[[legacy_image_278360]] O tempo é um bem precioso (para não dizer escasso) na vida de Nanda Costa. Afinal, ela se divide entre a criação das filhas gêmeas, Kim e Tiê, de 1 ano, e a movimentada agenda profissional. No momento, a atriz de 36 anos pode ser vista no filme Derrapada, adaptação do livro Slam, em que interpreta uma mãe que ajuda o filho a lidar com algo que ela também vivenciou na adolescência: uma gravidez precoce. Na entrevista a seguir, Nanda fala também sobre os seus próximos trabalhos, de maternidade, da relação com a percussionista Lan Lanh e da paixão pela música. O que mais pesou para você fazer o filme Derrapada?O papel foi algo bem determinante, assim como a possibilidade de trabalhar com o Pedro Amorim (diretor) e a Izabella (Faya, produtora e uma das roteiristas). Quando ela contou que a Melina, minha personagem, tinha sido mãe aos 17 anos, falei: “A minha mãe também me teve nessa idade”. Só por isso já queria fazer o filme. Outro fator que pesou foi poder contracenar de novo com o Matheus Costa, que interpreta o Samuca, filho da Melina. Conheci esse menino no meu primeiro trabalho, a novela Cobras & Lagartos, em 2006. Naquela época, ele era um ator mirim na sua segunda novela. Como tinha mais experiência do que eu, o chamava – brincando – de veterano (risos). Quando olha para trás e vê tudo o que conquistou na carreira, qual é a sensação que você tem? Fico feliz e agradecida por já ter feito tanta coisa. Às vezes, me vejo até surpresa com as minhas conquistas. Tem trabalho que agora, quando assisto de novo, penso: “Se fosse hoje, me sairia tão melhor...” Mas, na época, fiz o melhor que conseguia. Também não sou de ficar olhando muito para trás, porque estou sempre querendo ir adiante, me aperfeiçoar. Sem falar que, com duas filhas gêmeas, quase não sobra tempo para reflexões como essa. A maneira como conduz a sua carreira mudou após ser mãe?Nossa! A maternidade muda tudo! Todos os clichês são reais. Quando o filho nasce, a gente vira mesmo de cabeça para baixo e passa a ter outro olhar para o mundo. Antes, se eu não curtia uma cena que fiz, ficava sofrendo depois que saía do estúdio. Hoje, não dá mais tempo para isso, tenho que ver se recebi alguma mensagem no celular referente às meninas, se preciso fazer algo e, quando chego em casa e vejo os sorrisos delas, esqueço do que aconteceu no trabalho. Eu sempre fui muito comprometida com a profissão e exigente, até um pouco perfeccionista. Eu me cobro demais! A diferença é que hoje, por mais que a carreira seja uma das minhas prioridades, tenho dois seres humanos – pelos quais sou responsável – que estão acima disso. Como tenho tanta coisa para administrar, o tempo anda precioso. Brinco que vou para o trabalho para descansar (risos). Recentemente, você tornou pública a sua ligação com a música. Como surgiu o interesse por esse universo?Em Paraty (RJ), onde nasci, não havia escola de teatro e, por isso, comecei a participar do coral da cidade. De vez em quando, também cantava no restaurante da minha mãe, nos dias de música ao vivo. E ganhei um violão para jogar menos videogame. Aí, com o tempo, montei uma escola de teatro em cima do negócio da minha mãe. Inclusive, essa carência local de cursos de artes cênicas foi o motivo de eu ter saído tão nova de Paraty. Meu sonho era estudar no Rio de Janeiro, mas minha mãe disse que isso só ocorreria quando eu pudesse pagar as minhas contas. Acabei me mudando para São Paulo, pois minha tia morava lá. Voltando à música, ela sempre foi uma paixão, nunca a minha profissão. As experiências nesse universo acontecem naturalmente. Por exemplo: gosto bastante de compor e até escrevi algumas letras com a Lan (Lanh, percussionista e mulher de Nanda). Uma das minhas composições, que foi gravada pela Maria Bethânia e se tornou trilha do Entre Irmãs, filme e série que fiz, acabou indicada para o Grammy Latino. Também integrei o projeto Batida Nacional, com a Lan e o DJ DeepLick. Só que passei a não me divertir fazendo música; ficava nervosa antes, durante e depois. A participação no The Masked Singer mudou isso. Foi algo bem legal, emocionante. Tem projetos engatilhados?Estou terminando de gravar a segunda temporada da série Justiça, com a Paolla Oliveira, para a Globo e o Globoplay (com lançamento previsto para outubro). Na trama, a minha personagem vai presa por um crime que não cometeu e, quando sai da cadeia, busca justiça. Além disso, o GNT acaba de exibir Do Amor e de Luta, série documental sobre famílias diversas e coloridas, em que eu e a Lan falamos da nossa história. Com isso, espero que outras famílias percebam que não estão sozinhas, que foi exatamente como me senti muito tempo da minha vida. Você procura se engajar nas causas LGBTQIA+ sempre que consegue?Acho que eu existindo, resistindo e trabalhando já é uma baita contribuição. Lá atrás, quando eu protagonizei uma novela das nove, não havia personagens principais com as quais realmente me identificasse. Eram outros tempos. Mostrar quem eu realmente era poderia atrapalhar a minha carreira. Hoje em dia, está diferente. Para você ter ideia, com a capa que traz eu e a Lan juntas, a Marie Claire foi a primeira revista de moda brasileira a estampar duas mulheres que se amam, e isso ganhou repercussão internacional. Assim como eu, outras meninas também estão vivendo suas verdades, seus amores e trabalhando, prosperando.