[[legacy_image_330551]] No texto anterior, contei a vocês minha experiência com a chegada dos primeiros sinais do climatério. Fiquei surpresa com o retorno sobre o assunto. Recebi tantas mensagens de amigas e conhecidas compartilhando medos, dúvidas e relatos que percebi a importância de ampliar a discussão. Chamou a atenção quantas mulheres me consideraram corajosa por abordar o tema, o que reforça como ainda é tabu. Não apenas por ser algo íntimo, mas devido à relação que se faz quando uma mulher revela que essa fase chegou: envelhecimento. Junto com o envelhecer, outra ideia é atrelada: o início do caminho para a perda da fertilidade, relacionado com o ser mulher. Como se o fim da capacidade reprodutiva acabasse com nosso lado feminino, vaidade, desejos, sonhos. Nada disso faz sentido. É cultural de uma sociedade machista que não perde a oportunidade de diminuir nosso valor. Que bom envelhecer! A outra alternativa não é atraente. E lembrando que todo fim precede um começo, a menopausa é sobre uma nova fase. Como disse uma amiga, “a fase em que finalmente transei livre com meu marido sem a preocupação de engravidar”. As vantagens existem! Assim como você continuará realizando, pessoalmente e profissionalmente, mas sem sangrar e passar mal todo mês - o que tantas de nós consideram outro ganho. Falando em sexo, uma das características do climatério é a diminuição da lubrificação vaginal. Garotas, abusem dos lubrificantes e tudo dará certo. Mas e a queda da libido? Conversem com suas parcerias, conheçam seus corpos (nunca é tarde), descubram o que dá prazer, usem apetrechos eróticos e fantasiem. Principalmente, respeitem o próprio tempo. Talvez seja difícil mesmo manter o tesão no meio de um chacoalho desses (falaremos no próximo parágrafo). Sexualidade é sobre energia vital. É parte da saúde integral. Não se privem do prazer (sozinhas ou com alguém) só porque desavisados dizem que vocês não merecem mais. Mas é tanta coisa acontecendo. Um combo de impacto no bem-estar e na autoestima. Insônia, dificuldade de concentração, lapsos de memória (reflexos do estresse de lidar com as mudanças), ganho de peso (o metabolismo desacelera na meia idade), irregularidade menstrual, alterações de humor. Tem as ondas de calor, pele e cabelos que ressecam (os meus estão impossíveis!), ansiedade, perda óssea. Aliás, na última semana comecei a reposição de vitamina D por três meses para equilibrar esse início de perda óssea, que pode levar à osteoporose. O ideal é a vitamina D estar acima de 30. Em março do ano passado, a minha estava em 33. Em dezembro, caiu para 22! Eu vinha perdendo há cinco anos, mas aos poucos, tipo um pontinho por vez. Notem a queda brusca. Quando vem mesmo essa avalanche para a gente enfrentar? Eis uma questão que gera bastante dúvida. Pesquisas atuais indicam que os primeiros sinais do climatério surgem entre dez e oito anos e se intensificam entre cinco e dois anos antes da menopausa em si, que é o cessar do sangramento mensal. Um bom marcador é descobrir quando suas mães entraram na menopausa. A minha entrou aos 52 anos. Faz sentido que perto dos 45 anos eu já esteja rolando na avalanche. Façam exames, consultem especialistas, tomem sol, pratiquem atividade física, atenção para a alimentação, recorram a medicamentos (com orientação médica) se precisar. Conversem honestamente com aqueles que fazem parte da vida de vocês para que compreendam pelo que estão passando. E muito obrigada pela troca! Me senti menos sozinha e apoiada para debater o que é da nossa natureza e ajudar a rasgar mais um véu da ignorância sobre o feminino.