[[legacy_image_248171]] Você talvez não saiba, mas, acima de nós, no céu, existem inúmeras estradas invisíveis, que são percorridas anualmente por bilhões de aves que todos os anos fazem as suas migrações pelo planeta. No próximo sábado (25), no Aquário Municipal de Santos, quem quiser saber mais sobre essas aves e os aspectos astronômicos que envolvem esse comportamento poderá participar de uma palestra gratuita, seguida de observação do céu com telescópios (veja detalhes abaixo). Até hoje, alguns aspectos dessas migrações ainda intrigam os cientistas. São estratégias surpreendentes, que permitem que as aves percorram milhares de quilômetros, saindo, por exemplo, da Groelândia e terminando no sul da Argentina. O segredo para não errar o destino está nos cérebros delas. É como se possuíssem um GPS interno, dotado de barômetros, relógios e óculos especialmente desenvolvidos para ver o que nós, humanos, não captamos. Tais “óculos” permitem avistar a luz polarizada, que indica a direção da incidência da luz. Já o barômetro alerta sobre possíveis tempestades no caminho. A bússola permite verificar instantaneamente a posição em relação ao campo magnético da Terra. E há mais! Essas aves, apesar de terem cérebro pouco maior do que uma uva, também conseguem captar os chamados infrassons. Cada região do planeta possui um infrassom específico e isso torna ainda mais acurada a viagem. Os cientistas estimam que, por ano, bilhões de aves utilizam essas rotas migratórias. Muitas ficam pelo caminho, seja pela ação de predadores naturais ou por nossa causa. Um dos fatores que desorientam as aves é a chamada poluição luminosa, gerada pelo excesso de luz artificial, por vez instalada de forma incorreta, “vazando” para o céu e atraindo esses animais. Esse problema vem crescendo, desafiando todos os mecanismos de adaptação que, ao longo de milhares de anos, permitiram a migração das aves. Há, inclusive, uma campanha internacional visando abrandar esse impacto, que prejudica, inclusive, os astrônomos, que também dependem da escuridão para fazer as suas observações. A poluição luminosa ainda afeta outras espécies, como as tartarugas. No Nordeste, depois de anos de campanhas, praias tiveram a sua iluminação artificial reduzida ou eliminada, o que diminuiu a morte das tartarugas nesses locais. Em Peruíbe, uma campanha em prol de legislação semelhante busca, em certas épocas do ano, propiciar ambientes mais favoráveis para o pouso dessas aves em suas migrações. Sábado no AquárioNo próximo sábado, a partir das 18 horas, os biólogos Bruno Lima e Karina Avila realizam uma palestra gratuita, no auditório do Aquário de Santos, sobre a migração das aves e suas curiosidades. Por exemplo, é o caso do andorinhão-do-temporal, uma ave da Amazônia que migra para o Litoral Paulista. Após a palestra de 40 minutos, o professor Antonio Carlos Tavares de Oliveira Alves, do Observatório Astronômico Albert Einstein, mostrará com lunetas e telescópios o mapa do céu noturno, um dos guias para as aves. Lima e Karina participam da campanha internacional Noites Escuras, Migrações Seguras, criada pela ONG Environment for the Americas para conscientizar sobre a poluição luminosa.