Sean Diddy, à direita, está preso em prisão conhecida como 'inferno na terra' em Nova York. À esquerda, Jeffrey Epstein, acusado de operar esquema de tráfico sexual e encontrado morto em sua cela em 2019 (Reprodução) O rapper Sean Combs, conhecido como Diddy, preso por acusações que incluem tráfico e abuso sexual, agressão, conspiração para extorção, envolvimento em prostituição, entre outros crimes, está preso em uma cela antisuicídio da Metropolitan Detention Centre, Brooklyn (MDC Brooklyn). Esta é a única prisão federal em funcionamento em Nova York, após o suicídio de Jeffrey Epstein em 2019. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a imprensa internacional, Diddy foi colocado em uma cela antisuicídio e tem se recusado a comer dentro da prisão, que também é considerada o ‘inferno na terra’. Larry Levine, ex-detento da mesma penitenciária, afirmou ter fontes internas que relataram que Diddy está se recusando a comer por medo de ser envenenado no MDC-Brooklyn. A ‘paranoia’ do rapper não é injustificada: Cameron Lindsay, ex-diretor aposentado do MDC-Brooklyn e especialista em administração penitenciária, explicou que a vida do cantor está em perigo na penintenciária. “O status enorme de celebridade dele e as acusações de violência contra mulheres fazem dele um alvo muito atraente. Na subcultura das prisões, atacar alguém como ele é considerado um símbolo de honra”, disse Lindsay à People. Justamente por isso é comum que presos famosos — o presídio já abrigou o rapper R. Kelly, a atriz Allison Mack, a Chloe de Smallville e Ghislaine Maxwell, esposa de Jeffrey Epstein, todos acusados de tráfico sexual — sejam mantidos isolados justamente para evitar ataques. Metropolitan Detention Center, Brooklyn (Reprodução) ‘Inferno na terra’ De acordo com o The New York Times, além dos surtos de violência entre os presos, os detentos do MDC enfrentam infestações de ratos e banheiros com esgoto exposto. Os problemas de infraestrutura também incluem mofo, comida contaminada por insetos e superlotação: são cerca de 1,6 mil presos, muitos que ainda aguardam por julgamento tal como Diddy. Os advogados do rapper alegaram “condições horríveis” na prisão no pedido para que Diddy aguardasse o julgamento em liberdade, que foi negado pela Justiça norte-americana. A alcunha de ‘inferno na terra’ foi dada pelo advogado de um detento que morreu lá em julho por conta de ferimentos sofridos em uma briga. Como o histórico de violência entre detentos é extenso, não há travesseiros no local por risco de uso para sufocamento. A rotina no MDC Brooklyn é bem rígida, de acordo com o ex-diretor Lindsay. O café da manhã é servido às 6h e geralmente consiste em cereais, frutas e uma fatia de bolo. às 7h30, ele já deve ter arrumado sua cama e esfregado o chão da cela para limpá-la. Diddy, assim como os outros detentos, recebe três refeições por dia — o almoço geralmente é servido às 11h e o jantar após às 16h —, tem direito a uma hora diária de recreação e pode tomar banho três vezes por semana. As visitas do rapper são limitadas a advogados, com pemissões esporádicas para amigos e familiares. A imprensa internacional também já noticiou diversas quedas de energia elétrica no MDC. Dentre elas, uma em janeiro de 2019 deixou os presos uma semana sem aquecimento durante o inverno. Segundo a agência Associated Press, pelo menos seis funcionários da prisão já foram indiciados por crimes nos últimos cinco anos acusados de aceitar subornos e realizar contrabando de drogas, cigarros e celulares. Há relatos também de retaliações aos presos com o uso abusivo de sprays de pimenta, remoção para celas solitárias e desligamento de sanitários. Protesto contra Epsteinna frente do tribunal de Nova York em agosto de 2019 (STEPHANIE KEITH (AFP)) ‘Suicidal watch’ e Jeffrey Epstein A “suicidal watch”, ou cela antisuicidio, é uma área diferenciada da penitenciária norte-americana: de acordo com o Instituto Nacional de Correções do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Trata-se de um espaço com “precauções de supervisão tomadas para presos suicidas que exigem observação frequente”. No entanto, o estado mental de Diddy ainda é incerto e, ainda conforme a imprensa internacional, não se sabe há quanto tempo o rapper está na cela antisuicídio. A medida pode ser uma precaução já que o MDC-Brooklyn é conhecido por ser perigoso e, segundo os advogados do cantor, pelo menos quatro suicídios ocorreram lá nos últimos três anos também. É possível, ainda, estabelecer uma relação com o caso de Jeffrey Epstein. Jeffrey Epstein era um milionário americano conhecido por se associar a celebridades, políticos e magnatas. O magnata tinha 66 anos quando foi encontrado morto em sua cela na prisão, onde aguardava por julgamento, acusado de ter abusado de meninas de 14 anos entre 2002 e 2005 e de operar uma rede de exploração sexual de menores de idade. Ele ficou cerca de um mês preso antes de tirar a própria vida em 2019. Os documentos do processo contra ele, divulgados pela Justiça norte-americana neste ano, citam nomes como Bill Clinton, príncipe Andrew do Reino Unido, Donald Trump, Kevin Spacey tinham relação com Epstein, que mantinha uma ilha no Caribe — Lolita’s Island — para receber figuras influentes que também buscavam se relacionar com crianças e adolescentes. A esposa de Epstein, a socialite Ghislaine Maxwell também fazia parte do esquema que traficava as meninas para a ilha, onde acontecia a maioria dos abusos. Havia cerca de 70 funcionários a dispor do magnata e até mesmo um jato, apelidado de “Lolita Express”, para levar as vítimas até o Caribe. O suicídio do magnata teria acontecido após uma série de falhas no Centro Correcional Metropolitano. Com a morte de Epstein, a ação criminal contra ele foi encerrada. Os advogados das vítimas prometeram ir atrás do patrimônio dele, avaliado em mais de US\$ 577 milhões, para ressarcimento das meninas abusadas. Há quem acredite que o magnata tenha morrido sem revelar informações importantes sobre o esquema criminoso, o que gera espaço para teorias da conspiração de que ele tenha sido, na verdade, assassinado — o próprio irmão de Epstein acredita nesta versão da história.