[[legacy_image_118864]] O mundo já conta com 4,7 bilhões de pessoas conectadas à internet. O número divulgado pela rede de serviços on-line Hootsuite, em parceria com a agência We Are Social, mostra que seis a cada dez pessoas acessam a web através de um computador, tablet ou smartphone. O total de indivíduos com aparelhos de celular é ainda maior: aproximadamente 5,5 bilhões, representando mais de 70% da população mundial. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Não dá para negar que a tecnologia veio para facilitar as nossas vidas, seja tanto por meio da internet quanto no mundo off-line, com lava-louças, robôs aspiradores etc. No entanto, junto com os avanços tecnológicos, há o surgimento de novos tipos de problemas de saúde. Transtornos psicológicos, sedentarismo e obesidade avançam tão rápido como o processo de download em uma conexão 5G. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 152 milhões de brasileiros têm acesso à web. O País é o terceiro no mundo que reúne mais gente on-line. E detalhe: gastamos em média nove horas e 29 minutos conectados todos os dias. O equivalente a passarmos 145 dias inteiros, durante o ano, navegando na internet. Com tanto tempo na frente das telas, corremos o risco de nos tornarmos reféns delas. “A internet é importante, mas devemos tomar cuidado para não substituirmos o desenvolvimento humano, caracterizado pelo contato social, pelo mundo digital”, diz o psiquiatra Bruno Reis. Entre as principais complicações causadas pelo uso excessivo da tecnologia estão as doenças psicológicas, que atingem cada vez mais pessoas. Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) apontou que, durante a pandemia de covid-19, o Brasil chegou a ter 63% da população com ansiedade e 59% com depressão. Além de colaborar para o aparecimento ou agravamento desses transtornos, a exposição excessiva às telas contribui também para a perda de apetite e para o surgimento de alterações de humor. Especificamente sobre o impacto das redes sociais no nosso bem-estar, Bruno Reis afirma: “No Instagram ou LinkedIn, a comparação com o outro é nociva. Olhar fotos de pessoas bem-sucedidas viajando e você não conseguindo fazer o mesmo é prejudicial à saúde mental”. Ainda sobre o Instagram, o psiquiatra destaca a atitude tomada pelos gestores da rede social de ocultar o número de curtidas nos posts. Para ele, a medida iniciada em 2019 pode ajudar a amenizar um pouco a ansiedade, que costuma surgir quando você compara a quantidade de curtidas recebidas por alguém com as suas. No caso do Twitter, o problema é diferente. “Nele, as pessoas pensam que é terra de ninguém. Onde você pode insultar o outro e não ser punido por aquilo. Mesmo com toda a legislação digital já existente, muita gente continua atacando o outro por pensar diferente”. Sono, habilidade social...Com tanto tempo navegando, a insônia é mais um mal que costuma dar as caras. A Associação Brasileira do Sono (ABS) destaca que a privação constante do sono eleva a probabilidade de se ter infecções e promove uma baixa da imunidade, ganho de peso e algumas doenças, como hipertensão arterial. É preciso lembrar ainda que, conforme a idade avança, os problemas se agravam; podendo surgir arritmia, derrame, infarto do miocárdio, demência e neoplasias. Já entre as crianças, Bruno Reis ressalta outra preocupação: a falta de habilidade social. O psiquiatra entende que as relações formadas virtualmente não se aproximam, em termos de intensidade, do contato físico, prejudicando a socialização, a comunicação e o desenvolvimento comportamental. “Socializar presencialmente se mostrou algo totalmente necessário. O que impressionou até mesmo os pesquisadores na pandemia. No meio digital, independentemente da exposição, as relações ficam mais superficiais. Quando essa criança chegar à vida adulta, ela poderá ter muito mais dificuldade de lidar com frustrações e problemas”, explica Bruno Reis. Além de todos esses malefícios que a tecnologia pode desencadear (ou intensificar), outro – voltado especificamente ao trabalho – também cresceu na pandemia: a síndrome de burnout. Ela é ligada ao esgotamento profissional, ou seja, quando alguém não suporta mais a jornada de trabalho. “O home office trouxe isso. Você não sabe mais qual é o seu expediente. Trabalha sempre, gerando naturalmente o burnout”. VisãoEm 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou o seu primeiro relatório sobre a visão da população mundial. Nele, a entidade aponta que há quase 2 bilhões de pessoas com miopia e que esse número vai saltar para 3,5 bilhões em 2030, atingindo quase metade da humanidade. