[[legacy_image_268594]] “Ciúme de você, amor, é o meu pior castigo”. Assim como diz a música Ciúme de Você, de Roberto Carlos, esse é o tipo de sentimento que pode afetar todo mundo em algum momento - dos casais mais apaixonados aos mais inseguros. E os especialistas alertam: por mais que o ciúme possa ajudar a dar um tempero extra ao relacionamento, quando ele se torna excessivo, há o risco de se transformar em um verdadeiro veneno, que corrói a confiança e a liberdade na vida a dois. Mas como identificar quando o ciúme ultrapassa os limites saudáveis e se torna um problema para o casal? Em primeiro lugar, vale enfatizar: nem sempre ele é o vilão. Segundo a psicóloga Carla Ribeiro de Oliveira, esse sentimento costuma ser saudável quando nos ajuda a proteger o relacionamento. No entanto, o seu excesso “pode ser um sinal do chamado transtorno delirante de ciúme, no qual a pessoa acredita em infidelidade ou traição mesmo sem qualquer evidência”. Como ele surge?A psicóloga explica que o ciúme é uma emoção, uma reação imediata a estímulo que impacta o corpo e a mente, levando ao medo de perder a pessoa amada. “A forma como cada um reage no gerenciamento do próprio medo deflagra e revela as suas inseguranças”, aponta. Atualmente, existe um fator adicional: as curtidas, as fotos postadas e as interações nas redes sociais também ajudam a desencadear esses temores tão profundos e particulares de cada pessoa. Só que, enquanto o ciúme positivo e normal nos faz agir com mais cuidado em situações que envolvem riscos à relação, a pessoa, no chamado ciúme patológico, pode se sentir constantemente perseguida por pensamentos e imagens de traição, o que favorece comportamentos obsessivos, como verificar regularmente o telefone ou as mídias sociais do parceiro (a), seguir a pessoa amada ou, então, investigá-la secretamente. Isso, de quebra, contribui para que haja um declínio na qualidade de vida ou mesmo isolamento social, ansiedade, depressão e, dependendo do caso, a violência física. “O ciúme se configura como saudável quando é transitório e baseado em fatos reais. Mas, conforme se mostra imaginário, sem qualquer fundamento de realidade e com um desejo obsessivo de controle, requer atenção e acompanhamento psicológico”, arremata Carla de Oliveira. Combata o excessoSe você busca investir em uma relação em que um dos lados “morre de ciúmes”, a psicóloga Carla Ribeiro de Oliveira diz que a psicoterapia é uma boa opção para compreender as motivações que estão por trás dessa emoção intensa. “O processo de autoconhecimento que ocorre com a psicoterapia traz amadurecimento, envolve maior compreensão de particularidades, carências e o desenvolvimento de habilidades interpessoais e emocionais, que colaboram para a resiliência e o bem-estar emocional”.