[[legacy_image_192583]] A não ser que, neste momento, você esteja embrenhado em uma floresta, o cimento e o concreto estarão à sua volta, fazendo parte, há mais de 5 mil anos, da selva de pedra humana. Hoje, porém, esse versátil material precisa ser reinventado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Se o cimento fosse um país, seria o terceiro, atrás dos Estados Unidos e da China, na emissão de dióxido de carbono (CO2), gás responsável por até 60% do efeito estufa, que desequilibra o clima e permanece na atmosfera por mais de 100 anos. Em meio a uma corrida mundial pela redução do CO2, na qual até Elon Musk, dono da Tesla, destinou meio bilhão de reais para um concurso que apresente alternativas para isso, as algas surgem como promissoras nesse desafio. É o que afirma o pesquisador norte-americano Will Srubar. Como algumas algas produzem calcário, ele quer substituir o calcário mineral, usado na fabricação do cimento, por um similar produzido por algas. Segundo ele, dessa forma é possível não só zerar as emissões de CO2 no processo de produção do cimento, como torná-las negativas. Isso se deve ao fato de que as algas, em vez de lançarem CO2 na atmosfera, têm a capacidade de absorver esse material. Em uma área equivalente a 0,5% de todo o território norte-americano (1% da área de terra atualmente usada para cultivar milho), ocupada por lagoas para produção de algas, seria produzido cimento suficiente para atender a toda a necessidade dos EUA – o segundo maior consumidor mundial, atrás da China. A tecnologia está pronta e os testes demonstram que o produto tem as mesmas características do cimento tradicional. A perspectiva é tão positiva que o governo norte-americano decidiu investir quase R\$ 20 milhões nas pesquisas, ainda restritas aos laboratórios. Na verdade, vários países também buscam projetos que reduzam o CO2 atmosférico, adicionando mais de meio bilhão de reais em investimentos científicos. O objetivo é reproduzir o que a natureza já faz, como no processo de origem dos recifes de coral, só que em escalas capazes de atender à incontrolável demanda humana. O método pode ser feito em lagoas, como propõe Srubar, ou por meio de fazendas de algas, em fotobiorreatores – máquinas que aceleram a produção de algas, como prevê pesquisa da União Europeia. Dessa maneira, o cimento – responsável por edificações como o Pantheon de Roma (Itália), a maior cúpula de concreto sem suporte do mundo – passaria a ser biológico, livrando a sociedade de um dos gases mais nocivos ao equilíbrio do planeta. Cerveja, camarão e computadorDe remédios a alimentos, passando por ração animal, vitaminas, artigos de higiene e limpeza. As algas estão em (quase) toda parte. Na França, até a cerveja é feita com algas – a cor azul é resultado da alga verde-azulada com que é produzida. Já em Zurique, na Suíça, cientistas estão produzindo frutos do mar com algas, apostando no mercado de carnes vegetais. Enquanto isso, na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, cientistas exploram o potencial da energia produzida pela fotossíntese das algas. No laboratório, a corrente elétrica gerada interage com um eletrodo, que mantém um computador ligado.