[[legacy_image_234659]] Uma nova chance. Quando o relógio entra no novo ano, surge a oportunidade de renovação. É um recomeço, com a chance de ter aventuras, estabelecer metas, evoluir e curar feridas internas. É a possibilidade de se jogar no novo e deixar para trás o que assombra. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A psicóloga Jéssica Tedesco explica que o Ano-Novo é época de desapegar do passado. “As pessoas costumam projetar muitas expectativas em um novo ano. Eu costumo brincar com quem eu converso e digo que, se 2023 fosse uma pessoa, seria alguém muito ansioso, pois todos esperam bastante coisa dele”. “Qualquer movimento de renovação e de deixar o passado para trás é muito válido, desde que a gente lembre que não é só porque o ano mudou que magicamente as coisas mudam.Existem diversas variáveis para os acontecimentos da nossa vida, mas o que ajuda a ressignificar esse passado é trabalhar para conseguir se enxergar como o protagonista da sua trajetória, entender que nem tudo depende do acaso e do destino”. A profissional afirma que é preciso assumir a responsabilidade de enxergar potencialidades e falhas pessoais. “Abandonar a posição de que somos vítimas do destino. A partir desse pensamento, conseguimos começar a olhar para nossa história com mais carinho, responsabilidade e autonomia”. “Não podemos excluir o passado de nossas vidas, precisamos fazer as pazes com ele. É preciso entender que o passado é uma roupa que não nos serve mais, mas que continua em nosso guarda-roupa e, de vez em quando, pode ser importante revisitá-lo para pensar como você quer levar sua vida daqui para frente e planejar suas metas e objetivos”, menciona. Encarar o novoPara se aventurar nas oportunidades que 2023 pode oferecer, é necessário perder o medo do novo. Para o psicólogo Alexandre Rojas, o que está por vir pode assustar no início. “O novo sempre traz sentimentos, às vezes, contraditórios. O novo gera curiosidade e expectativas boas, mas pode gerar, também, medos. Temos medo de mudar e medo de não mudar. Medo de ficar parados no mesmo patamar e, ao mesmo tempo, de perder as conquistas já adquiridas”. “O medo do novo é natural, pois temos uma tendência a nos preservar, manter o equilíbrio conquistado, mesmo que nem sempre funcional. Essa é a nossa natural resistência à mudança. Mas, no fundo, tudo muda, quer queiramos e aceitemos ou não”, acrescenta. Para driblar essa resistência e medo do novo, o especialista ensina uma estratégia útil: não olhar para grandes mudanças. “As metas altíssimas e muito longínquas podem dar vertigens e senso de impotência, de sermos muito pequenos perante o desafio”. “É mais útil e funcional planejar e executar pequenas metas, semanais por exemplo, e saber induzir e valorizar o esforço nas pequenas mudanças do dia a dia, com foco e disciplina, e não desistir nos dias difíceis. Agindo dessa forma, podemos perceber que a nossa zona de conforto não irá sumir ou ser ameaçada por grandes revoluções, mas poderá se redimensionar aos poucos”. PerdoarA palavra para viver o novo ano com tranquilidade é desapegar. A psicóloga Claudia Chrystina Kato Luz afirma que o fim de ano marca o fechamento de um ciclo, no qual metas antigas se vão e novas aparecem. Para que isso aconteça, um caminho é o perdão. “É importante enfatizar que, na sessão de terapia, acontece um trabalho interventivo visando à construção do perdão e do perdoar. O paciente se engaja no perdão ou decide não perdoar, mas, acima de tudo, o foco sempre estará no futuro, naquilo que ele escolhe construir a partir dessa consciência”, comenta. A psicóloga diz que, somente conhecendo as possibilidades do perdão, a pessoa se torna capaz de escolher novos caminhos, deixando naturalmente para trás a mágoa, a raiva e a tristeza. “Também entende que se escolher perdoar vai voltar a conviver e renunciar à posição de vítima”. AUTOPERDÃO “Quando pensamos em perdoar, devemos nos incluir nesse processo. O autoperdão é, talvez, mais difícil de se praticar, porque se refere às nossas falhas e à nossa capacidade de nos aceitarmos para evoluirmos. Ele traz o benefício inquestionável de parar de lutar contra si mesmo, de parar de se machucar ao se segurar e ao resistir ao fluxo da vida. Cometemos erros, mas não vivemos neles”, conclui Claudia.