[[legacy_image_270545]] Não há como fugir: o grande lançamento desta semana, em qualquer que seja o meio, é A Pequena Sereia, reimaginação da clássica história de Hans Christian Andersen que a Disney lançou como desenho nos anos 1990 e que, agora, em meio a uma crise que atinge praticamente toda a indústria do audiovisual, relança com atores, muitos efeitos visuais e a mesma expectativa do lançamento original: marcar o início de uma espiral positiva para o estúdio do Mickey. O live action faz parte de uma estratégia de muitos anos, de transformar os maiores sucessos de animação do estúdio em filmes, modernizando-os para apresentá-los às novas gerações e também fazer com que tenham sua curiosidade despertada para os originais – encontrados, adivinhe, no streaming Disney+, que precisa desesperadamente de novos assinantes. Não é nem o melhor desta safra (eu adorei Aladdin, com Will Smith) e está longe de ser o pior (Pinóquio, que foi direto para o streaming, ocupa o posto). Acompanhei todo o desenrolar desta produção nos últimos anos pelos motivos errados: a polêmica sem o menor sentido de alguns fãs a respeito da atriz que vive a protagonista (se quiser saber dê um Google, não vou me alongar nesse assunto, que gira em torno de uma canalhice que não tem outro nome senão racismo). Halle Bailey, a intérprete de Ariel, além de se revelar uma ótima atriz, é uma cantora fenomenal. É ela uma boa parte da graça e da razão do novo A Pequena Sereia ser uma ótima diversão e fazer muita justiça tanto à história original quanto à animação. O álbum com a trilha sonora, quase todo baseado em sua voz, já disponível nos streamings de música, é obrigatório para quem gosta de faixas ao “estilo Disney”. A história? Sem grandes novidades nesse departamento. A princesa Ariel, uma sereia, filha do rei Tritão (Javier Bardem, ótimo), não está muito feliz com seu destino, traçado desde o nascimento, de ser uma figura decorativa dentro de uma monarquia dos oceanos. Ela sonha com o que não conhece, principalmente com o mundo da superfície, que costuma visitar escondida do pai, ao lado dos amigos Sebastian e Linguado. De longe, Ariel é acompanhada por Úrsula, a irmã de seu pai, amargurada e ambiciosa, sem muito caráter, mas cheia de poderes mágicos. É ela que propõe uma troca com a sobrinha que pode ser fatal para a sonhadora, mas corajosa princesa. A carinha sempre angelical e doce de Melissa McCarthy (de Mike & Molly, Gilmore Girls e Caça-Fantasmas) é perfeita para o papel! No mais, o filme entrega – em 2h15 de produção, prepare-se – tudo o que promete. Novas canções, as músicas clássicas com nova roupagem, direção de arte colorida e espalhafatosa e ótimo elenco, que inclui Jonah Hauer-King como Príncipe Eric, o interesse amoroso da protagonista (cuja relação com ela vai muito além da atração física), Awkwafina, Jacob Tremblay e Daveed Diggs. Nos últimos anos, vários filmes têm sido apontados como “aquele que vai levar as pessoas de volta às salas de cinema” (o novo de Martin Scorsese, Assassinos da Lua das Flores, é o mais recente da lista). Não sei. O cinema ficou caro como programa familiar em comparação com o streaming, a gente tem sempre que aguentar um chato falando na cadeira ao lado... Mas, como experiência coletiva, com todos os problemas, não há nada igual! E filmes como este A Pequena Sereia, que enchem a telona com espetáculo de cores e luzes, mostram que ainda há motivos para ir ao cinema. Assista! Nota do crítico: +++++