A dificuldade em amamentar não é um problema exclusivo da mãe (Adobe Stock) Para marcar a campanha do Agosto Dourado, um esforço ativo para promover e incentivar o aleitamento materno, a Hora do Mamaço, é um dos eventos mais relevantes em nossa região. Este ano, seguindo a proposta da Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (Waba, na sigla em inglês), a campanha foca em suprir as lacunas na sociedade, eliminando as desigualdades no apoio à amamentação. Será dada atenção especial a cenários vulneráveis, como a primeira semana de vida, populações desfavorecidas e amamentação em tempos de emergências e crises. O objetivo é mobilizar a sociedade para melhorar o apoio à amamenta-ção para todos, garantindo que as desigualdades ou a falta de acesso ao suporte não sejam barreiras em nossa comunidade. A 13ª edição da Hora do Mamaço de Santos acontece no próximo sábado, às 14h, no Clube Internacional de Regatas, com entrada gratuita. Na ocasião haverá programação com especialistas, que compartilharão experiências em rodas de conversas com mães e rede de apoio durante todo o evento. Programação 14h: abertura 14h20 às 16h: roda de conversa com profissionais 14h20: Izilda Pupo, ginecologista: Orientação na gestação. 14h35: Giulia Obadia, pediatra: Primeiros dias da criança. 14h50: Luiza Moreira, fonoaudióloga: Movimentos da língua na deglutição. 15h: Thaís Perico, advogada: Direitos das gestantes e lactantes. 15h20: Letícia: Relatos de uma mãe atípica. 15h40: Gilberto Mello, obstetra e mastologista: Cuidado com as mamas durante a gestação e lactação. 15h55: boas práticas em Recursos Humanos 16h15: roda de dança 16h30: foto oficial 17h: encerramento O evento ainda contará com a participação de José Neto, bombeiro e educador da Cidade, que ensinará manobra de desengasgo. Alterações orais no bebê podem dificultar A dificuldade em amamentar não é um problema exclusivo da mãe. A fonoaudióloga santista Andréia Fernandes explica que entre as principais queixas está o fato de alguns bebês nascerem com alterações orais. “Apesar de parecer instintivo, amamentar pode ser muito difícil. Em alguns casos, é necessário procurar ajuda de profissionais para que o problema seja resolvido”. Especialista em aleitamento materno, ela explica que alterações orais do bebê podem prejudicar a pega e, consequentemente, a amamentação. O leite materno é repleto de nutrientes essenciais para o desenvolvimento saudável da criança. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a alimentação exclusiva com leite materno até os seis meses de vida da criança e até os 2 anos de forma complementar. Andréia atende bebês de até 12 meses com queixas relacionadas ao aleitamento materno e início da introdução alimentar. “Meu papel envolve avaliação, diagnóstico, orientação e reabilitação das funções de sucção, mastigação, degluti-ção e respiração. A maior demanda são os bebês com disfunções orais e língua presa”. Língua presa Segundo ela, a língua presa é uma das principais causas de queixa quando o problema são alterações orais do bebê. “A anquiloglossia, ou língua presa, é a principal causa de problemas orais e acontece ainda no primeiro trimestre de gestação, quando a língua se separa do ‘chão’ da boca por um processo chamado apoptose. Se esse desenvolvimento é incompleto, o freio fica encurtado, limitando os movimentos adequados da língua, principalmente a elevação, o que leva a inúmeros impactos para o bebê, que vão muito além da amamentação”. A fonoaudióloga ainda alerta que todos nós temos freio na língua, mas o problema acontece quando essa estrutura está alterada. Quando procurar ajuda É necessário prestar atenção se a mãe sente dor ou apresenta fissuras, mastites (infecção do tecido mamário) e ductites, além de mamilos em formato de batom após a mamada e queda na produção de leite. Além disso, mamadas longas, intervalos curtos e dificuldade em amamentar na posição tradicional podem ser sinais de que é necessário pedir ajuda. Durante a amamentação, o bebê pode mostrar sinais de que há problemas. “Preferência por uma das mamas, mordidas, ruídos/estalos, engasgos, calos nos lábios e dificuldades em realizar ou manter a pega são alguns deles”. Dificuldade no ganho de peso, prematuridade, roncos e o fato de dormir de boca aberta também são um alerta de que há algo errado. Avaliação “Na avaliação, é necessário coletar todo o histórico da dupla mãe e filho, que envolve gestação, parto, pós-parto, histórico da amamentação, alimentação atual do bebê e desenvolvimento motor”, alerta. Adriane Araújo, mãe da pequena Marina, de 53 dias, procurou a especialista por suspeita de que a bebê estava com dificuldades. “Eu desconfiava que podia ser o freio na língua que estivesse atrapalhando. Então, a gente foi para uma avaliação e realmente a especialista mostrou, por meio de vários sinais – como calinhos na boca, olheiras e língua branca – que a Marina apresentava problemas”. Ela disse ainda que se preocupava com outros problemas futuros que poderiam surgir. “Atrapalhava na amamentação, bem como outras funções orais como engolir, sugar e, futuramente, poderia comprometer a introdução alimentar, além de comprometer a própria fala”, completa Adriane. Dentro da avaliação pode ser indicada a necessidade da liberação cirúrgica do freio lingual com odontopediatra. E, depois, a reavaliação fonoaudiológica pós-cirúrgica e o acompanhamento com a consultora.