[[legacy_image_326724]] Daqui um mês chego aos 45 anos. Meio que uma metade da vida, bem vivida, e ainda com muito para viver. Adoro fazer aniversário e a idade não me assusta. Venho cuidando para que meu processo de envelhecimento seja positivo, mesmo sabendo que nem tudo a gente controla. E os hormônios femininos estão aí para nos lembrar disso - ou o começo da falta deles. De julho do ano passado para cá, percebi algumas alterações físicas e emocionais que julguei serem parte da correria do dia a dia. Esquecimento, calores de repente pelo pescoço, flutuações de humor. Com o mundo que nos cerca, dá para achar que só de existir esses sintomas são “naturais”. Mas havia uma diferença. Tudo aconteceu de repente e ao mesmo tempo, no melhor estilo ladeira abaixo. Foi minha psicanalista quem chamou minha atenção: esses são os primeiros sinais do climatério. “A gente acha que está ficando louca, mas há uma queda brusca repentina das taxas hormonais”, disse ela. Lá fui eu medir as tais taxas, que de fato caíram em relação ao mesmo teste do início de 2023. Se me faltava certeza, a véspera do Natal não me deixou mais em dúvida. Eu já não menstruava há quase dois meses e as falhas de fluxo menstrual são outro sinal de que essa nova fase feminina bate à porta. Perdi tanto sangue, fiquei tão impossibilitada de qualquer atividade, que minha mãe cogitou me levar ao pronto-socorro. Com remédio e repouso, fiquei ok para a ceia. Curioso que nos últimos meses, ao comentar sobre essas alterações para amigas e amigos, percebi que muita gente confundia climatério com menopausa. Diziam: “imagina, você está muito nova ainda”. O climatério é o período de transição do período fértil da mulher e inicia cerca de dez anos antes da menopausa. A menopausa em si é a parada definitiva da menstruação, quando o organismo da mulher cessa a capacidade reprodutiva. O lado bom é poder contar minha experiência pessoal aqui para vocês, sem medo ou vergonha. A confusão que as pessoas fazem entre climatério e menopausa é justamente por ter sido um tema tabu até outro dia. Felizmente, estamos em um momento de informação aberta sobre o assunto. Há excelentes influenciadoras nas redes sociais dividindo suas histórias e trazendo dicas essenciais, assim como há mais espaço na imprensa para falar de climatério/menopausa, além da discussão binária reposição hormonal sim ou não. Cada caso é um caso e o que funcionará para mim não necessariamente funcionará para minha melhor amiga. Há mulheres que melhoram com a reposição, outras que melhoram com antidepressivo, por exemplo. Há aquelas que bastam mudanças de hábitos para amenizar o quadro. O importante é ter especialistas de confiança e informações de qualidade para nos guiar por essa que é apenas mais uma etapa da vida. Não é sobre perder o valor como mulher ou prazeres, como os que vêm da sexualidade. É sobre mais uma adaptação necessária para quem quer seguir por mais 45 anos e contando! P.S.: E que ninguém venha dizer que é a fase para a mulher aceitar que é hora de aquietar. Nossa saudosa Rita Lee já cantava em Menopower: é pra quem nunca se entrega, é pra quem foge às regras. A gente não vai se entregar.