(Thiago Rosarii/Divulgação) A apresentadora Rita Batista, de 45 anos, já começa 2025 preparada para a folia. Será dela o comando do Glô na Rua, programa que cobre o Carnaval de rua pelo Brasil e que vem com novidades: mais cidades e mais cedo no ar. A jornalista completou 4 anos de TV Globo em dezembro e integra os times do É De Casa, na Globo, ao lado de Maria Beltrão, Talitha Morete e Thiago Oliveira, e do Saia Justa, um dos programas mais longevos da TV por assinatura, ao lado de Bela Gil, Tati Machado e Eliana. Ambas as atrações também seguem na agenda da apresentadora. São 22 anos de carreira desde o primeiro emprego, na Rádio Metrópole, em Salvador. Ela ainda encontrou tempo para escrever um livro de mantras, lançado no ano passado, e que tem segunda edição já no forno, além de se envolver na defesa de temas como igualdade e equidade racial. Em 2024, esteve à frente da apresentação do Prêmio Sim à Igualdade Racial, maior evento da América Latina, e das edições do Festival Negritudes Globo Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Você começou como repórter de rádio, um veículo que dá muito jogo de cintura. Acha que essa experiência também ajuda nessa trajetória que você vem traçando com sucesso no entretenimento? Já nasci no estúdio. Tanto na televisão quanto no rádio, sempre fui apresentadora. Vim ser repórter na supermanhã da Globo em 2020. Apesar do dinamismo do rádio, sempre fiz rádio com participação de ouvinte ao vivo. Isso me gabaritou bastante para tudo e também a experiência de 22 anos de carreira, né? Saia Justa, É De Casa, Glô na Rua. Você não para e tem feito produtos diferentes entre si. Gosta dessa fase de muito trabalho, está sempre querendo que apareça mais ou planeja um período de mais sossego? Gosto. Eu sempre trabalhei muito, isso não é uma grande novidade. Agora, para o público nacional, talvez seja. Mas sempre trabalhei muito, pelo menos em dois lugares ao mesmo tempo. Já fiz televisão ao mesmo tempo em veículos completamente diferentes, fora os projetos pessoais, e as outras atividades que sempre tive como locuções, publicidade, mestre de cerimônia... Tem que aproveitar, tem tempo ainda aí, bom para gastar com isso. E chegará o tempo de descansar, entre aspas. Talvez o meu descanso seja trabalhando em outras coisas. Tenho planejamentos pessoais de empreender e isso está acontecendo, inclusive. Começou em 2024 e agora em 2025 se consolida mais, então acho que não vai ser para agora esse descanso não. Entre os trabalhos atuais, tem algum queridinho e algum mais desafiador? Acho que sempre o próximo trabalho é o mais desafiador. O que você está se preparando para fazer. Então, tanto o É De Casa quanto o Glô na Rua e o Saia Justa são linguagens diferentes, de produtos bem diversos, com suas especificidades. E isso é muito bom para testar habilidades da comunicação, esses formatos e esse público, que são também diversos. Ao mesmo tempo, apesar deles não fazerem interseções entre si, têm algumas similaridades. Tanto o Saia Justa quanto o É De Casa são programas coletivos, o É De Casa e o Glô são ao vivo. Então, vou fazendo essas conexões. É bem bom. Quanto ao Glô na Rua, o que podemos esperar de novidades para este Carnaval? O Glô na Rua estará ainda mais dinâmico. A gente vai ter várias inserções durante a programação da TV Globo. No ano passado, a gente consolidou como a maior audiência das tardes da Globo no período. Então, isso é bem importante. O mercado publicitário continua irmanado conosco. E o público tem essas respostas. A gente aumentará o número de capitais. No ano passado foram oito, esse ano são dez, para mostrar esse Carnaval de rua, que é puro suco de Brasil. E a gente começa uma semana antes. Geralmente, a gente faz na quinta de Carnaval. E vai até a terça. Esse ano, audaciosamente, começamos uma semana antes, “porque já é Carnaval/a cidade acorda pra ver”, como canta Gerônimo Santana, cantor e compositor baiano, um dos precursores da axé music. No ano passado, você lançou