[[legacy_image_206540]] Assim que Qin Shi Huang se tornou o primeiro imperador da China, há pouco mais de 2.200 anos, ele ficou obcecado pela vida eterna. Seus súditos percorreram o império atrás de um elixir, mas o que ele acabou tomando foi um composto tóxico que se acredita ter provocado sua morte, aos 49 anos. Hoje, cientistas e bilionários ainda buscam o ser amortal, ou seja, aquele que biologicamente pode estender sua vida indefinidamente. E as ferramentas até já estariam à disposição. Estamos falando, por exemplo, da engenharia genética e da nanotecnologia. Por meio delas, manipularíamos as células e as tornaríamos imunes ao envelhecimento. Há até quem estabeleça um prazo, ainda neste século, para que a Ciência alcance tal feito. EternasAté mesmo a Natureza nos oferece algumas esperanças. Há poucas semanas, pesquisadores espanhóis conseguiram pistas para desvendar as estratégias que fazem com que uma espécie de água-viva volte a ser jovem quando atinge a idade adulta. Eles descobriram que o animal possui uma singular capacidade de produzir uma série de replicações e reparos em seu DNA. E isso ocorre porque essa água-viva possui um número maior de genes envolvidos nessas tarefas do que suas parentes. Outro grupo de cientistas resolveu se dedicar ao estudo da baleia-da-groenlândia, o mamífero com a maior expectativa de vida já descoberto (cerca de 200 anos) e a única espécie já sequenciada que vive mais do que nós. Esses cetáceos têm uma baixa incidência de doenças relacionadas à idade, como câncer, mesmo possuindo mil vezes mais células do que os humanos. SegredosPorém, quando células da baleia foram submetidas a mutações indutoras de câncer, em laboratório, os tumores apareceram. O segredo, pelo menos nesse caso, ainda foge à nossa compreensão. Outro animal longevo é um roedor das estepes russas. Enquanto nos ratos em geral a taxa de câncer chega a 90% quando se atinge a velhice, nessa espécie, em particular, apenas dois casos foram encontrados entre milhares estudados. As tartarugas também são longevas e algumas se aproximam de 200 anos. Um estudo dinamarquês acredita que elas encontraram uma maneira de desacelerar ou até mesmo desligar completamente o processo de envelhecimento. EstratégiasMesmo que tais estudos demonstrem caminhos promissores, isso não significa, pelo menos até o momento, que esses e outros animais sejam imortais. Em outras palavras, o seu risco de morte não aumenta com a idade, mas ainda é maior que zero. Como boa parte desses dados são públicos e podem ser compartilhados entre os cientistas, as conclusões indicam que não há um fator, mas sim um conjunto de estratégias que permite o desenvolvimento não só de uma vida longa, como também saudável. A questão é como empregar esses conhecimentos nos seres humanos para obter resultados semelhantes e não seguir a sina do imperador chinês, transformando o elixir da vida longa em um veneno. CentenáriosO estudo da longevidade não se resume aos centros públicos de pesquisa. Bilionários como o norte-americano Jeff Bezos já investem em empresas de biotecnologia que buscam ampliar a nossa expectativa de vida. E como esses estudos são privados, surgem temores. Quem se beneficiará desses futuros tratamentos? Essas drogas estarão ao alcance apenas de quem possa pagar? Alguns pesquisadores, todavia, salientam que a qualidade de vida será sempre preponderante, como mostra a nossa própria história. Dados da ONU demonstram que, em 1960, a expectativa de vida era de 52 anos. Hoje, beira os 75 anos, com taxas inéditas de centenários. Assim sendo, viver bem será sempre a verdadeira e principal equação para viver mais.