(Adobe Stock) Confusão mental, crise convulsiva e mal-estar são sintomas que a estudante Sabrina Chaves, de 29 anos, foi obrigada a lidar antes de ser diagnosticada com epilepsia. Há dois anos, ela teve a primeira crise. Após exames e alterações do eletroencefalograma, exame que registra a atividade elétrica do cérebro, ela descobriu que tem epilepsia de difícil controle. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Fui para a emergência de um hospital psiquiátrico e diagnosticada com ansiedade. Iniciei a medicação, mas continuei tendo crises, inicialmente de ausência. Passei mal e fui ao pronto atendimento várias vezes, sem diagnóstico, que só veio quando procurei um neurologista", diz Sabrina. A epilepsia é uma doença neurológica muito comum, caracterizada por descargas elétricas excessivas que ocorrem no cérebro e pode ser desencadeada por diversas causas, como tumores, genética, lesões ou traumas. O tratamento pode envolver profissionais de diferentes áreas, como psicólogo, neurologista, terapeuta ocupacional entre outros. Conscientização De acordo com a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), aproximadamente 65 milhões de pessoas têm a condição no mundo. Mudanças bruscas de temperatura, uso de bebidas alcoólicas e drogas, além de febres, podem desencadear crises em pessoas epiléticas. Mas, apesar das dificuldades, a epilepsia é uma doença tratável e os pacientes podem ter boa qualidade de vida. Como o tratamento depende muito das necessidades de cada pessoa, é comum os pacientes enfrentarem dificuldades no começo da batalha contra a doença, lidando com efeitos colaterais indesejados. Acomodações no ambiente de trabalho, por exemplo, podem ser necessárias para pessoas com epilepsia. Médica neurologista e secretária-geral da LBE, Taissa Marinho explica a importância da conscientização. “A epilepsia é uma doença neurológica muito comum, que afeta milhões de pessoas no mundo, mas a falta de conhecimento sobre as características, como sintomas das crises, causas e tratamentos, leva a um preconceito contra as pessoas que convivem com a doença”. Segundo a médica, ainda é preciso avançar em vários aspectos com relação à conscientização da epilepsia. “Precisamos de mais educação básica, desde ensinar como são os primeiros socorros de uma pessoa com convulsão até políticas públicas de auxílio a esses pacientes. Necessitamos também, de mais incentivo a pesquisas sobre o tema”. Informação Para a neurologista infantil e presidente da LBE, Letícia Pereira de Brito Sampaio, o acesso à informação é fundamental para o bem-estar dos pacientes. “É preciso ter um plano claro para lidar com crises, incluindo a comunicação com amigos e familiares sobre como ajudar durante um episódio. Consultas regulares com um neurologista para monitorar a condição e ajustar o tratamento. Falar abertamente sobre a epilepsia pode ajudar a desmistificar a condição e reduzir o estigma”, explica. A neurologista também aponta outras acomodações que podem ser necessárias. “Na escola e no trabalho, é importante garantir o ambiente seguro e acessível. Professores e funcionários devem ser treinados para reconhecer e responder a convulsões. Perto do indivíduo que possa vir a ter uma crise epiléptica, deve-se remover objetos perigosos, criando uma área segura", destaca. (Agência Brasil)