Aparelhos agora carregam incontáveis aplicações e seguem mudando (FreePic e Pixabay) Da transmissão da voz de qualquer ponto em que as pessoas estivessem até se transformarem em um aparelho de múltiplas funcionalidades, com a evolução da internet sem fio, os celulares fazem parte da paisagem e ninguém consegue se ver sem eles. “Hoje, os smartphones são essenciais não apenas como ferramentas de comunicação, mas também como plataformas de trabalho, entretenimento e conexão social e, como já é notório, os atuais smartphones já substituíram vários outros dispositivos, como a calculadora, agenda, máquina fotográfica, jornal, revistas, livros, rádio, TV, e assim vai. É uma grande revolução que todo dia se transforma através de 263 milhões de acessos só aqui no Brasil”, afirma o professor da Unisanta, Fernando Augusto dos Santos Ribeiro, com 43 anos de Engenharia, sendo 30 atuando na área de Telecomunicações. O primeiro telefone celular no mundo surgiu em 3 de abril de 1973, quando o engenheiro da Motorola, Martin Cooper, apresentou o DynaTAC 8000X. O modelo só foi comercializado em 1983 e marcou o início de uma nova era na comunicação pessoal. Para se ter uma ideia da diferença em relação aos modelos atuais, o aparelho tinha altura de 33 centímetros, peso de 1,1 kg, não tinha tela e apenas botões. Além disso, a bateria durava até 25 minutos de ligação. O preço era de US\$ 5 mil. A velocidade da internet móvel deve balizar decisivamente os avanços e inovações cada vez maiores da tecnologia nos celulares (Pixabay) Miniaturização e privatização A evolução da eletrônica dos circuitos integrados também desempenhou um papel vital em nível mundial, lembra Ribeiro. “A miniaturização, viabilizados por avanços na tecnologia de semicondutores, permitiu a criação de dispositivos cada vez menores, mais leves e, com o aumento da qualidade e da velocidade de processamento de vídeo e de áudio, propiciou serviços e aplicativos com maior poder de processamento, proporcionando a criação de aplicativos e outros benefícios aos usuários. Além disso, a integração de sensores, câmeras e tantos outros componentes essenciais aos smartphones foi possível devido a essas evoluções na eletrônica”, explica. Em termos de celulares no Brasil, o professor destacou a privatização da telefonia fixa e móvel, ocorrida em 1998. “Foi um grande e importante momento, pois trouxe muita inovação e, principalmente, a competição no Brasil. Houve a possibilidade da entrada de operadoras estrangeiras, acirrando assim a competição. Por conseguinte, cada nova operadora trouxe inovações nos modelos de negócios e serviços na prestação ao cliente, impulsionando e transformando os dispositivos móveis”, analisa. Histórias engraçadas marcam primeiros passos O professor Fernando Augusto dos Santos Ribeiro lembra-se bem do primeiro contato com o então chamado telefone móvel celular analógico. Em 1990, ele trabalhava na NEC do Brasil, empresa de telecomunicações que foi a primeira a instalar o sistema no País, e foi um dos primeiros instrutores de Telefonia Móvel Celular no Rio de Janeiro. Foi justamente durante um treinamento ministrado por ele aos técnicos da então Telerj (Telecomunicações do Rio de Janeiro). “Um fato engraçado é que os alunos sempre, antes de discar o número, colocavam o telefone no ouvido para ouvir a famosa linha tão aguardada nos telefones fixos. Outro fato engraçado é que sempre quando alguém se comunicava com algum amigo ou parente, iniciava dizendo: ‘Advinha por onde estou falando?’. Era realmente uma grande novidade”, relembra. Ribeiro relembra que o telefone celular daqueles primeiros tempos tinha uma antena que deveria ser puxada para cima para que o sinal ficasse melhor. Dependendo de como estivesse, teria que ser procurado um melhor local para fazer a chamada. “A bateria durava de quatro a cinco horas e o carregador era enorme”, completa. O professor também recordou duas tecnologias dentro do então novo sistema de comunicação que não foram muito adiante. “Tinha um aparelho chamado de telefone móvel celular veicular, que acabou não sendo muito utilizado porque ficava dentro do carro e utilizava a antena do próprio veículo. Havia também o telefone móvel celular transportável, usado em automóveis e que poderia ser retirado para ser usado em casa. Os dois modelos não vingaram no Brasil. Creio que isso aconteceu devido ao valor do aparelho celular na época (em torno de US\$ 5 mil). Dessa forma, não seria muito interessante utilizar em carro”, descreve. Internet móvel vai direcionar evolução A velocidade da internet móvel vai balizar decisivamente os avanços e as inovações cada vez maiores da tecnologia nos celulares, projeta o professor da Unisanta, Fernando Augusto dos Santos Ribeiro, com 43 anos de Engenharia, sendo 30 atuando na área de Telecomunicações. “Com a chegada da 6G, já testada na Ásia e que promete velocidades ultrarrápidas, latências extremamente baixas e uma conectividade massiva, surgem várias ideias inovadoras para o uso de novos modelos de terminais móveis celulares”, afirma. “Ao lembrarmos que na tecnologia 3G, a capacidade de transmissão era de 1 a 2 Mbps, imaginemos agora como será o mundo com uma velocidade de conexão móvel superior a 10 Gbps e o que se pode ter e fazer com esta velocidade em termos de benefícios para todos”, emenda. Avanços em Inteligência Artificial (IA) e aplicações de tecnologia imersivas são algumas das melhorias e novidades esperadas. “Acredita-se ainda que será possível expandir a Internet das Coisas (IoT), referente à ligação entre objetos físicos com o mundo digital, ou seja, relógios inteligentes, sensores, carros e drones que se conectam com a internet, emitindo e trocando informações de interesse do usuário”, detalha Ribeiro. Futuro do aparelho Além de oferecer os atuais serviços com mais velocidade, com mais nitidez, com menos atraso e com mais interatividade, analisa o professor, o aparelho em si talvez não seja da forma como se apresenta atualmente. “Pode estar nos óculos, na nossa roupa ou em um chip implantado em nós mesmos. Um mundo mais cibernético, mais metaverso, mais lúdico, mais holográfico e assim por diante. Só esperamos que o respeito, a privacidade e a empatia também sejam fortalecidos neste contexto”, comenta.