O imunizante é voltado a crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais, entre outros públicos (Alexsander Ferraz/AT) O Ministério da Saúde adquiriu aproximadamente 80 milhões de doses da vacina trivalente contra gripe, produzida pelo Instituto Butantan, para a campanha nacional de vacinação deste ano. O imunizante é voltado a crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais, entre outros públicos. Contudo, enquanto a campanha de vacinação ocorre nos postos de saúde de todo o Brasil, a desinformação sobre o imunizante também é uma constante. Para evitar dúvidas e combater a hesitação vacinal, a gestora médica de Desenvolvimento Clínico do Butantan, Carolina Barbieri, desmente 10 fake news ligadas à vacina da gripe. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! 1- "A vacina do Butantan não protege da gripe nem do vírus da gripe A (H1N1)" Ela tem eficácia de mais de 80% contra hospitalizações e mortes, sobretudo em populações mais vulneráveis, como crianças pequenas e adultos acima de 60 anos. Além disso, a vacina tem eficácia de até 60% contra os principais sintomas da gripe, como febre, mal-estar, dor de garganta e sintomas respiratórios. Ela é composta pelos vírus influenza A/Victoria (H1N1), A/Croácia (H3N2) e B/Áustria (linhagem Victoria). Essas são as cepas de gripe que mais tendem a circular no país em 2025. Portanto, é falso dizer que a vacina não protege da doença. 2- "A vacina causa gripe ainda mais forte do que ser infectado pelo vírus" O imunizante do Butantan é feito com fragmentos de proteína de cepas de vírus inativados (mortos), incapazes de infectar humanos. Por isso, é falso dizer que ela causa a doença. Outro ponto a se considerar é que o vírus influenza aparece com mais força durante o outono e o inverno, mesmo período de circulação de outros vírus respiratórios, como o parainfluenza, o Sars-CoV-2, o vírus sincicial respiratório (VSR) e o rinovírus, entre outros, que provocam sintomas parecidos. Pessoas vacinadas contra gripe que já tenham sido infectadas com outro vírus respiratório no mesmo período da imunização podem desenvolver os sintomas desse vírus, confundindo a doença com a influenza. 3- "Dentro da vacina da gripe tem uma vacina contra covid-19" Ela contém apenas fragmentos inativados de proteínas dos vírus influenza, sendo falso dizer que há cepas de Sars-CoV-2 na sua formulação. Não há nenhuma vacina licenciada no mundo até o momento que contenha tanto cepas de influenza quanto do Sars-CoV-2. Embora haja estudos em andamento, não há nada sendo comercializado e usado neste momento. 4- "A vacina contra gripe pode causar trombose e câncer" Não há nenhum embasamento científico que correlacione casos de trombose, câncer ou qualquer outra doença à administração da vacina trivalente contra a gripe do Butantan. Ao contrário, evidências científicas demonstram que a vacina previne sintomas graves causados pelo influenza em pessoas com imunossupressão por câncer porque diminui o risco desses quadros aparecerem. O fato de a vacina ser indicada para populações mais vulneráveis, como crianças, idosos e gestantes, mostra que é uma vacina segura, com eventos adversos raros. 5- "A vacina da gripe causa aborto em grávidas" Não há qualquer evidência científica de que a vacina da gripe cause aborto em gestantes. Ao contrário, a vacina do Butantan é de plataforma inativada, indicada para gestantes justamente por conter em sua composição apenas fragmentos inativados do vírus, incapazes de infectar humanos, e é considerada totalmente segura para este público. Segundo a OMS, as gestantes fazem parte do grupo de pessoas que têm maior risco de desenvolver complicações quando infectadas pelo vírus da influenza. Por isso, devem se vacinar. Além disso, a vacinação da mãe ajuda a proteger o bebê. 6- "Não preciso tomar vacina este ano se tomei no ano passado" A revacinação anual contra a gripe é fundamental por dois motivos: o primeiro é que a proteção conferida pelo imunizante cai progressivamente seis meses depois da aplicação, pelo fato de a vacina ser de plataforma inativada. O segundo é a característica do vírus influenza, que ao se replicar gera variação genética dos subtipos de influenza circulantes, que mudam com frequência. Mesmo que o efeito da vacina durasse mais tempo, ela poderia não proteger contra os vírus presentes no inverno seguinte. 7- "Tenho mais de 60 anos, já tomei muita vacina na vida, não preciso mais tomar" A vacina contra gripe deve ser tomada todos os anos, sobretudo pelo público com mais de 60 anos, o que mais sofre com internações e mortes pela doença. O fato de ter recebido o imunizante no ano anterior não causa nenhuma sobrecarga ou contraindicação para a aplicação no ano seguinte. Um caso célebre foi o do cantor Lulu Santos, de 71 anos, que deixou de tomar a vacina no inverno passado e ficou internado na UTI em decorrência de sintomas de influenza. Outro caso mais recente foi o do cantor Ronnie Von, de 80 anos, que ficou 10 dias na UTI, também em decorrência da doença. 8- "Não dou a vacina da gripe para meus filhos porque vacinas fazem mal à saúde" O imunizante previne sintomas e formas graves de influenza também nas crianças. Por isso, o Ministério da Saúde indica a vacinação prioritária para essa faixa etária. As crianças são um grupo de risco de complicações pela doença, sobretudo as menores de 6 anos, com risco ainda maior entre as menores de dois anos, que ainda estão com o sistema imunológico em desenvolvimento. Outro problema de não vacinar as crianças é que elas podem propagar o vírus entre outras crianças no ambiente escolar e para membros da família. 9- "Não preciso tomar vacina contra a gripe porque me alimento bem" Hábitos alimentares saudáveis são sempre bem-vindos, pois fortalecem o sistema imunológico, mas não são capazes isoladamente de prevenir a gripe. Há estudos que abordam o poder anti-inflamatório do própolis, por exemplo, mas nada que comprove que o composto seja capaz de proteger de uma infecção pelo vírus influenza. Os grupos prioritários continuam precisando tomar a vacina para evitar casos graves. 10- "Não preciso tomar vacina porque faço exercícios físicos regularmente" A lógica é a mesma da alimentação saudável, que ajuda a reforçar o sistema imunológico, mas isoladamente não previne contra nenhum vírus. Pessoas que fazem exercício físico e estão nos grupos prioritários também devem tomar a vacina para se prevenir contra sintomas e complicações.