[[legacy_image_225532]] O vínculo da música com o ser humano começa ainda nas barrigas das mães, a partir da 21ª semana de gestação. É a partir dessa fase de desenvolvimento que o bebê passa a identificar as vozes, timbres e sons. Durante o nascimento, o primeiro som que emitimos, o choro, é uma orquestra para o ouvido de nossos pais, que esperaram nove meses para a estreia da “sinfonia das lágrimas”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Cantar, batucar, aprender violão, ouvir música… Independentemente de se trilhar ou não o caminho musical, “o som organizado” pode trazer inúmeros benefícios para crianças e até mesmo para os bebês. Uma criança que passa por processo de musicalização consegue ser mais atenta, mais sociável, comunica-se melhor, fica menos estressada, mais concentrada, aprende a interagir, esperar – e a lista só aumenta. “As atividades sonoras têm abrangência ampla no desenvolvimento de competências e habilidades que irão impactar desde a escuta musical até aspectos sociais, intelectuais, afetivos e culturais”, explica a maestrina, musicoterapeuta e coordenadora da Associação Vozes da Arte, em Cubatão, Sônia Onuki. Você já deve ter percebido como muitos brinquedos educativos emitem sons ou músicas. Na primeira infância, de 0 a 6 anos, a música contribui para o desenvolvimento intelectual, da fala, auditivo, sensorial, motor. Ajuda também no desenvolvimento da memória e no próprio aprendizado. Mas o mais importante é que nessa fase as experiências, descobertas e afetos são registrados para toda a vida adulta. VínculoSônia diz que a música, inclusive, pode ajudar a criar um vínculo entre os pais e a criança. “É uma troca incrível. Além de cantarem e brincarem juntos, eles podem vivenciar trocas culturais importantes, trazendo memórias afetivas que os pais poderão ensinar aos filhos, passando brinquedos de geração em geração”. Para a musicoterapeuta, a musicalização de bebês, em que a mãe e o pai participam, é importante no desenvolvimento futuro das crianças e na formação dos vínculos afetivos, além dos sons serem aliados na hora de colocá-los para dormir – e proporcionar aos pais um momento só deles. [[legacy_image_225533]] MusicalizaçãoA musicalização é, nada mais nada menos, do que o processo de construção do conhecimento musical e o seu principal objetivo é despertar e desenvolver o gosto pela música. Durante as aulas de musicalização, as crianças devem estar expostas às atividades que estimulem a acuidade rítmica e melódica, a escuta ativa, a prática em conjunto e o canto com melodias que respeitem seu desenvolvimento vocal. “Tudo é apresentado de forma lúdica e ativa, sendo possível observar como emergem os valores humanos, a formação psicomotora, afetiva e a criatividade. Não basta o ensino do instrumento, mas, sim, a vivência sensorial, em que a criança participa ativamente de aulas estruturadas e apropriadas para cada fase”, afirma Sônia. EstilosDiferentemente do que muitos pensam, não existe um “instrumento correto” para o uso das crianças. Todos eles podem ser benéficos “desde que a criança se interesse por conhecer e estudar, não há divisões”, diz a musicoterapeuta. Ela explica que o mais importante é observar se o instrumento de interesse está adequado para o tamanho da criança. “Hoje, temos instrumentos de tamanho menor para atender crianças pequenas, proporcionando os primeiros contatos para aprender a segurar o instrumento, a postura adequada para tocar e como tocar”. Muitos pais e responsáveis ficam na dúvida e se perguntam: “qual o estilo musical mais adequado para apresentar ao meu filho? E qual é a melhor maneira de apresentá-lo?” Sônia Onuki responde que os estilos musicais podem ser apresentados às crianças através de histórias, de brincadeiras e também da experimentação de objetos. Considerando, agora, os diferentes estilos musicais, ela diz que não existem limitações, desde que as canções respeitem a maturidade intelectual, afetiva e social dos participantes. “Desde as folclóricas até as canções mais contemporâneas são interessantes, principalmente quando aproveitamos as diversas fases da história da música”.