[[legacy_image_253055]] Jacqueline Sato deu os primeiros passos profissionais cedo, apresentando o Sessão Super Heróis, na extinta TV Manchete, quando tinha 12 anos. Com o tempo, começou a estudar Artes Cênicas e construiu uma carreira multifacetada, com papéis em filmes, seriados e novelas como Além do Horizonte (2013/2014) e Sol Nascente (2016/2017), ambas na Globo. Sem falar que, em paralelo, continuou apresentando programas e dublou desenhos e animes. Recentemente, a paulista de 34 anos resolveu se aventurar como produtora e roteirista, erguendo projetos focados na cultura asiática e nos descendentes que moram no Brasil. Seu primeiro trabalho do tipo é o Mulheres Asiáticas, programa com estreia prevista para o segundo semestre no canal E! Como atriz, poderá ser vista logo mais em A História Delas, série do streaming Star+ protagonizada por Leticia Spiller. Na entrevista, Jacqueline fala ainda da atuação como embaixadora do Greenpeace e da House of Cats, associação de proteção animal que fundou com a sua família. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Você está produzindo o programa Mulheres Asiáticas para o canal E! Esse projeto é uma criação sua?Sim. Além de ser atriz, me formei em Rádio e TV, mas nunca tinha atuado nessa área até então. Achei que estava na hora, porque sempre senti falta de ver mais asiáticos ocupando espaços de destaque na mídia. Como atriz, vivi isso na pele. Por mais que eu tenha me preparado e feito bons trabalhos, ainda faltam oportunidades para pessoas como eu. Muitos descendentes sabem que tem gente que continua nos vendo como estrangeiros, como não brasileiros. É difícil, por exemplo, encontrar tramas que incorporem os asiáticos e descendentes naturalmente. Em geral, aparecemos associados à nossa ancestralidade ou de forma estereotipada, o que incomoda. Me dei ainda mais conta da falta que a representatividade faz quando ministrei minha palestra do TEDx, agora na pandemia, sobre o tema. O programa Mulheres Asiáticas tem o intuito de revelar a diversidade que existe dentro da diversidade, mostrando por meio de mulheres asiáticas reais o quanto todas nós somos diferentes umas das outras e o quanto isso é rico. Não pretendo parar por aí. Estou trabalhando em histórias de ficção que coloquem os descendentes de asiáticos em papéis mais complexos e profundos, e que façam eu e os demais se sentirem verdadeiramente representados. Em que pé está o programa?As gravações acontecem neste semestre e o lançamento está previsto para o próximo semestre. Também sou roteirista e apresentadora do programa. Quem dirige é a Tizuka Yamasaki, o que considero uma honra, um privilégio. Ela é pioneira, a primeira nipo-brasileira a conquistar o seu espaço no cinema nacional, mostrando, inclusive, essa parte da população. O filme dela Gaijin - Os Caminhos da Liberdade (1980) é um divisor de águas nesse sentido. Em paralelo, você atua como embaixadora do Greenpeace. Sempre foi engajada em causas ambientais?Desde bem jovem, eu sou ligada à natureza. Até contribuía mensalmente com o Greenpeace. E nas minhas redes sociais, antes mesmo de me tornar embaixadora – o que ocorreu em 2021 –, já divulgava as ações da entidade, por admirar seu trabalho. Junto a isso, fui adotando hábitos cada vez mais sustentáveis no meu dia a dia. Procurei assumir posturas e comportamentos de quem realmente é amigo do meio ambiente. Para ter ideia, parei de comer carne vermelha em 2013, muito porque descobri o quanto essa indústria polui e está ligada ao desmatamento. Também modifiquei a maneira como consumo roupas, pois a indústria da moda é uma das que mais poluem o planeta. Hoje, procuro comprar peças que sejam atemporais, que eu possa utilizar várias vezes por muitos anos e estações. Ainda pesquiso quais marcas fabricam roupas de forma ética e, se possível, sustentável, com tecidos naturais ou reciclados. Acredito que só teremos um futuro se houver mais empresas assim e mais gente que use seu poder de consumo para transformar essa realidade. Como embaixadora do Greenpeace, além de divulgar a entidade, procuro mostrar para as pessoas que dá para alterarem seus hábitos e afetarem menos o meio ambiente. Teve alguma experiência marcante com o Greenpeace?No ano passado, ele me levou para conhecer a Amazônia, algo que foi emblemático para mim e que sempre sonhei. Visitei a reserva de desenvolvimento sustentável do Tumbira, no coração da floresta. Antigamente, essa comunidade era de extrativistas, reunia gente que trabalhava para madeireiros, mas, a partir de ação conjunta com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), aquelas pessoas se tornaram protetoras da floresta e entenderam que ela tem muito mais valor quando está de pé. Hoje, essa comunidade trabalha só de maneira sustentável, principalmente com o turismo. Quem vai lá pode curtir a pousada e o restaurante local, conhecer o estilo de vida e a cultura daquele povo e, assim, contribuir para a sua manutenção. A ideia é que passem a existir mais comunidades do tipo na Amazônia. Você ainda tem uma associação de proteção animal, não é mesmo?É verdade, a House of Cats. Tudo começou quando eu tinha 9 anos e, ao voltar da escola, encontrei filhotes de gato abandonados na rua e resolvi levá-los para casa. Meus pais falaram que, além de acolhê-los, iríamos arrumar pessoas para adotá-los. Ao longo da minha vida, toda vez que algo parecido acontecia, eu tinha a mesma atitude de levar os gatos para casa e arranjar tutores responsáveis para eles. Isso foi tomando uma proporção cada vez maior, e eu e minha família nos tornamos referências na região onde moramos em Alphaville, de modo que as pessoas começaram a ligar para que ajudássemos com os gatos abandonados que achavam. Em 2016, por causa da visibilidade que tive com o meu trabalho na novela Sol Nascente, da Globo, a gente criou a House of Cats, com direito a perfis no Instagram e no Facebook para divulgar gatos abandonados e encontrar interessados em adotá-los. Já conseguimos lares para mais de 2 mil pets. Temos adotantes, inclusive, em Santos.