[[legacy_image_239027]] Havia passado batido pela série A Vida Mentirosa dos Adultos, da Netflix, até ler em algum lugar que a inspiração é um livro da italiana Elena Ferrante, autora da história que deu origem ao filme A Filha Perdida e uma das preferidas da editora do domingo+, Fernanda Lopes. Assisti e não me arrependo, mesmo que seja uma narrativa bem mais tradicional do que o filme que eu tinha como referência. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Tudo se passa na Itália dos anos 1990, em uma família de classe média-alta. Pai, mãe, filha mais velha que mora fora e Giovanna, a filha adolescente, de 17 anos, ainda no colégio. É esta última a protagonista. Ela ouve os pais conversando sobre sua vida e o pai a compara a uma tia distante, Vittoria. Comparação, aliás, que não é elogiosa, já que a mãe complementa que a irmã do marido é “um verdadeiro monstro”. É óbvio que, além da revolta (“eu, um monstro?”), a comparação desperta a curiosidade da garota, que vai atrás da tia, mesmo apesar de todos os avisos. Ao contrário dos pais, ela mora na periferia, vive uma vida modesta e tem um temperamento muito difícil. Ao mesmo tempo, Vittoria é amorosa e calorosa, um tremendo contraste com a frieza que imagina viver em sua própria casa. O mundo de Vittoria é mais colorido, mais movimentado e também muito mais autêntico do que Giovanna está acostumada. Seus vizinhos passam o dia nos corredores do condomínio, numa rotina em que a convivência é quase obrigatória. E são aquele tipo de vizinho italiano que briga, grita e discute, mas está sempre junto. O contato e a convivência com essa tia vão virar a vida de Giovanna do avesso, com muitas consequências para ela e também para sua família. Sua rebeldia, que se expressava quase que exclusivamente na fuga da escola para dançar break em cima de um viaduto em frente à sua casa, toma outra dimensão a partir do momento em que ela começa a enxergar o mundo com um olhar diferente daquele para o qual havia sido treinada pelos pais. Ela ganha independência (de movimentos e de pensamento), toma coragem para encarar certos assuntos de frente (como a própria sexualidade) e confronta os seus pais sobre a vida mentirosa que eles levam (que o título da série já denuncia) e as atitudes questionáveis de suas vidas. E se mostra, de fato, cada vez mais parecida com a tia, enquanto a vida que conhecia até então desmorona bem na sua frente… Quer saber mais? A série A Vida Mentirosa dos Adultos está na Netflix e tem seis episódios, com pouco menos de uma hora cada um. Tem muito pouco de agradável ou de feliz, é puro suco de ressentimento e das dores que acumulamos ao longo da vida, mas, ao mesmo tempo, é uma jornada de libertação e de descobrimento. Se preferir ler a obra original, fica também a dica: o livro A Vida Mentirosa dos Adultos é da editora Intrínseca e pode ser encontrado (ou encomendado) nas grandes (e também nas pequenas) livrarias.