[[legacy_image_263581]] O voo, no Aeroporto Internacional de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, estava marcado para as 5 horas. O grupo de oito jornalistas, que cobria a viagem pelo Oriente Médio a bordo do navio Costa Toscana, havia acabado de deixar a embarcação e seguiria de avião para Doha, capital do Catar. A viagem foi rápida. Chegamos em Doha por volta das 7 horas. E teríamos o dia inteiro para conhecer a cidade, que, há poucos meses, recebeu a maior parte das delegações na Copa do Mundo de futebol. Agendamos uma excursão para o início da tarde. Seriam poucas horas para descansar e conhecer a capital. A primeira visita foi logo à atração que mais chama a atenção na cidade: o Museu Nacional do Catar, uma obra imponente, inspirada nas formas do cristal rosa do deserto, muito encontrado no país. O local abriga exposições permanentes e itinerantes, e reproduz uma antiga cidade do deserto do Catar. Na área externa, uma tenda foi montada, com tapetes, cortinas e colchonetes em palha. Uma moradia comum entre os nômades, porque era facilmente desmontada e transportada por camelos. O Museu Nacional do Catar foi aberto ao público em 2019 e fez parte do pacote de obras realizadas para receber os milhares de turistas na Copa. Andando pelas ruas de Doha, é fácil perceber que a maior parte das construções é muito recente. Parece até que estamos em cenários de cinema. Essa sensação aumentou quando visitamos o Katara Cultural Village, um imenso complexo de cultura e entretenimento árabe. Uma vila que abriga salas de concertos, galeria e restaurantes, e fica bem perto da orla. O Katara é um dos lugares mais visitados no país. Logo na entrada, a Mesquita Islâmica fica aberta para os visitantes, mas só os homens podem passar pela entrada principal. As mulheres precisam se cobrir e acessar a mesquita pelas entradas laterais. A arquitetura do Katara mistura características islâmicas com modelos europeus modernos. De frente para a orla, o complexo conta com um anfiteatro aberto, em estilo grego clássico, com influências islâmicas. Ainda há espaços para saborear comida de rua e uma unidade da famosa Galeries Lafayette, principal loja de departamentos da França. Entre as construções recentes de Doha está o Villaggio Mall, shopping que imita a cidade italiana de Veneza, com canais e prédios coloridos. Lá, também funcionam cafés e restaurantes, e se tem a visão de um dos prédios mais conhecidos de Doha: o edifício em forma de espada que abriga o hotel mais luxuoso da cidade. Além dessa edificação, a orla de Doha tem dezenas de arranha-céus com arquitetura futurista e fachadas de vidro. As ruas ainda contam com símbolos da Copa, disputada em novembro e dezembro. Os barcos de madeira também fazem parte da vista e lembram o tempo em que a capital era uma vila de pescadores. No final do passeio, pedimos para o motorista nos deixar no Souq Waqif, um enorme mercado árabe. Nele, conseguimos observar um pouco da tradição do país. Chegamos no início da noite e o local já estava com muita gente. Os homens árabes vestiam túnicas brancas e as mulheres usavam sempre preto. Várias tinham os rostos cobertos. Em meio a eles, encontramos turistas do ocidente, vestidos com roupas curtas, como estamos acostumados a ver no Brasil. O Souq Waqif possui centenas de lojas, que vendem roupas tradicionais, especiarias e artesanatos. Dentro dele, ainda há um mercado de aves. Eram vários pássaros, amontoados em pequenas gaiolas. Jantamos no espaço reservado para os restaurantes. Pagamos aproximadamente R\$ 40,00 por pessoa e fomos servidos com oito pratos típicos. Entre eles: macarrão com frango, arroz com carne, cordeiro e um feijão adocicado. Catar tem apenas nove cidades. Dos 2,5 milhões de habitantes, quase metade vive na capital. O país possui uma das maiores rendas per capita do mundo, mas guarda costumes difíceis de imaginar para um brasileiro. O conselho que recebemos era para nem estender a mão para cumprimentar uma mulher. A homossexualidade ainda é crime no país, enquanto o homem pode ter até quatro esposas. DespedidaDoha foi a última parada da viagem, que durou oito dias e percorreu três países do Oriente Médio. O percurso foi a bordo do navio Costa Toscana, a maior e mais nova embarcação da Costa Cruzeiros. Embarcamos de volta para o Brasil no Aeroporto Internacional de Hamad, durante a madrugada, e chegamos ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no final da manhã. Catorze horas separaram o Brasil de uma das regiões mais procuradas por turistas nos últimos anos. O CruzeiroO Costa Toscana, maior navio da companhia italiana Costa Cruzeiros, fez a sua última viagem pelo Oriente Médio neste ano entre os dias 12 e 18 de março. A Tribuna embarcou no cruzeiro que, além de Doha, no Catar, passou por Mascate, em Omã, e Abu Dhabi e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Para conferir outras reportagens dessa cobertura, acesse atribuna.com.br/variedades/domingo-mais.