A doença que afetou o apresentador Otaviano Costa provoca uma dilatação na parede da aorta (Divulgação/ Dessa Pires) A doença que afetou o apresentador Otaviano Costa provoca uma dilatação na parede da aorta (maior artéria do corpo) e é capaz de comprometer toda a irrigação sanguínea do corpo. O santista Leonardo Pippa Gadioli, médico assistente do Centro de Cardiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e doutor em Ciências Médicas pela mesma instituição, fala sobre o problema e alerta para os exames capazes de apresentar um diagnóstico precoce. O problema que afetou o apresentador Otaviano Costa é comum ou raro? A definição de aneurisma de aorta é uma dilatação da artéria superior a 50% do calibre normal. Estima-se incidência anual de 5,6 a 10,4 casos por 100 mil pacientes. No entanto, é difícil avaliar a prevalência e a incidência porque é uma doença silenciosa. Estudo realizado no Japão mostrou que o rompimento da aorta ocorreu em aproximadamente 7% dos pacientes que apresentaram parada cardíaca fora do hospital. Outro estudo, que utilizou a tomografia computadorizada para rastreamento de outras condições, mostrou prevalência de aneurisma de aorta em 0,16% das pessoas. Qual o perfil do paciente mais atingido? O aneurisma da aorta ocorre mais frequentemente na sexta e sétima décadas de vida e é duas a quatro vezes mais comum nos homens do que nas mulheres. Essa dilatação da artéria, comum nos casos de aneurisma da aorta, aumenta com o passar do tempo? O aneurisma da aorta ascendente torácica leva a uma dilatação progressiva dela. E, quando a aorta está distendida, fica mais fina e enfraquecida, portanto mais suscetível a rupturas. Baseado na Lei de Laplace, na qual a tensão superficial aumenta proporcionalmente ao aumento do diâmetro do aneurisma, pressupõe-se que, quanto maior o aneurisma, maior o risco de ruptura. Quais os sintomas que provoca? Na maioria dos casos, os pacientes são assintomáticos e descobrem a doença em exame de imagem. Em relação aos sintomáticos, as manifestações mais comuns são dor torácica, que pode vir com ou sem irradiação para costas, falta de ar e desmaio. Se ocorrer o rompimento, o quadro é irreversível? O rompimento da aorta é considerado uma emergência médica e, se não for tratado de forma rápida, na maioria dos casos, é fatal. O tratamento é sempre cirúrgico ou existem outras formas de tratar? No caso do aneurisma da aorta ascendente, o tratamento é cirúrgico e, em casos específicos, pode ser tratado com procedimento endovascular (cateterismo). O que leva a esse quadro? Tem influência genética? Diversos fatores de risco podem levar ao aneurisma de aorta. Entre eles, hipertensão arterial, tabagismo, aterosclerose e colesterol alto, além de fatores genéticos. Doença da válvula aórtica (válvula aórtica bicúspide), história familiar de aneurisma de aorta e doenças infecciosas como sífilis também podem desencadear o problema. Quais os exames que diagnosticam esse aneurisma? Os principais exames para detectar o aneurisma são tomografia computadorizada, ressonância magnética, ecocardiograma transtorácico e/ou transesofágico. A cirurgia é de peito aberto? Sim, no caso do apresentador Otaviano Costa, como o aneurisma estava bem perto do coração, a cirurgia teve que ser feita de peito aberto e o cirurgião cardíaco inseriu um tubo protético no local do aneurisma para fazer a correção. Como é o pós-cirúrgico? Com dieta, cessação do tabagismo, medicamentos anti-hipertensivos para controlar a pressão arterial e remédios para controlar a frequência cardíaca do coração. Após a cirurgia, quanto tempo a pessoa leva para voltar a ter vida normal? Cerca de três a seis meses.