[[legacy_image_238503]] Hoje é sexta-feira 13. O dia marcado pela crença popular como do azar ou das bruxas. A data em que todos acordariam com o pé esquerdo e qualquer sinal de alerta deveria ser bem lido, pois poderia causar uma tragédia. Contudo, tarólogas explicam que a ideia de que a data traz má-sorte é rejeitada pelo mundo esotérico. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A psicanalista, taróloga e astróloga, Virginia Gaia, afirma que a ideia de que a data teria alguma ligação com o esoterismo ou seria utilizada para rituais não passa de uma crença popular e, para os praticantes, é um dia comum. “Há muitas lendas urbanas em cima da sexta-feira 13, pois não é um dia especial. É como outro qualquer. Entra no campo das crendices e das superstições mesmo, não tem uma tradição mística ou mágica propriamente dita”, explica. A especialista afirma que o fortalecimento da data surgiu de uma série de analogias históricas de diferentes partes do mundo, principalmente em relação ao número 13. “São várias coisas que foram relacionadas ao treze como negativo, como os doze apóstolos (De Jesus) e mais um que foi traidor na Santa Ceia”. Também há uma suposição que liga o dia com os cavaleiros templários, que representavam um poder militar-religioso da Igreja Católica. Eles teriam se envolvido com bruxaria e foram condenados. “Existe uma ideia de que teria sido, não se sabe ao certo, a data do julgamento e a execução dos últimos templários. Uma sexta-feira 13”. No campo esotérico, o número pode ter um simbolismo controverso. “O treze é a carta da morte no Tarô. Mas não é necessariamente negativa, ela fala de mudança e de transformação. Sempre a gente precisa encerrar um ciclo para começar um novo. Então o número ganhou uma projeção maior”, diz. De acordo com ela, crenças e mitos são fortificados e enraizados na rotina pela cultura. Muitas vezes essas criações carregam costumes e normas sociais que, por anos, são replicados à risca pela população, mesmo sem conhecimento sobre sua origem. Esse ideal acaba criando pré-conceitos e comportamentos abertos ao questionamento. “Mas não é um número que chega a ser negativo, dia de azar. Quem tem má-sorte nesse dia são os gatos pretos”. É de conhecimento popular a ligação entre a sexta-feira 13, bruxaria e gatos pretos. A conexão entre os simbolismos é histórica, mas não há conexão com o universo esotérico. A especialista reforça que os animais, vítimas de agressões e preconceitos, não estão diretamente ligados ao azar e a magia. “A ligação é dada à natureza noturna dos gatos e domesticação posterior do animal, que começa no antigo Egito. Na época, eles perceberam que onde havia gatos, a população era mais saudável. Como eles são predadores de animais rasteiros, ratos e outras pragas, o alimento se conservava melhor e os egípcios os tratavam como sagrados”, conta. A ideia é replicada na cultura nórdica. A profissional informa que eles acreditavam que os gatos eram protetores. “Existe uma deusa Freya e a imagem dela aparece na companhia de dois gatos pretos, pois foram relacionados à proteção, magia, fertilidade e sexualidade”. “Desde a Mesopotâmia, temos as definições astrológicas dos dias da semana. As sextas-feiras são dedicadas à Vênus, que é o planeta como regente do feminino, com temas da sexualidade e a magia. Como todos esses temas foram estigmatizados na Idade Média, emerge o conceito de azar e bruxaria”, informa. Na mesma época, a especialista explica que foram surgindo os grimórios. Eram escritas medievais sobre o ocultismo e a bruxaria, mas que também estigmatizaram a magia. “Eles passaram a distorcer os elementos do misticismo. Criou-se uma imagem errada e circulam informações falsas, como a ligação de gatos com o azar e o uso em rituais. Foi de animal sagrado para de azar. Acredita-se também que, como no escuro é mais difícil de vê-los, os gatos pretos acabaram sendo mais relacionados”. “Não existe uma referência específica da história da sexta-feira 13. É uma colcha de retalhos, que chega na Idade Média e os grimórios difundem de maneira distorcida, como se as bruxas matassem os gatos. Isso foi andando e ganhou a cultura popular. É praticamente uma lenda urbana muito antiga”, conta. Em um geral, Gaia afirma que sacrifícios animais não fazem parte do esoterismo e, astrologicamente, será um dia tranquilo. “A gente está no último dia de lua-cheia. No sábado vem a lua minguante. Não temos nada de muito excepcional passando pelo céu. A lua estará passando pelo signo de libra e estará em bons aspectos com Marte. No ponto de vista astrológico, será um dia para encontrar equilíbrio”. Numerologia e tarôA terapeuta, numeróloga e taróloga Leny Almeida reforça que não há ligação da data com as crenças comuns. “O treze acontece todos os meses. Tenho uma irmã que nasceu no dia 13 e a vida dela é muito sortuda. As pessoas levaram em conta a data para criar uma visão oculta e fantasiosa, sobre algo negativo acontecer”. Leny afirma que 13 pode trazer coisas boas. “O número sempre traz uma noção de renovação, renascimento, reconstrução e de dar um novo sentido para a vida. Criar uma nova roupagem para aquilo que está se vivendo”. A taróloga diz que o número, ligado à carta da morte, rege todo o Brasil desde o ano passado até o dia 7 de setembro. “Somos obrigados a mudar paradigmas, padrões e visão de morte. Além da morte de coisas velhas e o nascimento de coisas novas, mas sempre com a perspectiva de um novo começo. É um ano de transformação e assumir novas versões”. Contudo, Leny diz que há necessidade de estar preparado também para mortes e renascimentos. “A pessoa pode se sentir sequestrada para mudar o rumo da vida e criar novas perspectivas no emprego, casamento e vida pessoal. Pode vivenciar em várias facetas de novos rumos, que pode ser de renascimento e do túmulo, porque a morte tem essas conotações”.