[[legacy_image_285030]] Babu Santana vive com a cabeça inquieta, pensando em formas de ampliar a sua presença não só artística como em iniciativas de caráter social. No ar em Amor Perfeito, novela das seis da TV Globo, o intérprete do Frei Severo diz que, após a participação no Big Brother Brasil (BBB) 20, passou a ter a chance de fazer papéis com os quais não estava habituado. O ator e produtor também se aventurou no mercado musical depois que saiu do reality show e criou a Paizão Records, selo de rap, trap e soul que caminha para uma nova fase. Na entrevista a seguir, o carioca de 43 anos fala ainda da relação com os filhos; da Nós do Morro, organização social pela qual passou e da qual atualmente é diretor, e da vontade de cursar a faculdade de Ciências Sociais e se experimentar no mundo da política. Como está sendo a repercussão de Amor Perfeito?Estou muito feliz de participar deste momento histórico das novelas, em que a presença de atores pretos é grande. Em algumas obras, mais da metade do elenco é preta. Isso foi tão sonhado e batalhado... Toda essa luta começa a dar frutos. Amor Perfeito também me coloca ao lado de ídolos, como Tony Tornado e Antonio Pitanga. Como artista, está sendo demais interpretar um personagem com tantos elementos de composição: o Severo é uma pessoa sensível, um padre dos anos 1940, do interior de Minas Gerais. Lamento que a novela vá terminar em setembro. O Severo foge do estilo de papel que você fazia.Nessas horas, a gente pode provar nossa capacidade e mostrar que não precisa ficar preso a um estereótipo. A resposta do público tem sido muito positiva. Me emociono com a recepção das pessoas. Tem gente que se surpreende. Nas redes sociais, até comentaram: “Nossa! O Babu chorando!” Lembro que, quando saí do BBB, as pessoas me viam na rua e davam berros, por me associarem à bagunça. Hoje, com o Frei Severo, existe uma reverência. Tem quem chega falando baixinho ou que pede para se aproximar. É legal demais interpretar um personagem carismático, porque recebo um carinho tão gostoso do público. As pessoas ainda falam do Big Brother?Com certeza! Acho que algo que contribui é o fato de ter participado de uma edição marcante. Tem gente que diz que parece que sou íntimo. Antes de entrar na casa eu já tinha uma carreira consolidada, com papéis emblemáticos como o Tim Maia, mas o programa deu uma potencializada nisso. O mercado passou a me colocar em personagens diferentes dos que estava habituado a fazer. Para um artista, não há nada melhor do que poder mostrar a sua versatilidade. O BBB ainda deu uma injeção na minha presença na internet. Antes, eu não tinha nem smartphone. Quando saí da casa, entendi que precisava me atualizar e entender melhor como usar as redes sociais para a profissão. Fui me aprimorando e, hoje, não fico mais tão perdido no meio digital. Como anda o selo Paizão Records?Ele é uma espécie de cooperativa, em que um ajuda o outro. Estamos entrando no nosso segundo ano com uma linha de lançamentos e bons números no Spotify. O desafio agora é tentar conquistar um espaço no mercado de shows. Eu falo para o pessoal: “Ficar famoso é uma consequência do trabalho, quase uma loteria. O normal é não dar certo. Mesmo assim, a gente sempre vai adquirir conhecimento”. A sua casa continua servindo de estúdio?Não. Gravamos as primeiras músicas na minha casa por causa da fase mais crítica da pandemia, porque lá era um lugar onde a gente podia ter mais controle do risco. Gastamos bastante dinheiro em testes de covid. Graças a Deus, ninguém contraiu o vírus no período. Hoje, temos um estúdio de fácil acesso, em São Conrado (Rio de Janeiro). Você se considera um paizão?Pela primeira vez, estou tendo o privilégio de os meus filhos mais velhos morarem comigo. Eu sempre estive presente, só que nos fins de semana e folgas. Devido à minha rotina louca, foi uma opção minha e da mãe dos dois eles ficarem com ela enquanto eram pequenos e precisavam de uma base maior. Os dois agora cursam a faculdade (Fisioterapia e Comunicação) e eu deixei de ser apenas o “pai bagunça”. Me tornei também aquele que cobra se arrumaram o quarto, que fala para aproveitarem o privilégio da graduação. A minha filha menor, quando crescer, vai ficar mais comigo, igual os irmãos. Eu os amo. Tive sorte, pois são muito melhores do que eu fui para a minha mãe. Os meus filhos são pessoas do bem, dedicadas aos estudos e não me dão trabalho. Tem projetos engatilhados?Recebi convites para fazer cinema e teatro. Há anos não subo no palco e isso sufoca, porque vim do teatro, foi ele que me deu toda a base não só artística como moral e social. Em paralelo, pretendo intensificar meu trabalho de diretor da Nós do Morro, organização social pela qual passei (e que transforma vidas através do acesso à arte e à cultura, com capacitação profissional). Tenho pensado em trabalhar com o social de forma mais contundente, me preparando para isso. Devo prestar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para fazer faculdade de Ciências Sociais no ano que vem. E daqui a quatro, cinco anos, talvez me candidate ou busque outra maneira de me inserir ainda mais na questão política e social. Como o social me trouxe até aqui (Babu cresceu no Morro do Vidigal, no Rio), desejo ser cada vez mais ativo e ultrapassar os limites do meu quintal. Fora isso, está em produção a minha biografia. A minha cabeça é inquieta; quero ter conteúdo verdadeiro para transmitir às pessoas. Longe de mim ser um peso inútil na internet, fazendo os seguidores gastarem dados à toa.