(Adobe Stock) Informação a um click de distância, mensagens em tempo real, vídeos curtos, insegurança, incerteza, preocupações, pensamentos velozes e coração acelerado: tudo culmina para a formação da geração da ansiedade, onde todos parecem sofrer efeitos da doença do século. A cada dia, a sensação de que ‘todo mundo tem ansiedade’ se concretiza e gera o questionamento do quanto a tecnologia, que trouxe a velocidade das informações, trouxe efeitos negativos para a atual geração. De acordo com a professora de Psicologia na Universidade São Judas, a Dra. Alessandra Demite, a ansiedade se tornou mais frequente por conta de fatores como o estresse e as pressões sociais. “Vivemos em uma sociedade com muita pressão, seja no trabalho, nos estudos ou nas redes sociais, onde todos parecem precisar alcançar sucesso rapidamente.” Essa competição e a necessidade de comparação constante geram muita insegurança, grandes expectativas e provocam a ansiedade, informa a Demite. “A era digital trouxe acesso a muita informação, mas também mais incertezas, como a velocidade das mudanças tecnológicas, crises econômicas e ambientais. Isso tende a aumentar a sensação de insegurança e desamparo.” Outro ponto levantado pela especialista é de que, no trabalho, a rotina intensa e a pressão por produtividade reduzem o tempo para relaxamento e atividades de lazer. Assim como também, o mau hábito de sempre estar conectado- em redes sociais e outros- pode dificultar que a mente descanse, aumentando a ansiedade. “As pessoas levam seus celulares para a mesa, para a cama, banheiro e todas as situações da vida privada”, indica a profissional, exemplificando hábitos que são nocivos para a saúde mental. Como também houve um aumento da conscientização e da conversa sobre saúde mental, Demite diz que mais pessoas conseguem identificar sintomas e buscar ajuda, o que contribui para a impressão de que a ansiedade aumentou drasticamente. Como driblar? De uma forma geral, a doutora informa que há algumas ações que podem ajudar, como: técnicas de mindfulness (que ajudam a trazer a atenção para o momento presente, evitando que a mente fique presa em preocupações sobre o futuro), reservar tempo para cuidar de si mesmo e fazer atividades que você gosta ajuda a relaxar e a reduzir o estresse diário. Demite também indica técnicas de respiração lenta e profunda e exercícios de relaxamento ajudam a acalmar o sistema nervoso e reduzir os sintomas físicos da ansiedade. “Organização e planejamento ajudam bastante, pois, muitas vezes, a ansiedade vem de uma sensação de descontrole. Fazer listas de tarefas e manter uma agenda pode trazer clareza e uma sensação de segurança.” “Essa é uma capacidade que pode variar de pessoa para pessoa e a mesma técnica pode dar certo para um indivíduo e não funcionar para outro. Por isso, procurar ajuda de um psicólogo é de grande importância, pois, o profissional será capaz de ajudar a pessoa a identificar as causas da ansiedade e a aprender a lidar com os sintomas gerados por ela”, comenta. Em casos extremos, caso perceba que está ruminando um pensamento negativo ou iniciando um ciclo de preocupações, a especialista recomenda que a pessoa tente desviar o foco e indica atividades como leitura, exercícios físicos ou um novo hobby como formas eficazes de distração. Comportamentos nocivos O excesso de redes sociais pode ser seu maior inimigo durante o processo de tratamento de ansiedade. Nelas são feitas comparações constantes com a vida idealizada de outras pessoas que podem intensificar a insegurança e o estresse. “O consumo exagerado de notícias faz com que a pessoa fique muito exposta a notícias negativas e pode alimentar a sensação de perigo iminente e insegurança. No aspecto individual, evite o perfeccionismo e a autoexigência, pois, querer que tudo seja perfeito e se cobrar em excesso gera mais ansiedade e frustração. Por fim, o sedentarismo e os maus hábitos alimentares podem afetar o humor e a resiliência mental”, conta. Preciso de ajuda? Caso as informações acima te deixem com uma ‘pulga atrás da orelha’ e questionando se precisa de ajuda, Demite separou uma lista com quatro itens para saber se seu caso é realmente clínico. Confira: 1. Quando a ansiedade começar a interferir significativamente na sua rotina diária, no trabalho ou nas relações pessoais. 2. Sintomas físicos intensos e frequentes (como palpitações, suor excessivo ou dificuldade para respirar) sem causa aparente. 3. Se você sente que está sempre em um estado de alerta, mesmo em situações cotidianas. 4. Se o ciclo de pensamentos ansiosos se torna difícil de controlar, levando a um sentimento constante de preocupação e medo. “A ansiedade pode ser tratada de maneira eficaz com ajuda de profissionais, como psicólogos que usam terapias (como a terapia cognitivo-comportamental) e psiquiatras, que utilizam medicamentos para ajudar em alguns dos sintomas fisiológicos. É importante lembrar que reconhecer o problema e buscar ajuda é um passo positivo para a sua saúde e bem-estar”, conclui.