(Adobe Stock) O Brasil é o segundo país em prevalência de hanseníase, atrás apenas da Índia, e responde por nove em cada dez casos da doença nas Américas. Nos últimos dez anos, foram quase 245 mil novos registros da doença no País. Marcada por forte estigma, a doença tem tratamento, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e deixa de ser transmissível com o manejo adequado. A ser comemorado amanhã, no último domingo de janeiro, o Dia Mundial da Hanseníase busca conscientizar as pessoas sobre a enfermidade. Por isso também o mês ganha a cor roxa. A hanseníase é uma doença infecciosa e contagiosa que atinge a pele, mucosas e o sistema nervoso periférico, ou seja, nervos e gânglios. Embora tenha cura, pode causar lesões e danos neurais irreversíveis se não for diagnosticada a tempo e tratada adequadamente. A dermatologista Ana Elisa Mendonça, do centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, cita quais são os sintomas da hanseníase. “Na pele pode manifestar-se com manchas esbranquiçadas ou avermelhadas com alteração de sensibilidade térmica, tátil ou dolorosa no local da lesão. Pode apresentar edema, placas infiltradas ou nódulos localizados principalmente na face ou nos lóbulos das orelhas. Diminuição do suor e de pelos nas áreas afetadas. Perda de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa ocasionando ferimentos e queimaduras indolores nas mãos e pés. Distúrbios motores nas mãos e pés ocasionando mão em garra e pé caído”. A enfermidade é transmissível, mas a especialista explica que muitos têm uma resistência natural a ela. “A transmissão ocorre por contato direto, prolongado e íntimo com uma pessoa infectada. A doença é transmitida principalmente por meio de gotículas respiratórias como espirros ou tosse de uma pessoa infectada”, pontua. O tratamento é feito com a combinação de medicamentos chamada poliquimioterapia única (PQT- U). A duração do tratamento varia de 6 a 12 meses. A hanseníase paucibacilar (menos que cinco lesões) preconiza o tratamento por seis meses, e a hanseníase multibacilar (mais que cinco lesões), por 12 meses. O esquema é fornecido gratuitamente pelo SUS. Casos no Brasil O Brasil é o segundo país em prevalência da doença, atrás apenas da Índia. Foram registrados 245 mil novos casos nos últimos 10 anos. Principais sintomas MANCHAS E ALTERAÇÕES NA PELE * Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas com perda de sensibilidade térmica, tátil ou dolorosa * Diminuição de suor e pelos nas áreas afetadas * Placas infiltradas ou nódulos, especialmente no rosto e lóbulos das orelhas COMPROMETIMENTO NERVOSO * Espessamento, dor ou dormência em nervos * Dormência ou formigamento em mãos e pés * Mão em garra e pé caído * Ferimentos indolores causados por perda de sensibilidade Como ocorre a transmissão? * Contato direto e prolongado com pessoas infectadas sem tratamento * Por via respiratória, com espirros e tosse * Alta infectividade, baixa progressão: 90% das pessoas têm resistência natural ao bacilo, devido à resposta imunológica e a fatores genéticos Tratamento gratuito * Disponível no SUS, é realizado com uma combinação de medicamentos * A duração varia de acordo com o tipo de hanseníase: 6 meses para casos paucibacilares (com menos de cinco lesões) e 12 meses para os multibacilares (com mais de cinco lesões) * Além de curar a doença, o tratamento é fundamental para prevenir complicações, evitar lesões permanentes e interromper a transmissão da hanseníase