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indica que geralmente alguém pisca os olhos uma vez num intervalo de cinco a dez segundos. No entanto, quando a pessoa está em frente a uma tela, esse intervalo fica maior, por conta da fixação e da concentração no que está fazendo naquele momento. Segundo o oftalmologista Eduardo Paulino, o excesso de telas durante o dia pode afetar bem a visão. “É preciso ter uma relação saudável com a tecnologia. Quem passa muito tempo em frente a esses aparelhos provavelmente terá algum problema de visão”. Em paralelo à miopia – que cresce exponencialmente em todo o mundo –, a famosa vista cansada se mostra mais um reflexo do uso excessivo das telas. “A luz branca que esses dispositivos emitem não é bem-vinda. Por isso, muita gente fica com dor de cabeça no fim do dia. Outros danos na visão que podem ser causados pelo uso contínuo das telas são ceratite (irritação da córnea) e úlcera”. Hábito de muitos brasileiros antes de dormir, a leitura de livros também ganhou força nos meios digitais. Mas Eduardo Paulino diz que é preciso preparar o ambiente antes de ler um e-book. “Além da luz emitida pelo aparelho ser prejudicial, se o lugar estiver completamente escuro, a tela vai agredir ainda mais os olhos. A recomendação é ligar a luz do cômodo ou um abajur. Assim, o prejuízo será menor”. IdadeEntre as crianças e os adolescentes, o cuidado precisa ser redobrado. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta limites no tempo de exposição dos filhos às telas, de acordo com cada faixa etária: Menores de 2 anos. Nenhuma exposição a qualquer tela;Entre 2 e 5 anos. Não ultrapassar uma hora por dia; De 6 a 10 anos. Duas horas por dia, no máximo, usando telas; Entre 11 e 18 anos. Respeitar o limite de até três horas por dia e não virar a noite por causa disso. SedentarismoO avanço da tecnologia trouxe uma série de facilidades na rotina de cuidados com a casa. Só que, ao poupar tempo e esforço na hora, por exemplo, de varrer os cômodos ou lavar a louça, você não pode deixar de substituir essa atividade física por outra, para não se tornar sedentário ou obeso. Para muitos profissionais, a obesidade figura como um dos mais graves problemas de saúde pública da atualidade. O cirurgião vascular Marcello Romiti diz: “Hoje em dia, as pessoas evitam caminhar de qualquer jeito. Uma ida a pé ao supermercado oferece muitos benefícios do ponto de vista circulatório e de prevenção de doenças”. O médico acrescenta que o sedentarismo motivado pelos equipamentos digitais, além de ajudar a elevar o número de casos de obesidade, contribui para o surgimento de problemas metabólicos, como diabetes, alterações do colesterol, hipertensão arterial, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Romiti chama atenção para os trabalhadores com longas jornadas em escritórios. “Pessoas que passam muito tempo sentadas acabam não movimentando a panturrilha. Fortalecer a batata da perna é fundamental para que a circulação das extremidades do nosso corpo seja feita de forma adequada”. Pele, ouvidos e articulações Engana-se quem pensa que só a exposição excessiva ao sol prejudica a pele. A luz artificial emitida pelos aparelhos eletrônicos também faz muito mal para ela. Estudos já confirmaram que essa luz contribui para a aparição e até mesmo piora manchas escuras (melasmas), em especial no rosto, no pescoço, no colo e nas mãos, que são as partes mais expostas a ela. Já os ouvidos são afetados por um dispositivo cada vez mais presente na nossa rotina: os fones de ouvido. Utilizados por alguns para se isolar do mundo exterior, se usados em excesso, podem trazer sérios danos à saúde. Entre as consequências estão dor de cabeça, zumbido e perda de audição – que pode ser progressiva e até irreversível. Além da pele e dos ouvidos, as articulações podem ser afetadas pela tecnologia. O uso excessivo de computadores, celulares e videogames favorece uma série de doenças ortopédicas. A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia alerta que os movimentos repetitivos feitos para digitar e jogar podem causar tendinite e bursite, entre outras lesões e disfunções articulares. Essas complicações chegam a comprometer mãos, braços e ombros, e provocam dor intensa, bem como perda de sensibilidade e força. Tenha uma relação saudável Seja em casa ou no trabalho, está cada vez mais difícil ficar sem celular ou alguma novidade tecnológica que facilita a nossa vida. Por isso, deve-se manter uma relação equilibrada (e saudável) com tais dispositivos. O psiquiatra Bruno Reis recomenda estipular períodos ou até mesmo algumas horas do seu dia para ficar conectado. “É um exercício simples, mas que ajuda a diminuir a ansiedade. Nos outros momentos, tente fazer uma atividade tão prazerosa quanto. Pode ser cozinhar ou caminhar”. A caminhada também é uma válvula de escape sugerida pelo cirurgião vascular Marcello Romiti. O médico aconselha deixar o robô aspirador e a lava-louças em casa funcionando e sair para andar na rua, ao ar livre. “Caminhar pelo menos 20 minutos por dia parece pouco, mas já ajuda e muito a prevenir uma série de doenças cardiovasculares. Portanto, passeie com o cachorro pelo seu bairro ou, então, vá dar uma caminhada na praia. São ótimos exercícios”. Para quem trabalha em frente ao computador, outra alternativa é fazer pausas durante o expediente. O oftalmologista Eduardo Paulino indica deixar as telas de lado a cada 20 minutos. “Procure tomar um café, ir ao banheiro ou até mesmo ver a paisagem nesse momento. É um período de descanso e qualquer contato com as telas deve ser evitado. Procure ainda um médico que possa fazer um exame e receitar um colírio para lubrificar os olhos”, conclui. Entre as crianças e os adolescentes, o cuidado precisa ser redobrado. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta limites no tempo de exposição dos filhos às telas, de acordo com cada faixa etária: Menores de 2 anos. Nenhuma exposição a qualquer tela;