeça.