[[legacy_image_322926]] Enquanto o relógio se aproxima da meia-noite, as pessoas se unem a uma contagem regressiva que transcende os números e ponteiros. As famílias erguem copos, trocam abraços, fazem planos e metas para o novo ano que chega. A virada é apenas uma marca no calendário, porém essa simples transição temporal exerce um impacto em nossa disposição e motivação. Mas por que isso acontece? “Nós medimos o nosso desempenho escolar por ano, contamos um período de aquisição de férias por ano, nós fazemos festa de aniversário, que vem de ano, enfim, acaba sendo um parâmetro para se medir”, diz o psicólogo Claudio Pereira Nishikawara ao explicar que nenhum ser humano na vida consegue caminhar sem parâmetros. A virada do ano, apesar de ser apenas ‘mais um dia’, serve como um ponto de reflexão. O encerramento de um ciclo e o início de outro oferecem uma oportunidade simbólica para reflexão e renovação. As pessoas veem isso como uma chance de recomeçar, estabelecer novas metas e deixar para trás o que não serviu mais. “Este pode ser um momento mais convidativo para que a pessoa possa parar, refletir sobre tudo que ela conseguiu fazer no ano que passou, se o que fez realmente fazia sentido para a vida dela, o quanto de satisfação ela encontrou no modo como viveu sua vida, com a oportunidade de também avaliar o que ela gostaria de fazer, de realizar no próximo ano que chega e que faz sentido para a vida dela”, afirma Nishikawara. Por que não agora?“Todos os dias são uma folha em branco, eu posso buscar fazer diferente a cada dia”. Segundo psicólogo, dentro desse olhar é possível fazer diferente a cada hora, a cada minuto, porém o ser humano tem a visão de mundo construída pelos fenômenos que o cercam. “A busca desta autenticidade e ser diferente do senso comum são grandes desafios, é uma construção a ser feita pelo ser humano. Quando nós conseguimos evoluir nisto, com certeza somos mais felizes e menos dependentes de pessoas e situações”. Como a passagem do ano influencia a definição de metas e objetivos?Para o psicólogo, cada pessoa é influenciada de uma forma diferente. Algumas se sentirão cobradas e mais pressionadas e outras ficarão motivadas, “mas tudo isso está diretamente influenciado pela visão de ‘homem’ e de ‘mundo’ que a pessoa tem”, explica. Nishikawara diz que muitos estarão animados e felizes, outros pressionados e, infelizmente, outros frustrados porque vão pensar nos projetos do ano anterior que não foram colocados em prática ou fracassaram. Ele explica que, para esses casos, a partir do fundamento de que o homem pode sempre aprender, e por isso, pode sempre tentar fazer diferente do que fez anteriormente, o mais importante é analisar o que pode aprender de suas escolhas anteriores que não foram a contento e tentar fazer diferente na próxima vez.