[[legacy_image_221956]] Aos 29 anos, Giovanna Lancelotti acumula no currículo dezenas de trabalhos na TV, teatro e cinema. Mas sua maturidade como atriz vem desde os 16 anos, quando foi emancipada pelos pais para morar na Capital paulista e estudar teatro. Desde então, foi construindo uma carreira linear, passando por novelas, cinema, teatro e até mesmo videoclipes musicais. Foi “apresentada” na TV como Cecília Machado, em Insensato Coração (2011), e marcou como a vilã Rochelle Athayde, de Segundo Sol (2018), ambas da TV Globo. Agora, ela protagoniza Nada É Por Acaso, filme baseado no livro de Zíbia Gasparetto que será lançado na próxima quinta. No enredo, duas mulheres vão descobrir que estão unidas por um laço de amizade que remonta a um passado distante na história do Brasil. Nessa entrevista, a atriz fala o quanto a produção tem a ver também com sua forte ligação com a fé. Você já teve alguma experiência em que “nada foi por acaso”?Já tive algumas provas de que nada é por acaso, tanto no lado profissional quanto no pessoal. Mas talvez o lado profissional se mostre mais rápido que o pessoal, já que este necessita de mais tempo para ter provas. No profissional, as coisas são mais dinâmicas, a gente acaba tendo essa certeza mais rápido. Por exemplo, minha última personagem na televisão foi a Rochelle (Segundo Sol, 2018), que me engrandeceu bastante, tinha muitas questões físicas. Aprendi demais. E era uma personagem que eu não ia fazer. Fui a última pessoa a entrar no elenco, meio que nos 47 minutos do segundo tempo. Estava em uma outra novela e do nada me tiraram. Fiquei mal, achando que minha vida tinha acabado, me questionei se tudo estava perdido. E dois meses depois, veio essa oportunidade. Foi a personagem perfeita para mim. Se eu fizesse o papel que tinha em vista no início, não teria tempo. Acho que no profissional essas respostas vêm mais rápido. Mas também no lado pessoal, muitas vezes, nos frustramos com situações e, às vezes, não entendemos. E eu acredito que o espiritismo te traz uma paz, um conforto para o coração. Além disso, acredito demais em destino. Realmente, nada é por acaso, seu caminho está escrito. Se uma porta se fechou, é porque outra melhor vai se abrir. Não é possível que Deus não pense assim. Eu acredito, sim, que nada é por acaso. Aconteceu algo inusitado nos bastidores do filme?Quando fomos fazer esse longa, ficamos dois meses em Curitiba (PR). E ela é uma cidade que roda muito o espiritismo e espiritualismo. Chegamos a ir em vários centros, tanto em espíritas quanto umbandistas e candomblecistas. E foi uma fase da minha vida que eu estava muito conectada. E quando se está buscando essa conexão, a gente busca sinais que são mandados. Os sinais estão aí o tempo todo, mas a gente não consegue perceber se não estiver buscando essa conexão. Durante a gravação do filme, eu estava estimulando essa conexão o tempo todo. Eu estava muito mais sensível, mais atenta. Então, percebi mais esses sinais. Teve uma cena com o Gui (Guilherme Garcia) no centro espírita, onde ele tinha essa mediunidade aflorada pela primeira vez. A Marina o levava ao centro e ele psicografava uma carta para ela. E foi nossa primeira filmagem no centro, que, na verdade, não era um centro, mas uma casa comum, branca, que estava preparada para aquilo, com copos de água. Quando a gente foi começar a filmar, teve um apagão no set. Apagaram câmera, luz, tudo. Eu gritava: “Meu Deus! Meu Deus, gente!” Eu lembro que a Cleo Queiroz é uma atriz que também é médium. Ela pegou na minha mão e disse: “Calma, se isso está acontecendo é porque eles estão com a gente. Fica tranquila, estamos no caminho do bem”. A partir daí, eu me acalmei, gravamos a cena e lembro que o copo de água que a gente deixou, que estava com água comum, estava cheio de bolhas, parecia que era água com gás. Como foi a preparação para sua personagem?Eu já tinha muito contato com o espiritismo. Minha avó é espírita, meu pai também. Sempre fui muito conectada e, quando fui chamada para o Nada É Por Acaso, estava lendo um livro da Zíbia Gasparetto, o Laços Eternos. Interpretei isso como um sinal, como um chamado. A preparação foi muito baseada no livro; por mais que tenha havido uma troca na ordem em que as coisas acontecem, o longa é bem fiel ao livro, então a preparação foi bastante baseada nisso. Nas conversas com o Márcio (Trigo, diretor do filme), nos centros que a gente visitou, nas locações. Como esse processo foi todo longe de casa, é diferente de você fazer um filme na sua cidade, em que você sai do set e vai encontrar seus amigos. A gente saía do set e voltava para o hotel, só entre nós. Então, foram dois meses só respirando e vivendo intensamente aquilo. E isso é bom, porque ajuda a entrar mais na personagem. O que mais achou dessa experiência?Foi algo diferente, fora da zona de conforto, principalmente por sair do eixo Rio-São Paulo. Então, você mergulha mais nesse universo. Principalmente por ser um filme desse tema, a gente ficou mais sensível, mais acolhedor, mais junto. Nesse caso foi muito positivo para criar o ambiente da trama, a calma. Eu sou agitada, falo rápido, fico ligada no 220V, então foi essencial esse filme ser em Curitiba e ficar ali sozinha, usar esse tempo no hotel para baixar a energia. Esse ambiente interno para mim foi benéfico. Com o momento político conturbado no País, onde houve alguns ataques à cultura, intolerância religiosa, você sentiu alguma represália ao filme?Vamos aproveitar e deixar um recado para essas pessoas que ainda não entenderam que nada é por acaso? Nada é por acaso. Quem ganhou, quem perdeu, nada é por acaso. Para frente é que se anda. As coisas vão se explicar com o tempo. Senta e espera, que as coisas vão aparecer.