Cailee Spaeny e David Jonsson estão no elenco do filme que tem potencial de despertar novas gerações de fãs da franquia (20th Century Studios/Divulgação) Para fãs de ficção científica como eu, do tipo que chega a adorar o filme mesmo antes de assisti-lo, é sempre tenso quando uma nova produção é lançada, em especial quando ela é parte de uma franquia histórica. A chance de dar errado é sempre muito grande! Não é o caso de Alien: Romulus, que chegou esta semana aos cinemas e é um novo capítulo da franquia iniciada lá no fim dos anos 1970 com Sigourney Weaver e John Hurt na tela e Ridley Scott na direção. Romulus resgata em grande estilo o respeito que a saga sempre mereceu! A história se situa entre Alien e Aliens, os dois primeiros filmes (e os únicos que importam), e é focada em um grupo de jovens colonizadores que estão explorando uma estação espacial - a Romulus do titulo - à procura de uma câmara criogênica para congelá-los durante uma longa viagem espacial. Mas o lugar, claro, não estava tão abandonado quanto eles imaginavam. Eles passam a ser caçados por uma das formas de vida mais aterrorizantes do universo, primeiro na estação e depois universo afora. Foi um alívio perceber que o filme, ao contrário das últimas e fraquíssimas continuações (Covenant e Prometheus), remonta aos dois filmes originais e mantém o terror e o suspense em um excelente nível, dialogando muito bem com a ficção científica “de fundo”. Neste aspecto, o filme me lembrou demais o primeiro. Destaco a direção de arte e também o som e a música. É muito fácil errar neste campo em um filme de terror, até porque uma certa dose de tosquice e de falta de cuidado são até vistas como qualidades em alguns filmes do gênero. Aqui a coisa é caprichada, o horror da proximidade da criatura é angustiante, funciona muito bem. Uma curiosidade: a equipe que construiu as criaturas de Aliens: o Resgate (segundo filme da série) foi chamada para Romulus. Mérito total ao talentoso diretor uruguaio Fede Alvarez, um sujeito que vai além da possibilidade de cifrões e entrega um filme que foi obviamente imaginado e desenvolvido por um fã que soube preservar os melhores elementos deste universo, sem cair nas armadilhas de subverter ou encher a trama de fanservices, aquelas “homenagens” aos filmes anteriores que a certa altura acabam com a paciência do mais otimista cinéfilo. Tem alguns, mas na medida certa. Vale lembrar que o diretor do filme original, Ridley Scott, apoiou a nova produção e inclusive enviou uma carta bem-humorada ao diretor Fede Alvarez desejando boa sorte e pedindo a ele que não “estragasse tudo”. E com a bênção de Ridley, o uruguaio não decepcionou e mostrou que a franquia ainda tem potencial, inclusive de bilheteria, ainda mais sob a gestão da Disney, o que justificou a mudança acertada de estratégia, do streaming para o lançamento nos cinemas. Potencial, inclusive, para despertar novas gerações de fãs e uma coleção de novos filmes mais antenados com este público. Um filme que me surpreendeu, agradou e que indico aos fãs, em especial aos que como eu estavam desgostosos com os caminhos que a franquia havia tomado. Acreditem: melhorou muito!