um livro de mantras. O pensamento positivo e a mentalização são importantes na sua jornada? Tem uma dica de mantra para o nosso leitor começar bem 2025? Ah, é importantíssimo. Pensar positivo e pensar negativo dá o mesmo trabalho. Toda vez que as pessoas têm um pensamento negativo, devem combater imediatamente com o pensamento positivo. “Ah, Rita, mas a vida não é um morango”. Sim. Ok. Mas pode ser a fruta que está na estação, que além de ser mais saborosa, mais saudável, ainda é mais barata, sabe? Então é isso. Quando eu falo que dá o mesmo trabalho pensar positivo e pensar negativo, é uma escolha. Mesmo diante de dificuldades maiores ou menores – não estou aqui falando de positividade tóxica –, estou falando de coisas que, para mim, são muito palpáveis. E a mentalização, o decreto, a cocriação, o mantra, a repetição dessas palavras, desses períodos, desses textos tão antigos, que já foram testados e comprovados e aprovados por tantas pessoas ao longo da evolução da vida dos seres humanos, das civilizações, faz muito efeito para mim. Até por isso, fiz um livro e daqui a pouco vem aí o volume 2. Mas, comecei em 2025 com um novo decreto que eu ainda não tinha experimentado e que tem trazido grandes coisas para a minha vida. Antes mesmo de você botar os pés no chão, quando você acordar de manhã, se der conta que você ainda está aqui nesse plano, que você teve o privilégio, a permissão de estar mais um dia, pelo menos a gente espera... Que sejam mais 24 horas. Nesse plano você abre a boca e profetiza para si que coisas muito boas vão acontecer comigo hoje. Coisas muito boas vão acontecer hoje através de mim. Um dos seus pilares é a luta pela promoção da igualdade racial. Como você acha que avançamos nessa questão e o que precisamos fazer como sociedade e como Poder Público? É importante lembrar que a luta pela igualdade racial, pela equidade racial, não é a luta só das pessoas pretas, das pessoas não brancas. É de toda sociedade. Uma sociedade mais igual, mista, multicolorida, que agregue todas as pessoas, independentemente da cor da pele, da religião que professa, da sexualidade que exprime, é melhor para todos. Mas também, por outro lado, mais de 400 anos de escravidão não sairiam assim ilesos. Deixariam marcas e marcas profundas. É preciso que nos reconheçamos como pessoas que, infelizmente, passaram por isso, por esse processo escravocrata, e que tivemos, sim, de um lado, aqueles e aquelas que detinham o poder sobre outras pessoas, os senhores e as senhoras de engenho, os donos da terra, aqueles que fizeram com que a escravidão durasse tanto tempo no Brasil. Fomos o último país do Ocidente a abolir a escravidão, por uma pressão internacional e uma questão de mercado. Então, de um lado são essas pessoas, e do outro, aqueles e aquelas, nós, pessoas pretas, que fomos, que somos descendentes dessas pessoas que foram arrancadas da África, e vieram para cá trabalhar forçadamente, e que tiveram que, como num passe de mágica perverso, aprender rapidamente uma outra língua, entender que estavam sendo submetidos a trabalhos forçados numa terra que não era deles, que eram castigados por reivindicar liberdade. Boa parte dos negros que vieram da África, de acordo com a Fundação de Comunidades, que salvaguarda a memória do processo de escravidão no Brasil, foram trazidos de Benin. Então, tinham seus costumes, tinham a sua cultura. É importante que nós, enquanto sociedade, tenhamos essa consciência, saibamos que há recursos, que há possibilidades de fazer essa moralização da questão racial no Brasil, através de organismos que foram criados para isso, defensorias, delegacias especiais, Ministério Público, ONGs, movimentos sociais, mas que também não sejamos inocentes a ponto de achar que isso, ao longo do tempo, irá se dissolver sem punição. Então, é preciso que a Justiça, que para o crime de injúria racial ou o crime de racismo já faz um grande movimento, cumpra essa lei de fato e que as pessoas entendam que essa luta é a luta de um país.