[[legacy_image_237428]] Sabe aquele tipo de filme que você termina de assistir sem saber direito se entendeu? O suspense espanhol As Linhas Tortas de Deus, da Netflix, é magistralmente construído para deixar o espectador exatamente assim: perdido, pensando se “será que é isso mesmo?” Mesmo um pouco perdido, fiquei completamente ligado na trama, apesar das duas horas e meia de duração do filme. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A história se passa no fim dos anos 1970 e gira em torno de um assassinato. A detetive Alice Gould embarca em uma jornada mais do que perigosa dentro de um hospital psiquiátrico para descobrir como morreu (e quem matou) o filho de seu cliente. O disfarce? Paciente do lugar, claro. Mas, conforme a história se desenrola e somos apresentados aos diversos personagens daquele microcosmo, começamos a duvidar do que estamos vendo. Quem ali é louco de verdade? E como age um louco de verdade? O filme vai alternando entre passado e presente para mostrar o que aconteceu. E como aconteceu. A quantidade de informações e de pistas é enorme, mas, claro, o objetivo aqui é te deixar muito confuso, então nada é, com certeza, o que parece ser, e as várias reviravoltas ajudam a manter esse ambiente onde a verdade é algo muito relativo… Confesso que em alguns momentos me lembrei de A Ilha do Medo, filme de Martin Scorsese com Leonardo DiCaprio. Mas a história é bem anterior, inspirada em um livro do espanhol Torcuato Luca de Tena já adaptado para o cinema, no México, na década de 1980. Apesar da semelhança, o foco do filme dos anos 80 é bem diferente de seu “irmão” americano. A coisa funciona muito melhor, porque o elenco é sensacional. Destaque para a protagonista, a excelente espanhola Bárbara Lennie, que, confesso, não conhecia. Ela consegue transmitir toda a dubiedade da personagem de forma convincente. Vou atrás de outros filmes e séries que ela fez, como A Garota de Fogo (2014) e A Desordem que Ficou (2020). A direção e o roteiro são do talentoso Oriol Paulo, que eu conhecia de filme mais antigo, Os Olhos de Júlia (2010), suspense produzido por ninguém menos do que Guillermo del Toro. É um nome em ascenção e As Linhas Tortas de Deus pode ser o passaporte para produções maiores. Assim eu torço! Não dá para dizer que é um filme perdido, afinal ele está há semanas entre os mais vistos da plataforma de streaming e, inclusive, no momento em que esta coluna foi escrita, já nas primeiras horas de 2023, permanece no top 10 brasileiro. Ainda assim, não é um filme que “explodiu”. Mas merece explodir. Como toda boa produção espanhola, é completamente fora da caixinha, do começo à acachapante cena final. Não perca!