[[legacy_image_212051]] Em um feito inédito, o violinista brasileiro Guido Sant’Anna, de 17 anos, venceu o Concurso Fritz Kreisler, um dos maiores do mundo, após uma semana intensa de provas. Ele chegou à frente de mais de 230 candidatos de 42 países. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Ainda não sei como definir o impacto pessoal do que aconteceu, mas, do ponto de vista profissional, é uma mudança grande. Significa uma atenção maior da mídia, novas oportunidades de tocar, um salto na carreira. É como se eu tivesse agora um certificado do meu valor como músico”. Como parte da premiação, ele fará concertos na Lituânia, na Rússia, na Itália e uma turnê pela Ásia. Vai gravar um disco para o selo alemão Naxos. Há ainda a possibilidade de uma apresentação com a Filarmônica de Viena. “Muita gente que torceu por mim me procurou”. As provas foram transmitidas ao vivo pela internet e ainda podem ser vistas on-line. Guido nasceu em Parelheiros, São Paulo. Os pais e tios tinham uma banda. Mas ele seguiu em outra direção. Foi para o clássico. Tinha 5 anos quando pegou o violino pela primeira vez. Com 7, fez sua primeira apresentação pública com uma orquestra de câmara. Aos 8, foi finalista do Prelúdio, programa de calouros da TV Cultura. Na ocasião, conheceu o maestro Júlio Medaglia, que lhe apresentou o maestro e pianista João Carlos Martins. Tornaram-se apoiadores. Mas não os únicos: Guido é bolsista da Cultura Artística. Com 12 anos, em 2018, o violinista conquistou o primeiro feito internacional, ficando entre os finalistas do Concurso Menuhin, na Suíça, recebendo o prêmio do público e de música de câmara. No mesmo ano, faturou o Prêmio Concerto oferecido pela crítica brasileira especializada. Em 2021, foi um dos vencedores do Concurso Jovens Solistas da Osesp, na Sala São Paulo. Ao longo de todo esse tempo, foi orientado pela professora Elisa Fukuda. “Para mim, como indivíduo e profissional, a Elisa é fundamental. Ela é uma fonte de conhecimento que me ofereceu o caminho para que eu pudesse crescer, na técnica e na música. Ela me moldou de um jeito com o qual eu passei a ser capaz de mostrar minhas ideias musicais”. Sambando na suíça Por mais que o violino estivesse ao seu lado desde a infância, a relação com o instrumento foi construída ao longo do tempo. Guido conta que, na época do Prelúdio, quando seu nome passou a chamar a atenção, a música ainda não era um caminho definido. “Eu simplesmente ia que ia, não tinha participado de nada ainda. E de repente veio o sucesso, até porque eu tinha só 9 anos, era bonitinho”, lembra. A sensação não mudou nos anos seguintes. “Para ser honesto, eu não queria muita coisa com o violino. Eu fui mesmo para a Suíça fazer o Concurso Menuhin não por conta de um desejo pessoal, mas porque as pessoas me prepararam e me consideraram pronto. Eu me sentia sambando lá, sem grande interesse”. Após o concurso, no entanto, algo mudou. “Eu tocava porque tocava, não tinha nenhum outro interesse especial. Claro, havia uma paixão pela música, mas não no sentido de pensar em um futuro como músico profissional. Mas, depois do Menuhin, me dei conta de que podia ser mais do que eu imaginava. Teria muita coisa a perder se eu não me dedicasse a isso”. A preparação para o Fritz Kreisler foi bastante diferente. Nas finais, ele interpretou o Concerto para Violino de Brahms, um dos mais exigentes do repertório. Foi uma escolha dele em conjunto com a professora Fukuda. Eles chegaram a considerar outra possibilidade, o Concerto de Sibelius. “Mas o de Brahms me daria a chance de mostrar o que sou como músico. Há muita variedade na obra e é um concerto vibrante. Poderia mostrar tanto a técnica quanto a musicalidade que ele exige, além da presença no palco e da força de sentimento que a música evoca”. Guido conta que foram meses de preparação, de muito estudo, bem estressante. “O Guido de 17 anos é muito diferente do de 12 anos. Fiquei nervoso. Dessa vez, havia a preocupação de apresentar tudo aquilo que posso mostrar como músico”. Um dos primeiros compromissos de Guido nos próximos meses será a gravação do disco para a Naxos. Já sabe o que quer gravar? “Vixe! Honestamente, não sei”. Mas, aos poucos, algumas ideias vão se formando. Em dezembro, de volta ao Brasil, ele se apresenta em Belo Horizonte com a Filarmônica de Minas Gerais. Espera também conseguir espaço em alguma universidade para seguir com seus estudos fora do Brasil em 2023.