[[legacy_image_318305]] Todo mês de dezembro ficamos ansiosos para que o ano acabe e o novo comece. Um marco histórico em nossa linha do tempo. Como uma virada de página, o que passou, passou. É hora de recomeçar. Não há mais desculpas para não alçarmos nossas metas, afinal, uma nova chance nos é dada. E não podemos perder essa oportunidade (não mesmo?). Desejamos e sonhamos sem fim. Amor, dinheiro, paz, saúde, trabalho, viagens, amigos. Ah, esta eterna necessidade de conquistarmos tudo, sermos felizes sempre, como se isso fosse possível em apenas 365 dias (no caso de 2024, ano bissexto, em 366). Que cansaço desta necessidade que a sociedade nos impôs de felicidade e otimismo a qualquer preço, de termos resoluções como se estivéssemos em uma gincana da vida. Emagrecer, parar de fumar, ler e viajar mais, deixar o sedentarismo de lado, guardar dinheiro, se apaixonar. Por vezes também elenquei esses itens. Mas agora sinto que basta. Nem comer menos doce consigo, que dirá me exercitar com frequência. Penso se a necessidade de alcançarmos tudo que desejamos talvez esteja nos entristecendo. Porque é difícil buscar esta concretude a todo o tempo. Utópico pensar que será exatamente como queremos. Mesmo tentando. Janeiro começa, depois fevereiro, março, e a força de vontade, por algum motivo, fica fraca com o passar dos meses. “Segunda-feira eu começo”, é o que sempre dizemos. Não quero mais desenhar listas do que pretendo fazer se, no final, pouco realizo. O resultado, muitas vezes, é escrever, como consolo, tópicos sobre como me recuperar das frustrações. Talvez melhor seja olhar para trás e ver o que aprendi no ano anterior. Parece-me algo mais palpável. Construir um mundo interior diferente para que o exterior se transforme como desejamos. “O mundo só muda quando a gente muda”, é o que dizem os “terapeutizados” e espiritualizados. Quem sabe tenham razão. Nem listas de resoluções eles devem escrever. Em 2023 tive obstáculos intransponíveis. Porque às vezes não dá mesmo. A vida não deixou. Em nossas mãos estão os planos, as estratégias, as atitudes, mas já aprendi que “ela” é soberana. A vida, assim como traz, também leva. O destino não nos escapa. É que talvez ele não tivesse sido escrito da forma como idealizamos e nossa caneta, no papel da vida, também falha. Contra “ela”, a vida, não se luta e a gente tem que se perdoar por isso. Não deu para fazer dieta porque o emocional ficou abalado e só restou a vontade de comer. Economizar não foi possível porque o carro quebrou, a escola aumentou, a inflação subiu. Os amigos ficaram mais para escanteio porque o trabalho correu solto e entre se jogar no sofá e tomar um chopinho a preguiça falou mais alto. Ser saudável caiu por terra com uma doença autoimune imprevista. A relação acabou porque não deu certo, apesar das tentativas. Querer nem sempre é poder e para ser feliz muitas vezes é preciso se resignar. Então, é isso? Devemos desistir? Ficar à mercê de algo já predestinado para nós? Seguir o fluxo do rio sem dar nem ao menos uma braçadinha? Não posso acreditar nisso, caso contrário acenderia o primeiro cigarro que encontrasse pela frente depois de muitos anos sem mergulhar naquela fumaça sedutora que só o fumante (ou ex-fumante) sabe degustar. Sim, um dia prometi que pararia e aconteceu. Mas não de um ano para o outro, foram muitas listas de resoluções para conseguir largar o cigarro. Talvez a resposta seja esta: o que precisamos é de um planejamento a longo prazo para realizar o que queremos. Não será tudo em um ano. As conquistas demoram e o nosso tempo não é o mesmo do calendário, nem nas redes sociais onde tudo parece transcorrer tão bem na vida dos outros. Haverá fracassos, vamos estabelecer desde já. Desistências também. Porém, teremos muitos anos para resolver seja lá o que for. A vida segue em frente, conosco como protagonistas ou coadjuvantes. O importante, muitas vezes, é só se manter no elenco. Mesmo que não haja aplausos. Primeira e única resolução para 2024 estabelecida. Seguir em frente, sem resoluções.