[[legacy_image_204629]] André Bankoff é daqueles atores que aprenderam a ser versáteis. Afinal, até chegar ao ofício de atuar, havia um lance sério com os gramados dos campos de futebol: no início da década de 1990, André chegou a ir para a Itália, onde morou por dois anos e jogou nas categorias de base da Roma. Depois de retornar ao Brasil, virou a chave quando foi convidado para ser modelo. Em 1999, lá estava ele na São Paulo Fashion Week, ao lado, simplesmente, de Gisele Bündchen. A carreira de ator veio depois, em 2005. De lá para cá, foram diversas novelas, entre elas Morde & Assopra (2011) e Babilônia (2015); filmes como Os Parças (2017), Bate Coração (2019) e Reação em Cadeia (2021); teatro; canal no YouTube... E deste domingo (4) até quarta-feira (7), o ator estará em Cubatão para encenar o espetáculo Caminhos da Independência, interpretando dom Pedro I. Ao domingo+, André falou sobre essa e outras experiências. É a primeira vez que você faz o Caminhos da Independência. O que está achando? Fui convidado pelo Lorimar, diretor da Cia Teatro do Kaos para encenar Caminhos da Independência, vivendo a história de dom Pedro I. Eu sou apaixonado por teatro e me sinto em casa quando piso no palco. A peça está linda e fui muito bem recebido por todos. Alguma lembrança aqui da Baixada Santista? Desci poucas vezes para Baixada, mas fiquei admirado com o comprometimento da Cia Teatro do Kaos. Precisamos desse tipo de trabalho no nosso País. Levando seriamente a informação por meio da Cultura, debatendo a arte e fazendo o público refletir com o que foi encenado. Esse é o nosso objetivo. Por falar em teatro, quando foi sua última peça? Este é um retorno aos palcos? Minha última peça foi Jogo Aberto, que estreamos em 2017 e paramos em 2018. Ficamos um ano em cartaz, numa comédia incrivelmente divertida sobre casais. Foi um sucesso, amávamos fazer. Depois, me distanciei dos palcos por conta de outros trabalhos e agora estou retornando em Caminhos da Independência. É um momento muito especial e estou bastante feliz por estar em cena outra vez. Você foi indicado ao prêmio Melhor Ator Nacional no Festival Sesc Melhores Filmes, por Reação em Cadeia. Pode falar um pouco dessa participação e como foi trabalhar com o roteirista Bráulio Mantovani? Reação em Cadeia me fez subir mais um degrau no cinema nacional. Trabalhar com o Bráulio é sensacional, sou fã do trabalho dele em Tropa de Elite, Cidade de Deus, VIP, Ônibus 174, entre outros. Eu me entreguei ao personagem Zulu e a resposta positiva da atuação veio logo em seguida. Tive o Márcio Garcia como meu diretor. Ele deixava a gente muito à vontade no set para improvisar e isso tornava as cenas mais reais e impactantes. Foi um presente fazer Reação em Cadeia. Sou muito grato! Você já disse que o Juba, de Bicho do Mato, foi um divisor de águas na sua carreira. Mas o Sandro, de Bate Coração, também acabou muito elogiado. Considera que houve mais uma entre as tantas viradas na sua vida com esse papel? Cada personagem que faço traz um crescimento para mim, gosto de papéis que me desafiam. O Sandro me abriu muita portas para a comédia no cinema. Eu lembro que estava fazendo Os Parças, com o Halder Gomes, diretor que admiro demais, e no set ele me chamou para dizer: ‘você vai protagonizar outro filme que estou fazendo em parceria com o diretor Glauber Filho. Acabando aqui, você voa para Fortaleza e faz Bate Coração. Não pensei duas vezes. Aceitei e, quando acabaram as filmagens do filme Os Parças, fui para Fortaleza viver o Sandro em Bate Coração com o grande amigo Glauber Filho. Um outro presente! Seus vídeos, tanto no YouTube quanto no Instagram, têm tido muita repercussão e mostram sua versatilidade, já que você chegou a estudar jornalismo, foi jogador de futebol, modelo... É fácil ser multitarefa para você? Rapaz, eu trabalho demais. Pensa num cara que quebra pedra? Sou eu! (risos). Vendia enxoval desde os 12 anos de idade, sou neto de cigano e judeu. Fiz meu primeiro comercial com 12 anos (foram 60 no total). Construi minha primeira casa com 18 anos e não parei mais. Eu me tornei construtor, empreendo em negócios junto com a minha família, faço meus vídeos na internet e sou ator. Às vezes, não sei como dou conta, mas Deus tem me ajudado. Só peço saúde e felicidade, o restante vou lutando e conquistando. Eu me divirto com os meus vídeos, pois as ideias acabam vindo de improviso e, quando vejo, já está tudo lá. Tem horas que penso: como isso saiu da minha cabeça? (risos) Você parece estar sempre mesclando várias plataformas, como cinema e TV, nas atuações. Como é gerenciar isso? Procuro sempre transitar por cinema, séries, novelas e teatro para não cair na mesmice e não atuar no automático funcional para determinada linguagem. A gente vai fazendo uma novela atrás da outra e, quando vê, só está mudando o figurino e a atuação acaba ficando igual os trabalhos. É o famoso “perigo do conforto e comodismo”. Mas esse é o meu pensamento e essas são as minhas escolhas. Cada um faz a sua, o importante é ser feliz. Aliás, destes, tem um que goste mais? Gosto de todos, é um exercício excelente para não deixar você sempre no mesmo lugar como ator. Pode contar um pouco dos seus planos para depois da peça em Cubatão? Continuar trabalhando nos meus negócios e fazendo os testes para os próximos trabalhos. Espero que o mercado audiovisual melhore, que o Brasil melhore, e que a sociedade possa viver em condições melhores em relação ao que estamos vivendo hoje. E também tem alguém, algum ídolo digamos, com quem gostaria de trabalhar? Por quê? Não tenho um ídolo assim (risos). Meus ídolos são os meus pais, que sempre fizeram o melhor e desejam o meu crescimento. Mas gosto de contracenar com atores que se jogam em cena buscando a verdade. Sempre aprendo observando o outro. Curto desafios cênicos. ServiçoA peça Caminhos da Independência será encenada entre hoje e quarta-feira, sempre às 20 horas, no Teatro do Kaos (Praça Joaquim Montenegro, 34, Sítio Cafezal, cubatão). A entrada é 1 kg de alimento não perecível.