[[legacy_image_266755]] Fazer rir virou a marca de Rafael Infante. Mas, apesar de ter se tornado conhecido pelo grande público no canal de humor do YouTube Porta dos Fundos e de ter brilhado na TV em trabalhos como o sitcom Vai Que Cola e a novela Bom Sucesso, ele procura não se limitar e busca exercitar suas múltiplas facetas de ator. E até ir além da interpretação, ainda mais que também é apaixonado por música – esse universo, inclusive, entrou na sua vida antes mesmo das artes cênicas. Para completar, Rafael vem se aventurando num território até então desconhecido no quadro Dança dos Famosos, do Domingão com Huck. Louco por esportes – tanto que costuma praticar natação, tênis e vôlei –, o carioca de 37 anos, na entrevista a seguir, fala ainda de paternidade e da parceria profissional com a mulher, a escritora e roteirista Tatiana Novais. O que está achando da experiência no quadro Dança dos Famosos?Dançar é algo totalmente novo para mim, que me expande. Acho que todo processo que você se propõe a fazer de verdade acaba proporcionando um autoconhecimento, sabe? Já imaginava que o quadro teria bastante repercussão, mas a forma como as pessoas acompanham e torcem pelas equipes chega até a ser surpreendente, avassaladora. Quando recebi o convite para participar do Dança dos Famosos, bateu uma incerteza, porque é algo que foge do que eu estou acostumado a fazer. Só que deixei a minha intuição falar e topei essa jornada. A dinâmica do quadro é assim: a professora apresenta a coreografia no sábado, a gente ensaia segunda, terça e quarta e, quando pisca, já está no palco gravando o programa, na quinta-feira. Aí, a semana seguinte, que é a das meninas se apresentarem, tenho livre, para descansar e fazer todas as minhas outras atividades. Tem mais projetos engatilhados? Sim, não estou parando. Encontra-se em fase de finalização o filme Não Tem Volta, que rodei com a Manu Gavassi e que deve ser lançado em setembro. Trata-se de uma comédia romântica que foge do clássico, por mesclar o gênero com aventura e ação. Pude trabalhar outras camadas de atuação nesse longa, ir além do humor. Em paralelo a isso, pretendo lançar algumas músicas até o fim do ano e estou montando meu novo espetáculo solo de teatro. Nele, o público poderá me ver de várias formas, explorando múltiplas possibilidades minhas enquanto artista. Com certeza, não será um stand up. Embora já tenha feito bastante esse tipo de show, dei uma cansada do formato. O humor aconteceu naturalmente para você? Antes de entender que poderia trabalhar com isso, o humor era algo natural na minha família, na minha escola, no meu dia a dia. Só quando comecei a me dedicar ao teatro percebi que tinha um tempo para a comédia e passei a me interessar pelo gênero, a estudá-lo. Mesmo assim, a minha busca sempre foi por ser ator. Apenas uni o humor a isso. Fazer música é algo mais recente? Na verdade, a música veio antes do teatro. Achei, inclusive, que ia seguir nela. Mas as coisas aconteceram de outra maneira. Minha família é bem musical. Lembro que a Tropicália mexeu demais comigo, abriu a minha cabeça. Tive uma banda, à qual me dediquei com a maior seriedade. A gente fazia festivais e estava superenvolvido com o cenário underground das bandas cariocas, porém a vida levou cada um para um caminho diferente. Por gostar de arte e de pesquisar o ser humano – já que sou filho de psicanalistas –, acabei ingressando na faculdade de Cinema. Aí, como nos filmes que rodávamos no curso eu me envolvia mais com a parte da atuação, entendi que essa era a minha paixão e fui me formar ator. De um tempo para cá, retomei a música (em 2021, Rafael lançou a faixa Olha a Lua, com a cantora Kell Smith). O que acontece é que o Brasil acaba sendo cruel nesse sentido. Quando alguém que já tem uma carreira estabelecida em determinada área diz que vai tentar algo diferente, surgem comentários do tipo: “Aquele cara da comédia agora vai fazer música? Como assim?” Eu não vou deixar de expressar o que vem da minha alma, da minha mente. Continuo fazendo as coisas com a mesma verdade e o mesmo brilho no olhar de quando era mais novo. Ainda estudo bateria; nesse caso, considero uma espécie de hobby. A sua mulher é roteirista e vocês, aliás, já fizeram vários trabalhos juntos. Como procuram equilibrar essa parceria? É um desafio, porque, se deixar, a gente fala de trabalho até no almoço e no jantar. Nos conhecemos trabalhando. A Tatiana (Novais) produzia e atuava numa peça em que entrei de última hora. Desde então, não nos desgrudamos mais. Costumamos criar muitos projetos juntos, já obtivemos diversas conquistas na nossa vida trabalhando em parceria. Só que temos o cuidado de dar algumas pausas nisso, para voltarmos a ser namorados. Apesar de termos vários projetos planejados para tocarmos juntos, estamos num desses períodos de intervalo. Você mudou muito após se tornar pai?Completamente! Na realidade, mudo todo dia. A paternidade é um convite para você sair do egoísmo, pois a sua vida passa a ser em função do filho. É um amor que chega a doer. Desde que a Lara (que está com 7 anos) nasceu, tenho uma outra relação com o tempo e lido com o trabalho de uma maneira diferente. A responsabilidade, os porquês de eu sair de casa mudaram. É como buscar o equilíbrio numa corda bamba. O que também acaba sendo mais uma chance de autoconhecimento.